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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Cinema indígena agoniza sem recursos

Abandonado pelo Ministério da Cultura, cinema indígena agoniza sem recursos

Carlos Minuano
A prolífica produção indígena no cinema revelou cineastas e abriu novos caminhos para a transmissão do conhecimento tradicional entre gerações. Mas o gênero que evoluía no Brasil, conquistando novos espaços e reconhecimento em festivais, e parecia se consolidar no país, praticamente parou por falta de recursos.
"A falta de recursos tem dificultado que novos filmes sejam feitos", diz Vincent Carelli, idealizador do Vídeo nas Aldeias. "A situação dos índios é péssima, a produção é ainda muito reduzida e a gama de problemas muito ampla". Para ele, é preciso investir mais no desenvolvimento da mídia indígena. "Eles precisam de mais acesso a subsídios e mais formação. Não há recursos hoje para formar e equipar novas comunidades". 

Foi o projeto Vídeo nas Aldeias que impulsionou, no final da década de 1990, boa parte da produção. Um estímulo significativo veio com o programa Pontos de Cultura, criada dentro da gestão de Gilberto Gil (2003-2008) no Ministério da Cultura, e que passou a financiar experiências audiovisuais por indígenas. Com mudanças de rumos na política, o dinheiro cessou impedindo continuidade de projetos. "O Ministério da Cultura abandonou os pontos de cultura", diz Carelli. Ainda assim, ele garante que o trabalho segue e continua expandindo fronteiras.
"Apesar do desmanche da política cultural estamos produzindo os trabalhos dos alunos que formamos, e realizando filmes com eles", diz Carelli. Um deles é o bem sucedido documentário "Hiper Mulheres" (2011), que faturou prêmios em importantes festivais de cinema no Brasil e no exterior. Filmado por índios e dirigido por Takumã Kuikuro, Leonardo Sette e o antropólogo Carlos Fausto, o longa mostra um ritual de mulheres da etnia Kuikuro.

A aldeia como ela é
Uma pequena --mas relevante-- amostra dessa produção também está na coleção Um Dia na Aldeia, que acaba de ser lançada pela editora Cosac Naify. São três longas produzidos dentro do projeto Vídeo nas Aldeias, dois deles dirigidos por índios: "Depois do Ovo, a Guerra" e "Das Crianças Ikpengs Para o Mundo". "São trabalhos maduros, que também têm sido bem recebidos em festivais", conta Carelli. O terceiro filme, com corte mais documental, foi dirigido por ele e Dominique Gallois.

Mas o olhar indígena na coleção Um Dia na Aldeia não se restringe ao audiovisual. Os três DVDs estão encartados em livros infanto-juvenis, em edição bilíngue. Cada um conta uma história, inspirada num filme indígena, adaptada por Ana Carvalho, e ricamente ilustrada e colorida por Rita Carelli, filha de Vincent.

"Os livros procuram mostrar que índios não pertencem ao passado nem aos livros de história, mas que estão vivos, brincando, lutando por suas terras e direitos, fazendo suas festas e filmes", afirma Rita, que acompanhou o pai em viagens por tribos de todo o país.


Diversidade indígena em São Paulo
No final de agosto, um grupo de indígenas desembarcou na cidade de São Paulo com cineastas, caciques e pajés para acompanhar a primeira Mostra de Cinema Indígena Aldeia SP. Uma seleção de 34 curtas produzidos por 15 etnias das regiões Norte e Centro-Oeste foi exibida em diferentes espaços culturais da capital.

Os filmes foram feitos em 2010 dentro de oficinas que aconteceram com a criação dos pontos de culturas indígenas, realizadas em parceria com a ONG Rede Povos da Floresta e o Vídeo nas Aldeias. As produções mostram que a apropriação das novas tecnologias serviu para índios explorarem um olhar singular sobre o próprio universo.

