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domingo, 15 de maio de 2016

O Abraço da Serpente, Ciro Guerra. (Colômbia/Venezuela/Argentina, 2016) - Corram!

Assistam e baixem rápido que dentro de algum tempo os links podem ser retirados do ar...

“Karamakate, outrora um poderoso xamã da Amazônia, é o último sobrevivente de seu povo, e agora vive em isolamento voluntário nas profundezas da selva.

Os anos de solidão absoluta o tornam vazio, privado de emoções e memórias. Sua vida sofre uma reviravolta quando chega ao seu esconderijo remoto Evan, um etnobotânico americano em busca da Yakruna, uma poderosa planta, capaz de ensinar a sonhar.

O xamã decide acompanhar o estrangeiro em sua busca, e juntos embarcam em uma viagem ao coração da selva, onde passado, presente e futuro se confundem, fazendo-o aos poucos recuperar suas memórias.

Essas lembranças trazem uma dor profunda que não libertará Karamakate até que ele transmita o conhecimento ancestral que antes parecia destinado a perder-se para sempre”.




SOBRE O FILME

El Abrazo de la Serpiente foi lançado oficialmente em 17 de fevereiro de 2016 (EUA), dirigido pelo conhecido diretor colombiano Ciro Guerra. Antes do lançamento, ainda em 2015, foi apresentado na seção “Quinzena dos Realizadores” do Festival de Cannes, onde ganhou um prêmio. Também concorreu ao Oscar como melhor filme estrangeiro, sendo a primeira vez que um filme colombiano foi indicado.
Rodado em preto e branco, a produção apresenta dois diários de viajantes europeus que percorreram o Amazonas no início e meados do século XX na busca de uma planta mítica para os povos nativos, cujas tradições o diretor utiliza como motor da história.

Guerra trabalhou cinco anos no filme, dois deles dedicados ao roteiro. Primeiro iniciou sua aproximação com os povos amazônicos de um ponto de vista quase antropológico, documental. E logo percebeu que os sonhos, a imaginação e a ficção eram muito importantes na cosmovisão indígena. “Eles acreditam que o mundo se cria à medida em que se conta”, afirma.

Essa visão poética do mundo indígena serviu de motor para a experiência cinematográfica. Mas o diretor deixa claro que O Abraço da Serpente “não é a Amazônia”. 

“O pensamento amazônico é quase incompreensível para alguém que não o estudou”, explica. Por isso, Guerra tentou criar uma ponte para que o espectador se aproxime desse mundo durante 125 minutos.

 

LINKS PARA DOWNLOAD, OU ASSISTA ONLINE!

(dentro de algum tempo os links podem ser retirados do ar)
* as legendas estão embutidas
Arquivo .mkv (1.7gb) em alta qualidade para ser visto em qualquer dispositivo!
Arquivo .mp4 (562mb) com qualidade para ser visto no celular ou tablet!

GOOGLE DRIVE (aqui você também pode assistir online)
Embrace.of.the.Serpent.2015.mkv (1.7Gb)

MEGA (clique em “baixar através do seu navegador”)
Embrace.of.the.Serpent.2015.mkv (1.7Gb)

4SHARED (aqui você também pode assistir online)
Embrace.of.the.Serpent.2015.mkv (1.7Gb)

UPLOAD.NET (clique em “free download”)
Embrace.of.the.Serpent.2015.mp4 (562Mb)

publicação original:  http://radio.multiman.com.br/?http://radio.multiman.com.br/web/blog/movie-consciencia/o-abraco-da-serpente/

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quinta-feira, 12 de maio de 2016

VI Festival de Cinema Anarquista de Barcelona

Bem vindxs ao VI Festival de Cinema Anarquista de Barcelona!
Veja o Chamado pro Festival clicando aqui



De Hoje 12 a 14 de maio acontecerá mais uma edição do Festival de Cinema Anarquista de Barcelona, trazendo dezenas de títulos. O local deste ano onde acontecerá as projeções é Cinema Okupado La Cinética. Para que saibam, é um espaço livre de fumo, álcool, drogas e livre de maus-tratos a animais. Tão pouco toleramos as atitudes machistas, racistas e homofóbicas. A entrada é à vontade; Todos os benefícios serão destinados a causas anti-repressivas; Durante os três dias haverá um coletivo que nos fará uma deliciosa janta; Teremos chá mate, vitaminas, sucos, cafés, chás… Confira a seguir os filmes que serão exibidos no evento.

