Pretende reunir pesquisadores que estudam as múltiplas relações entre Antropologia & Cinema. Em um mundo cada vez mais constituído por fluxos e contrafluxos de narrativas audiovisuais, propõe-se não apenas discutir os enunciados antropológicos de um cinema etnográfico ou de uma antropologia fílmica, mas também o desafio enfrentado pelos antropólogos de empreender uma Antropologia do Cinema.
Na ultima quinta-feira, dia 20, estreou no cine Gaumont – espaço INCAA – Los Ojos de América (Os
Olhos de América), documentário ganhador do concurso DOCTV
Latinoamérica IV. Dirigido por Daiana Rosenfeld e Aníbal Garisto, trata
sobre a apaixonada história de amor que protagonizaram os anarquistas
América Scarfó e Severino Di Giovanni no alvorecer da década infame.
Este filme surgiu de uma pesquisa sobre mulheres anarquistas
da Argentina, tema que a realizadora seguirá percorrendo em seu próximo
trabalho, quando reconstruirá a vida de Salvadora Medina Onrubia.
Anarquista, teósofa, dramaturga e poeta, a esposa de Natalio Botana, o
fundador do Diário Crítica. A história indaga na vida de Salvadora
desde uma reconstrução subjetiva acerca do mundo: como mulher, como mãe
solteira aos dezesseis anos na década de 10, como dramaturga e como
anarquista.
“Me interessa resgatar os valores do anarquismo” – reflete – “aqueles
que chegaram ao final do século XIX e começo do XX para falarmos da
liberdade individual e coletiva, de uma mudança profunda, da igualdade e
a humanidade, do ser consequente a nível cotidiano com as ações que
realizavam. Como diz América na carta que enviava ao pensador francês
Emile Armand: “Não há que contentar-se com esperar, senão que se faz
necessária nossa ação cotidiana. Há que liberar-se de preconceitos,
falsidades morais e códigos absurdos”.
O Grupo Teatral Parlendas fez este vídeo para ajudar a denunciar os Massacres que estão ocorrendo no Bra$il, com foco no Mato Grosso do Sul.
Lideranças indígenas estão sendo assassinadas, a mídia segue
manipulando as informações e escondendo a guerra atrás do Carnaval.
Ajudem a compartilhar informações, vamos somar na luta dos povos
indígenas.
Um dia do ano de 1930, José Américo Ghezzi (Bepo), Picapedrero
Anarquista, abandona o seu povo em Tandil e até 1955 não volta. Durante
25 anos caminha sem outro rumo que o traçado pelas vias da
Estrada-de-Ferro, tituláveis ao silencioso mundo dos "Crotos " em
que se encontra o "Francês", mestre da vida que o marcou para sempre. Em
seu povo, seus amigos e uma mulher o esperam cozinhando as suas
próprias vidas. 60 anos mais tarde, face a uma câmara, revivem suas
maravilhas e visões do mundo em uma sorte de colagem de olhares e
sonhos onde o primordial é a pergunta "a liberdade é possível?".
Dossiê Temático: Outros Filmes Prazo: 31 dezembro 2015 Editores: Sofia Sampaio, Raquel Schefer e Thaís Blank
Filmes utilitários, amadores, órfãos e efêmeros: repensando o cinema a partir dos ‘outros filmes’ Os
estudos de cinema têm vindo a construir-se, em larga medida, em torno
do filme de ficção, dentro de um paradigma predominantemente estético,
autoral e nacional. Apesar de constituírem a maior parte da produção
mundial, os filmes de não-ficção – uma categoria alargada, de metragem
variada, que inclui gêneros tão díspares como o filme de viagem, o filme
utilitário e ‘efêmero’ (industrial, turístico, educativo,
publicitário), o filme de atualidades, o filme amador e doméstico e os
chamados filmes 'órfãos' – têm sido sistematicamente marginalizados ou
mesmo excluídos das várias histórias e historiografias do cinema,
nacionais e internacionais.
Em Portugal, a importância desta
vasta produção para a sobrevivência da indústria cinematográfica não a
impediu de se tornar, na expressão de Paulo Cunha, num ‘cinema
invisível’ (2014). As recentes melhorias no acesso a arquivos de imagem
em movimento, bem como a crítica do paradigma estético dominante, a
favor de abordagens ‘historicamente mais neutras’ (Stephen Bottomore,
2001), têm vindo a encorajar a investigação deste ‘território
não-cartografado’ (Daan Hertogs e Nico de Klerk, 1997), resultando num
aumento significativo de publicações nesta área.
Este dossiê
temático da Aniki pretende reunir artigos que discutam, não apenas
questões diretamente relacionadas com estes filmes – como é que podem
ser investigados e para quê; quais os problemas que suscitam em termos
teóricos e metodológicos; como podem ser programados – mas também
aspectos relacionados com o campo em si – nomeadamente, como é que a
atenção a novos objetos de estudo poderá implicar novas formas de
conceber o cinema e a sua história. Ou seja, como é que podemos repensar
o cinema a partir dos ‘outros filmes’?
Contributos vindos de
áreas como os estudos de cinema, os estudos culturais, a história, a
sociologia e a antropologia serão bem vindos. Será dada prioridade a
casos de estudo originais e bem fundamentados, provenientes de vários
arquivos e cinematografias.
Os artigos recebidos serão sujeitos a
um processo de seleção e de revisão cega por pares. Antes de submeter o
seu artigo completo, consulte as Políticas de Secção e as Instruções para Autores.
Sofia Sampaio, Raquel Schefer e Thaís Blank coordenam, desde 2013, o grupo de trabalho ‘Outros Filmes’ da AIM.