É o que transparece, por exemplo, em "A Casa dos Espíritos", dirigido por Morzaniel Iramari e Dário Kopenawa. "O filme traz um pouco do costume e tradição ianomâmi, com um olhar íntimo e único", analisou a curadora da mostra, Alice Fortes, integrante da Rede Povos da Floresta. A narrativa se passa na aldeia Watoriki-Theri, terras indígenas em Roraima e no Amazonas, que preservam uma magia que, segundo ela, garimpeiros não conseguiram roubar.


Outra parte dos cineastas indígenas optou por deixar de lado lendas e mitos e carregaram suas filmagens com tintas mais densas, se apropriando do audiovisual como ferramenta de resistência política. Essa temática mais social tem norteado muito do que tem se produzido pelo país mais recentemente, diz Carelli.

"Há uma diversidade enorme, temos desde o celular registrando a polícia militar entrando em uma aldeia no Nordeste até as manifestações do movimento indígena em Brasília, em streaming ao vivo". Falta, segundo ele, um levantamento que mapeie essa produção. "Tem muita gente fazendo alguma coisa de maneira dispersa".
Índios isolados
A frágil e tensa situação dos índios isolados na fronteira do Acre com o Peru, pressionados pelo garimpo e extração ilegal de madeiras, também já foi retratada em quatro curtas do índio Nilson Huni Kuin.

Para filmar, o indígena, que vive em uma aldeia vizinha a área dos "isolados", conta que realizou diversas expedições de aproximação com um grupo de assistentes. "Chegamos a passar até um mês dentro da mata". Segundo ele, teve ocasiões em que foram recebidos com flechadas de advertência. "Não queriam nos ferir, mas sim dizer que estávamos em território deles". 
Os isolados ganharam o apelido de "os brabos". "São três grupos com cerca de 800 pessoas que vivem em uma situação cada vez mais delicada", diz. O primeiro longa-metragem sobre esse tema deve ficar pronto até o final do ano.

A variedade temática e de estilos de filmes dá uma dimensão da relevância da produção nas aldeias, segundo a curadora da mostra Aldeia SP. "Vai bem além de mostrar a cultura dos índios para o mundo". "Eles não têm tradição escrita, e sim de fala, por isso a produção de vídeos é uma forma natural e orgânica para que se expressem e disseminem seus conhecimentos, não apenas para não-índios, mas para eles mesmos", declara Fortes.

publicado originalmente em: http://cinema.uol.com.br/noticias/redacao/2014/09/02/abandonado-pelo-ministerio-da-cultura-cinema-indigena-agoniza-sem-recursos.htm
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quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Oficinas aprovadas no I EAVAAM

4 a 6 de novembro, na UFPA

eríodo de inscrições (vagas limitadas): de 12 de agosto a 05 de outubro de 2014


OFICINA 01 - Cinema, Gênero e Sexualidade: festivais, produção e representações



Coordenadores/Ministrantes: Marcos Aurélio da Silva (UFSC/GRAPPA) e Paula Alves de Almeida (ENCE/IBGE)



O nível de empoderamento das mulheres e o desempenho pleno de seus direitos fazem parte, juntamente com outros aspectos, de uma série de medidores do desenvolvimento de regiões ou países, de forma que a igualdade de gênero é reconhecidamente fundamental para o desenvolvimento de toda a sociedade. Expandindo-se os significados de feminino e masculino para além das diferenças sexuais e a noção de gênero para além das categorias binárias, podemos entender que uma sociedade onde estejam assegurados direitos legais e civis a todos os cidadãos e, mais importante, a prática desses direitos é, sem dúvida, uma sociedade melhor para todos os indivíduos e não apenas para grupos sociais definidos. O cinema tem papel fundamental nesse processo. As imagens produzidas, reafirmadas e divulgadas de homens, mulheres, homoafetivos, sexualidades e corpos influenciam as relações na família, no trabalho, na política. E, ao contrário, a quebra de rótulos e a divulgação de imagens positivas e diversificadas dos diferentes grupos sociais e gêneros contribuem para a igualdade no desempenho pleno dos direitos e das práticas, seja na educação, na família, no mundo do trabalho, na política, no acesso aos meios de produção, etc. Essa oficina pretende abordar as relações entre cinema, gênero e sexualidade partindo dos festivais cinematográficos dedicados a estas temáticas, passando pela produção de obras audiovisuais e pela representação dos corpos, gêneros e sexualidades pelo cinema.