• Quinta-feira, 12 de maio
17h. Pan de serrín
18h. Cowspiracy
19h35. Entérense: mujeres valientes
19h50. Actualització situació Banc expropiat + vídeo
20h05. MIAU (Movimiento de Insurrección para la Autonomía de Una misma)
21h25. Kuidado que muerden
21h45. La herencia de las ausentes
22h20. Palabras mágicas para romper un encantamiento

• Sexta-feira, 13 de maio
16h. El pes de les cadenes
18h. 15 anys a Venus
19h30. Gloria
19h45. Sólo te he dicho guapa
20h20. Europe is killing
20h50. Las patronas
21h45. Cabanyal Z. Capítulo 1
22h. Son de barrio
22h50. Kurdistán: la guerra de las chicas
23h45. Cabanyal Z. Capítulo 2

• Sábado, 14 de maio
16h. Sessió infantil – Ernest y Célestine
17h30. El tiempo de las cerezas
18h45. More than honey
20h25. Economia Colectiva
21h35. Avanç del proper documental de Dokus Aborigen
21h45. Las prisiones españolas vistas desde dentro
21h50. De Berta a Teo
22h30. Els boscos oblidats
23h55. Grandma
Mais detalhes dos filmes (sinopses, trailers) entre aqui: fcab.cf

La Cinètika – c/ Fabra i Puig, 32. 08030 – Barcelona
lacinetika.wordpress.com

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vento nenhum
parou para ouvir
o silêncio da noite
 Alexandre Brito




Tot un plaer presentar-vos la localització d'enguany on realitzarem les jornades i projeccions:
Cinema Okupat La Cinètika
https://lacinetika.wordpress.com/ - @LaCinetika
Cal saber que és un espai lliure de fum, alcohol i drogues i lliure de maltracte animal. Tampoc tolerem les actituds masclistes, racistes o homòfobes.

- L'entrada serà a la voluntat.
- Tots els beneficis aniran destinats a causes antirepressives.
- Els tres dies comptem amb un col·lectiu que ens farà un deliciós sopar!
- Tindrem mate, batuts, suquets, cafès, tès...

EN BREUS TOTA LA LA INFORMACIÓ AL BLOG,
PERÒ AQUÍ US DEIXEM ELS TÍTOLS!

DIJOUS 12
17:00 Pan de serrín
18:00 Cowspiracy
19:35 Entérense: mujeres valientes
19:50 Actualització situació Banc expropiat + vídeo
20:05 MIAU / In the same boat
21:25 Kuidado que muerden
21:45 La herencia de las ausentes
22:20 Palabras mágicas para romper un encantamiento

DIVENDRES 13
16:00 El pes de les cadenes
18:00 15 anys a Venus
19:30 Gloria
19:45 Sólo te he dicho guapa
20:20 Europe is killing
20:50 Las patronas
21:45 Cabanyal Z. Capítulo 1
22:00 Son de barrio
22:50 Kurdistán: la guerra de las chicas
23:45 Cabanyal Z. Capítulo 2

DISSABTE 14
16:00 Sessió infantil - Ernest y Célestine
17:30 El tiempo de las cerezas
18:45 More than honey
20:25 Economia Colectiva
21:35 Avanç del proper documental de Dokus Aborigen
21:45 Las prisiones españolas vistas desde dentro
21:50 De Berta a Teo
22:30 Grecia: reinventarse para sobrevivir
23:55 Fóllame

cineanarquistabcn@gmail.com
#FCAB6
#FcabBcn


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terça-feira, 22 de março de 2016

Ultimo dia, corra!

Prorrogado até 23 de março de 2016 o prazo de submissão de artigos para a 30ª Reunião Brasileira de Antropologia.