Sofia Sampaio é
Investigadora Auxiliar no Centro em Rede de Investigação em
Antropologia (CRIA), do Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL),
onde integra o grupo de investigação ‘Práticas e Políticas da Cultura’.
Tem publicado em várias revistas científicas nacionais e internacionais,
tais como: Textual Practice; Journal of Tourism and Cultural Change; Etnográfica; Cadernos de Arte e Antropologia; Ler História; Culture Unbound: Journal of Current Cultural Research; Scope: An online Journal of Film and Television Studies; Cinema: Journal of Philosophy and the Moving Image.
Atualmente é Investigadora Principal do Projeto ‘Atrás da câmara:
práticas de visualidade e mobilidade no filme turístico português’
(EXPL/IVC-ANT/1706/2013), financiado por fundos nacionais através da
FCT/MCTES.
Raquel Schefer é investigadora,
realizadora e programadora de cinema. Doutoranda em Estudos
Cinematográficos na Universidade Sorbonne Nouvelle - Paris 3, finaliza
uma tese dedicada ao cinema revolucionário moçambicano. Mestre em Cinema
Documental pela Universidade del Cine de Buenos Aires, publicou a sua
tese de mestrado, “El Autorretrato en el Documental”, na Argentina, em
2008. Licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de
Lisboa, é atualmente membro do comité editorial das revistas La Furia Umana e General Intellect. Publicou artigos em revistas nacionais e internacionais, tais como: Aniki;
Cibertronic; Débordements; Imagofagía; La Clave; LaFuga; Kronos:
Southern African Histories; Le Journal de la Triennale; Poiésis; Textos e
Pretextos; Visaje, entre outras.
Thais Blank é
investigadora, montadora e realizadora. Doutoranda em Comunicação e
Cultura na Universidade Federal do Rio de Janeiro (2011) em regime de
cotutela com a Université Paris 1 Panthéon-Sorbonne. É mestre em
Comunicação e Cultura pela UFRJ (2010). Possui graduação em Comunicação
Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2007).
Atualmente é supervisora do Núcleo de Audiovisual e Documentário do
CPDOC/FGV. Possui artigos publicados em revistas nacionais e
internacionais, tais como: Devires; Laika; Significação; Doc On-line; História da Mídia, entre outras.
A 3ª edição do Arquitecturas Film Festival Lisboa, mostra internacional de filmes documentais, experimentais e de ficção sobre Arquitetura, irá decorrer de 1 e 4 de outubro, com o tema “Welcome to the Future”. Para além da habitual presença no Cinema City Alvalade e na Cinemateca Portuguesa, este ano o festival terá também como sede o Fórum Lisboa.
Esta
3ª edição pretende proporcionar uma incursão a diferentes visões do
Futuro: desde “futuros” que se revelaram já obsoletos, àqueles que são
até à data atemporais. Ambiciona-se ir além do razoável e procurar
antevisões improváveis de novos mundos a ser, que possam ter tanto de
extravagância e loucura, como de profecia, visão e perspicácia.
É
com este olhar sobre o futuro que o realizador Edgar Pêra surge este
ano como personalidade central do festival. Edgar Pêra, um dos mais
prolíficos cineastas portugueses, realizou diversos filmes sobre
arquitetura que primam por nos surpreender pela sua visão singular,
inesperada e geradora de novas e renovadas interpretações. Da sua
presença na programação deste ano, destacamos a sessão exclusivamente
dedicada aos seus filmes em 3D e a Masterclass que o realizador irá
apresentar sobre a relação do seu cinema com a arquitetura.
O Arquitecturas Film Festival
Lisboa estreia a 30 de setembro, no Fórum Lisboa, com o filme “99
Dom-ino” (2014), um projeto do coletivo Space Caviar. O centésimo
aniversário do projeto Maison Dom-ino de Le Corbusier serve neste filme
como pretexto para um inquérito à domesticidade italiana e a sua relação
com a paisagem nos últimos 100 anos. Concebido para integrar a
exposição “Monditalia” na 14ª edição da Bienal de Arquitetura de Veneza, “99 Dom-ino” é uma ideia original de Joseph Grima, membro dos Space Caviar e diretor artístico da Bienal de Arquitetura de Chicago 2015.
Esta
3ª edição conta com mais de 50 filmes em estreia nacional, 4 filmes em
estreia europeia e 6 filmes em estreia mundial. Entre fevereiro e junho,
o festival recebeu 159 produções de 39 países diferentes para integrar a
competição, o que reflete uma vez mais que a interseção entre o cinema e
arquitetura é alvo global de interesse e investigação.
Os
filmes em competição serão avaliados e premiados dentro das respectivas
categorias pelo seguinte júri: Catarina Alves Costa (Diretora, PT);
Diogo Burnay (Arquiteto, PT); Manuel Henriques (Diretor da Trienal de
Lisboa, PT); Nelson Dona (Diretor do Festival
Amadora BD); Nick Dunn (Professor de desenho urbano, Lancaster
University, GB); Nuno Cera (Artista, PT); Olívia Bina (Investigadora de
Ciências Sociais, ICS-Ul, PT); Peter Bo Rappmund (Diretor, EUA).
À
semelhança dos anos anteriores, os filmes premiados desta edição do
festival integrarão o Circuito Itinerante e serão recebidos por
instituições, festivais e faculdades em cidades várias, não só em Portugal
mas um pouco por todo o mundo. Em edições anteriores, o Circuito
Itinerante passou por Braga, Porto, Faro, Évora, Delft (Holanda) e
Bradenburgo (Alemanha). Este ano prevemos estender o circuito nacional a
São João da Madeira, Leiria, Coimbra e Açores e o internacional ao
Brasil, Canadá e República Checa. Para mais informações, acesse a página do Arquitecturas Film Festival.