OFICINA 02 - Poéticas Afro-brasileiras



Coordenadores/Ministrantes: Arthur Leandro de Moraes Maroja (UFPA) e Isabela do Lago (UFPA) e Aurilene Pereira Ferreira.



Oficina teórica de discussão de trabalhos de arte e estética afro-brasileiras, à luz dos paradigmas estéticos afro-amazônicos - uma experiência plural negra e brasileira nesta região, indicando vínculos a elementos socioculturais africanos e amazônidas.

OFICINA 03 - Esculpindo o tempo em Tarkowski: imagem, cinema e transcendência



Coordenadora/Ministrante: Kátia Marly Leite Mendonça (UFPA).



Andrei Tarkovski é herdeiro da tradição legada por Tolstoi, Dostoievski e Soloviev, para os quais a arte é uma metalinguagem que tem por função o entendimento mútuo e a comunhão entre os seres humanos. Para Tarkovski, as obras primas nascem da luta do artista para expressar seus ideais éticos, os quais são expressos através da imagem, elemento sui generis, pois por meio da imagem se atinge uma consciência do infinito, do eterno dentro do finito, do espiritual no interior da matéria. Neste sentido a arte, na medida em que uma realidade emocional brota do contato com ela, tem uma dimensão ética inalienável da estética.A oficina pretende a partir de análise da obra de Tarkovski abordar a questão do papel ético da imagem e da arte assim como da responsabilidade ética do artista.

OFICINA 04 - Cinema e Linguagem: um olhar sobre gênero



Coordenadora/Ministrante: Maria Luzia Miranda Álvares (UFPA).



Considerando-se o cinema como uma arte que "vê" muito além das imagens projetadas, propõe-se a exibição de um filme com base na temática gênero para a discussão sobre as representações sociais que repercutem no tema e a simbologia que favorece inúmeras interpretações sobre as relações sociais. Filme: "A Velha Dama Indigna" (La vieille dame indigne, França, 1965, 94 min.), de René Allio. Metodologia: Exibição do filme e discussão dos recortes que apresentam os marcadores sociais estabelecendo as evidências de práticas sociais com base nas teorias do patriarcado contemporâneo (Simone de Beauvoir) e gênero, pelo olhar de Joan Scott.

OFICINA 05 - A Arte de Rua: Um olhar sociológico e antropológico



Coordenadora/Ministrante: Karen Cristina Rocha Valentim (Instituto Tamojunto).



A arte de Rua propõe uma sensibilidade interna por meio da exposição utilizando o suporte (a cidade) e o seu público (o transeunte) é que o artista pode compartilhar a arte, revelando outra visão do mundo, a partir de uma observação do ambiente urbano, a preservação histórico-cultural e sendo também a mescla dessas sensações e vivencias. O resultado final são as reações dos expectadores é um ponto importante que auxilia o dialogo com a cidade. Tendo na importância de reafirmar o fator que desde a pré-história à atualidade o homem inscreveu marcas em seu entorno, em suas marcas traduziu sua visão do mundo e suas inquietações em imagens que podem ser observadas até os dias atuais. Assim a partir dessa oficina de arte de urbana pensando a respeito do desenvolvimento das intervenções pela cidade, participando também das vivencias e adquirindo um novo olhar sobre o meio urbano podendo transformá-lo positivamente? Esta é uma maneira de participação na construção estética da cidade. Dialogando também com o ponto de vista sociológico sobre essa expressão artística, não apenas como um grito e mensagens de protesto referente às necessidades de uma classe, mas a ampliação dos olhares para o mundo e dos segmentos existentes na cidade. Desenvolvendo o ponto de vista da imagem, da comunicação, da linguagem, da arte, os símbolos, os significantes, os significados imergindo em um espaço fascinante.