 

GT 011. Antropologia do Cinema: entre narrativas, políticas e poéticas
Debora Breder Barreto (UCAM) (Coordenador)
Luiz Gustavo Pereira de Souza Correia (Universidade Federal de Sergipe) (Coordenador)


Este Grupo de Trabalho pretende congregar trabalhos que visam a perscrutar estatutos cinematográficos, bem como implicações epistemológicas de construção e interpretação de mundos sociais. Em uma sociedade cada vez mais constituída por fluxos e contrafluxos de narrativas audiovisuais, propomos discutir abordagens teórico-metodológicas de investigações que lançam mão de filmes - "documentais" e "ficcionais" - como objetos e/ou métodos de pesquisa. Trata-se, assim, de debater o cinema em suas várias dimensões, com enfoque em: 1) modos como o aparato audiovisual tem sido utilizado em investigações; 2) articulações entre cinema, narrativas, memória e subjetividade; 3) representações e interpretações de narrativas cinematográficas sobre temas como as relações natureza/cultura, centro/periferia, corpo, gênero, sexualidade, classe, raça/etnia, identidade, etc; 4) condições sociais de produção, circulação e recepção de narrativas em diferentes formatos e gêneros. Em suma, busca-se debater dilemas e potencialidades do cinema em interlocução com as ciências sociais, e, mais especificamente, do olhar antropológico dirigido ao Cinema, do diálogo entre as narrativas cinematográficas e as narrativas antropológicas e das etnografias do/no cinema.


segunda-feira, 14 de março de 2016

Madre de todos los Ríos. Mill Valley Film Group. (Honduras, 2016).

em memória de Berta Cáceres, tu lucha es nuestra lucha...



confiram o filme em:
 https://vimeo.com/121565055


BERTA VIVE!

“Construamos então, sociedades capazes de coexistir de maneira justa, digna e pela vida. Nos juntemos e sigamos com esperança defendendo e cuidando do sangue da terra e dos espíritos”. Berta Cáceres


03.03.2016: A coordenadora do Conselho dos Povos Indígenas de Honduras (Copinh), Berta Cáceres, foi assassinada na madrugada desta quarta-feira por elementos desconhecidos. http://www.telesurtv.net/news/Asesinan-a-Berta-Caceres-lider-indigena-de-Honduras--20160303-0016.html


Gracias noble pueblo Colombiano por sus muestras de apoyo y homenaje a nuestra ‪#‎bertacaceres‬.

sábado, 12 de março de 2016

Cinema e Antropologia, um abraço mútuo

A Festa de Antropologia Cinema e Arte, que arranca no Carpe Diem Arte e Pesquisa, junta antropólogos, cineastas, artistas, desdobrou-se até dia 12 em conferências e num ciclo de filmes na Cinemateca.

Place for Everyone, de Angelos Rallis e Hans Ulrich Gössl, indaga o mundo de uma aldeia ruandesa, décadas após o genocídio.

Cada vez menos uma arte popular, o Cinema parece caminhar noutras direções, uma das quais aponta para o universo acadêmico, nomeadamente o das Ciências Sociais. A Festa de Antropologia Cinema e Arte (FACA), que arranca dia 10 no Carpe Diem Arte e Pesquisa, é exemplar desse horizonte. Juntando antropólogos, cineastas, artistas, desdobrou-se até dia 12 em conferências e num ciclo de obras cinematográficas que ocorreu na Cinemateca Portuguesa.

O antropólogo Arnd Schneider e a artista francesa Claire Buisson são os principais convidados desta edição. O pesquisador, que tem aproximado a antropologia à prática artística (gesto nem sempre compreendido pelos antropólogos mais conservadores), inaugura o FACA com uma conferência intitulada Questions of the Contemporary: Art, Film, Anthropology. Quanto a Buisson vai mostrar materiais do projeto Corps archivés (Archived bodies), desenvolvido no âmbito de da sua residência no espaço Alkantara, em Lisboa. A construção do eu e as condições sociais e os corpos que as condicionam são aspectos do trabalho que os presentes poderão debater com a artista.

 Na Cinemateca, os filmes reivindicarão as palavras e as imagens. Um dos programas chama-se A cidade em Foco e compreende trabalhos realizados por estudantes portugueses de Culturas Visuais em torno da cidade de Lisboa. Marcada para o dia 11 (18h30), esta sessão será apresentada por Catarina Alves Costa, estudiosa nas áreas de Antropologia Visual e do Filme Etnográfico.

No dia seguinte, à mesma hora, Angela Torresan, investigadora do Granada Center for Visual Anthropology, introduzirá um conjunto de filmes assinados por alunos da instituição. Entre o princípio e o fim destas projeções aguardam-se imagens do Cais das Colunas, do Cemitério dos Prazeres, do bairro do Rego, das ruas de Freetown, Serra Leoa, ou de Kingston, Jamaica.

Já o programa Faca Convida salientará a produção etnográfica dos últimos anos, com a exibição de duas obras: Skin has Eyes and Ears (dia 11, 22h), de Daniela Vavrova, que leva o espectador a experimentar as noções de espaço e tempo do povo Ambonwari, na Papua-Nova Guiné (este filme foi um dos mais comentados na edição de 2014 do Festival de Cinema Etnográfico Jean Rouch, em Paris), e Place for Everyone (dia 12, 22h), de Angelos Rallis e Hans Ulrich Gössl, que indaga o mundo de uma aldeia ruandesa, décadas após o genocídio, pelos gestos e os trajectos de Tharcisse e Benoitte, dois jovens ruandeses. Um par de filmes distintos com um fim comum: fazer do cinema uma experiência do conhecimento.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Antro recomenda em Beagá: nova pesquisa de fôlego, Palomar!


C O N V I T E
O Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais
convida V.Sa. para sessão pública de apresentação e
defesa de tese:



A LEI DO DESEJO: AS RELAÇÕES DE GÊNERO NO
CINEMA DE PEDRO ALMODÓVAR.


CANDIDATA: Paloma Ferreira Coelho Silva
 
COMISSÃO EXAMINADORA:
Profa. Dra. Juliana Gonzaga Jayme – (Orientadora) - PUC Minas
Profa. Dra. Debora Breder Barreto – UCAM
Profa. Dra. Claudia Andréa Mayorga Borges – UFMG
Profa. Dra. Maria Ignez Costa Moreira – PUC Minas
Profa. Dra. Alessandra Sampaio Chacham – PUC Minas


DIA/HORA: 29/02/2016, 2ª feira, com início às 14:00 horas 

LOCAL: Av. Itaú, 505 – 4° andar – Bairro Dom Cabral – Belo Horizonte/MG 
Tel.: 3411- 5162
na Movida Madrilenha...

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Repúdio aos cinemas comerciais de Florianópolis


Carta de repúdio aos cinemas comerciais de Florianópolis/SC que ainda não se manifestaram quanto à exibição do filme “A Garota Dinamarquesa”

ADEH 

Envio de Lirous K’yo Fonseca Ávila.

A ADEH – Associação em defesa dos direitos humanos com enfoque na sexualidade veio por meio desta carta mostrar a nossa indignação contra os cinemas comerciais de Florianópolis/SC que não irão exibir o filme “A Garota Dinamarquesa”. A ADEH é uma instituição que foi fundada por travestis e transexuais da grande Florianópolis a mais de 23 anos e desenvolve um trabalho social com toda a população. Sua constituição é majoritariamente composta por mulheres travestis e mulheres transexuais que trabalham de forma voluntária sem nenhuma ajuda governamental realizando o trabalho que por obrigação deveria ser do estado de Santa Catarina e do município de Florianópolis.

Como trabalhamos com a realidade social das pessoas travestis, transexuais e transgêneras, resolvemos no ano passado criar um evento no facebook chamado OcupaAdeh que tinha como proposta central emponderar e levar a população trans (homens e mulheres transexuais e transgêneros)/ mulheres travestis para as salas de cinema de forma a fazer com que conheçam e sintam familiarizadas com o espaço do cinema/shopping que é restrito a população trans/ mulheres transexuais por imposição social. Há pouco tempo, um dos shoppings que possui um cinema, acabou sendo processado e tendo a causa ganha por uma mulher transexual que foi agredida dentro do shopping por utilizar o banheiro que correspondia ao seu gênero, logo o feminino. E não é de hoje que esses estabelecimentos tendem a violentar a população trans/ mulheres travestis quando ela ocupa espaços públicos.

Quando liguei para uma pessoa que se colocou como responsável pela programação para saber a respeito do filme, data de estreia e valores, ela me perguntou de forma rude e com desdém: “-Tá, mas porque vocês querem assistir a esse filme”?

Nós queremos que esse filme passe no cinema de Florianópolis porque é um dos poucos que retrata a história de uma mulher transexual de forma digna sem utilizar de estereótipos caricatos, deboches ou com apelos sexuais para nos representar.