OFICINA 06 - Netnografia em pesquisa social: imagens, prints, GIF's e memes.



Coordenadores/Ministrantes: Michel Ribeiro de Melo e Silva (UFPA) e Lorena Tamyres Trindade da Costa (UFPA).



O objetivo desta oficina é apresentar o método de coleta de dados da Netnografia como ferramenta adaptável a contextos de pesquisa social, em que o pesquisador vai realizar seu campo (ou parte dele) em mídias sociais, websites, fóruns e outros espaços virtuais de sociabilidade. A Netnografia se baseia na coleta de dados em ambientes online em que os usuários compartilham e postam cotidianamente, e de acordo com os interesses de pesquisa o investigador vai participar destes ambientes e coletar dados. Por se tratar de conteúdo digital, a Netnografia irá constantemente lidar com imagens, seja ela em forma de prints das postagens, gifs, fotos e vídeos. A pesquisa através de imagens na Web é um recurso indispensável para a compreensão das questões sociais que podem ser identificadas dentro destes novos espaços de sociabilidade. Assim, o conteúdo desta oficina irá apresentar as noções básicas da pesquisa nestes espaços e da cibercultura e depois apresentar uma Proposta de método netnográfico que seja complementar à pesquisa de campo tradicional e possa potencializar o uso método antropológico e suas possíveis abordagens no âmbito da interação digital e seus impactos sociais.

OFICINA 07 – Trânsitos marginais: fanzines e culturas visuais urbana



Coordenador/Ministrante :Victor Hugo Burçãos (UFPA).



A cultura do fanzine - forma de publicação artesanal, de caráter independete e livre, circulação restrita e anti-comercial - é disseminada, sobretudo, por culturas urbanas como uma forma de publicação marginal, espaço de debate e registro visual-literário-ideológico. Apropriada e continuamente ressignificado por indivíduos e coletivos punks, anarquistas, ativistas veganos, straight edges, quadrinistas, permacultores e grupos ligados à criação e crítica das artes visuais, que o tornam uma ferramenta de comunicação, divulgação e reprodução das técnicas e saberes desses sujeitos e grupos que tem no espaço urbano o locus de suas práticas e vivências, podendo extrapolar - ou não - suas cenas e comunidades, os fanzines podem ser meios de mediação e identificação entre esses grupos. Como ferramentas de comunicação alternativa, se dedicam a temáticas pouco ou inexploradas pela mídia impressa ou televisiva comercial. Assim, se configuram como um campo de experimentação de estéticas visuais/literárias, onde dialogam diversas técnicas de confecção - como fotografias, ilustrações, gravuras e colagens - e reprodução próprias.

OFICINA 08 - Netnografando: uma experiência virtual de etnografia



Coordenadora/Ministrante: Dayse Alvares de Morais Silva (PUC-SP)



A oficina tem o objetivo de capacitar pesquisadores para o desenvolvimento de pesquisas de etnografias virtuais e/ou netnografias. Na oficina apresentaremos o conceito e as diferenças entre etnografia, etnografia virtual e netnografia. A proposta é que a oficina seja dividida em dois momentos: 1º momento: Apresentação da teoria e 2º momento: desenvolvimento da percepção sensorial do(a) observador(a) através de atividades que serão realizadas no ambiente virtual de aprendizagem (Moodle), Museu Virtual e em Redes Sociais (Facebook).
Mais informações: www.eavaam2014.com.br
Postagens relacionadas:
http://www.antrocine.blogspot.com.es/2014/08/resumo-ate-quarta-feira.html
http://www.antrocine.blogspot.com.es/2014/07/i-eavaam-encontro-de-antropologia.html

Imaginários da juventude no cinema de Hollywood

Palestra "Imaginarios de la juventud - Multicines, veranos y palomitas: de cómo el cine se convirtió en adolescente".