Porque as pessoas ainda insistem em querer acreditar que só pelo fato de participarmos de um mesmo movimento social o LGBT, todas as letras que fazem parte são gays e isso inclui a população trans/ mulheres travestis. Acreditamos que com o filme, esse tipo de abordagem pode ficar mais claro e desmistificado.

Porque o filme trará um pouco de toda a dor e sofrimento que a população trans / mulheres travestis se deparam aos se descobrirem como pertencentes ao sexo oposto e que o mesmo não acontece com os héteros cisgêneros (As pessoas cisgêneras são aquelas que se conformam/identificam com o gênero que lhes foi compulsoriamente designado no seu nascimento. Ou seja, nasceu com um pênis, foi compulsoriamente designado como homem pelo discurso biomédico e se reconhece como homem; nasceu com vagina, foi compulsoriamente designada como mulher pelo discurso biomédico e se reconhece como mulher”.) que em nenhum momento da vida precisam se descobrir nessa condição, fora que a condição de heterossexual cisgênero é privilegiada, tida como normal e não sofre de heterofobia, já que nenhum heterossexual morre por ser heterossexual diferente da população LGBT que morrem por serem quem são.

Porque a nossa população de mulheres transexuais e de mulheres travestis tem a expectativa de vida de 30 anos e o Brasil é o país que mais mata a população trans/ mulheres travestis, matando cinco vezes mais que o país que fica em segundo lugar na matança da população trans/ mulheres travestis no mundo.

Porque desde que iniciou o ano de 2016, pelo menos 47 pessoas trans/ mulheres travestis foram assassinadas e todas com requintes de crueldade e a maioria dos casos continua sem solução. O assassino pode estar lendo isso agora, pode ser o seu marido, filho, amigo, vizinho, etc…

Porque a população trans/ mulheres travestis é a que mais “comete suicídio”, mesmo eu tendo a certeza de que a falta de oportunidades, a falta de acesso a bens e serviços (como os da assistência social e a saúde), preconceitos e violências levam as pessoas a concluírem o seu “próprio homicídio” causado pela falta de amparo do Estado e do movimento LGBT.



Porque não há políticas públicas de inclusão da população trans/ mulheres travestis nas escolas, unidades de ensino (universidades, escolas técnicas, ensinos profissionalizantes, etc…) e no mercado de trabalho, fazendo com que muitas que não desejam, sejam submetidas à prostituição como única fonte de reprodução de vida (arrecadar dinheiro para a sua existência), com a falta de segurança, muitas são assassinadas e acabam mortas no seu local de trabalho.

Porque além de todo o trabalho que chega a instituição ADEH, desde pessoas vítimas de violência, que necessitam de acompanhamentos psicológicos ou jurídicos que ofertamos a toda a população de forma gratuita, não é raro chegar demandas de mulheres trans/ mulheres travestis que tem medo de comprar um milk shake por exemplo, por causa do preconceito que sofrem na rua e nos estabelecimentos mesmo sendo clientes, e pedem para que um dos membros da instituição as acompanhe até os estabelecimentos para efetuar suas compras.

Porque a maioria das pessoas trans/mulheres travestis não costumam ocupar espaços públicos por medo de represarias e de violências o que faz com que muitas se sintam seguras a sair somente de madrugada.

Porque o estado de Santa Catarina demora a reconhecer, quando reconhece, pois é uma sentença rara a acontecer, a mudança do nome e do gênero nos documentos de identidade do requerente que entra com processo judicial para sua retificação, impedindo que a população trans/ mulheres travestis tenham acesso digno a escola ou ao mercado de trabalho quando são mais “passáveis” como costumam denominar aqueles/aquelas que mais são parecidas com homens ou mulheres reforçando estereótipos de gêneros.

Porque diferente dos outros estados, muitos médicos de Florianópolis se negam ou tratam com hostilidade e desrespeito a população trans/ mulheres travestis ridicularizando-as e fazendo com que as mesmas evitem os serviços básicos de saúde.

Porque muitas mulheres transfóbicas que se dizem militantes contra as opressões de gênero e se intitulam “RADFEMES” perseguem pessoas trans/ mulheres travestis nos espaços acadêmicos fazendo com que muitas desistam de estudar, tendo que ser obrigadas a conviver com mensagens de “boas-vindas” nos banheiros femininos como “Morte aos travekos” ou ter o nome de registro exposto em alguma página do facebook ou pichação na rua.

Porque muitas pessoas da população trans/ mulheres travestis são expulsas de casa ainda jovens e acabam ficando em situação de rua, sem perspectiva de uma vida com dedicação aos estudos e ao trabalho para realizar o sonho que toda a criança tem “de ser o que quiser quando crescer”.

Porque a mídia não respeita a população trans/ mulheres travestis. A grande maioria dos jornalistas ignorantes com os estudos de gênero aos quais é possível ter acesso dentro da própria academia já que as nossas universidades são referências mundiais em estudo de gênero, mesmo assim firmam tratar gênero por sexo biológico, chamando de “O travesti” quando na realidade pode ser uma mulher transexual ou uma travesti, pois o “termo” “O travesti” é desrespeitoso com a identidade de gênero do indivíduo, assim como “A lésbica sapatão” ao se referirem aos homens transexuais. Além de serem responsável por contabilizar de forma errada as mortes da população trans/ mulheres travestis já que todas são tratadas como “O homem vestido de mulher é assassinado”, ou “Um gay com roupas femininas foi encontrado morto” o que aumentam somente as estatísticas de morte referente aos gays mesmo a população trans / mulheres travestis na sua grande maioria não sendo gays e invisibilizam as mortes da população trans/ mulheres travestis. Fomentando com esses termos ainda mais a violência e a morte da nossa população.

Porque ainda a população trans/ mulheres travestis são vistas como objetos sexuais e colocadas à margem da sociedade por aqueles que nos negam empregos durante o dia, mas pagam para sair conosco durante a noite, quando não nos matam depois da relação sexual pelo simples fato de despertarmos desejos sexuais e fazermos com que ele se sintam menos “homens”. Bem, sabemos que a maioria dos assassinos de mulheres transexuais e mulheres travestis tentam matar nelas aquilo que não conseguem matar dentro deles próprios.

Porque somos vistas como “pedófilas”, “pederastas” e incentivadoras do “homossexualismo” culpadas pelo crime de organizar uma “ditadura gay” para destruir com a família tradicional brasileira.

Porque as unidades de ensino resolveram retirar dos planos municipais e estaduais da educação a discussão de gênero que poderia fazer o enfrentamento e o combate ao preconceito no nosso país.

Porque os nossos líderes religiosos ganham muito dinheiro com a proposta de curar gays e pessoas transexuais/ mulheres travestis, e utilizam das nossas fraquezas como moeda de troca, como um meio de capitar recursos financeiros em troca da tão sonhada “cura” que representa para muitas a aceitação social por sermos quem somos ao invés de proporcionar aquilo que a religião prega que é a paz de espírito e o amor ao próximo.

Porque muitas das meninas nunca estiveram em uma sala de cinema. E como este filme nos representa, gostaríamos de ajudar a contribuir mesmo que com pouco para mostrar o nosso reconhecimento as pessoas que fazem um trabalho de serviço a população trans/ mulheres travestis com dignidade e respeito, o que raramente acontece no mundo todo.

Poderia citar muitos motivos pelo qual motivaram a idealização desse projeto. Lamento que não vamos conseguir por enquanto realizar o nosso sonho, que era de levar pelo menos 10 pessoas trans/ mulheres travestis até o cinema, comer pipoca assistindo o filme “A Garota Dinamarquesa” e tirar fotos ao lado do pôster do filme, pois nem isso foi posto em nenhum cinema, porque diferente de outros estados, em Santa Catarina nos somos um segredo, muito requisitado nas esquinas e mantido por aqueles que se dizem não se misturar com “isso”. Só lembrando que quem procura, minimamente tem carro e dinheiro para pagar o programa e o motel que não é barato, logo sabemos muito bem de que classe que estamos falando. Pois os homens pertencentes a essa classe tem medo de se deparar com a população trans/ mulheres travestis que eles procuram à noite às escondidas, nos mesmos espaços públicos que eles frequentam com as suas famílias e amigos, temem que os seus segredos sejam revelados.

 
publicado originalmente em:  http://desacato.info/adeh-faz-carta-de-repudio-aos-cinemas-comerciais-de-florianopolis/