O crítico de cinema e doutorando em sociologia, Ignacio Moreno, analisa o surgimento do fenômeno blockbuster nos Estados Unidos, os investimentos da indústria de Hollywood no público teen, e a construção discursiva presente nesses filmes, que resulta em um novo imaginário da juventude baseado na exaltação de valores individualistas e de ideologias neoliberais. 



Link para o vídeo da palestra: 




terça-feira, 2 de setembro de 2014

Antropologia e Análise Fílmica em Sampa

Black Kites (1997) . Gabriel Orozco
Participe do Encontro Internacional de Antropologia Visual (EIAV), que ocorrerá entre 03 e 08 de novembro de 2014, na USP.
O EIAV visa promover discussões interdisciplinares sobre as relações entre a antropologia, a fotografia, o cinema, a arte e outras linguagens, dando continuidade às ações do projeto temático “A Experiência do Filme na Antropologia” e ampliando as interseções com outros grupos e demais pesquisadores na área, tanto no Brasil como no exterior. 


Convidam@s a tod@s pro GT05: Antropologia e Análise Fílmica

Que visa: Reunir pesquisas que têm como objeto o filme de ficção ou documentário, abrangendo também trabalhos que envolvam metodologias utilizadas no estudo do cinema na antropologia.

Coordenadores:
Debora Breder (GRAPPA/UFRRJ) e Kelen Pessuto (USP)
e-mails:  deborabreder@hotmail.com; kelenpessuto@gmail.com

O PRAZO PARA ENVIO DE RESUMOS PRORROGADO!

ATENÇÃO PARA AS NOVAS DATAS:
AS INSCRIÇÕES PARA O ENVIO DE TRABALHOS PARA OS GTS COMEÇAM A PARTIR DE 18/08/2014 E SE ENCERRAM EM 08/09/2014.

Prazos:
Até dia 08 de setembro – Envio dos resumos
Até dia 15 de setembro – Divulgação dos resumos selecionados pelos coordenadores.
Até dia 15 de outubro – Envio dos trabalhos completos para os coordenadores do Grupo de Trabalho.
Até dia 10 de dezembro – Envio dos trabalhos completos revisados para publicação nos Anais (Normas para formatação de artigo para publicação em breve)

http://eiav2014.blogspot.com.br/2014/08/prazo-prorrogado.html

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

O Homem que foi Condenado por Porte de Pinho Sol. Coletivo Mariachi, Brasil, 2014.

Único em um milhão que paga na prisão:
enquanto isso os verdadeiros infratores estão em Brasília isso é Brasil
 
 

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

IV Seminário Internacional Literatura e Cinema de ResistÊncia

 Inscrições abertas

01 a 05 de dezembro
Universidade Federal do Pará
http://selcir.wordpress.com/
entre outros na programação haverá Conferências sobre: Cinema, Documento e Resistência
com Markus Klaus Schäffauer – Universitat Hamburg (Alemanha) e Augusto Sarmento-Pantoja – Universidade Federal do Pará (Campus de Abaetetuba)//Doutorando IEL/UNICAMP.
Mesas sobre: Ditadura Cívil-Militar de 1964 no Cinema e na Literatura – narrativas do Araguaia e outras narrativas e Debate: Resistência e Resistentes.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Da mais popular atração a uma arte para poucos?

O ingresso de cinema chega a custar 8% do salário mínimo em São Paulo, um verdadeiro roubo!

Mazzaropi

Algo que sem dúvida alguma cresceu junto com a evolução do cinema brasileiro nas últimas duas décadas é o custo de ir ao cinema no Brasil. É comum pagar, nos dias de hoje, preços cheios ao redor de 30, 40 reais – isso sem contar transporte, estacionamento e pipoca.

Só nos últimos oito anos, o valor médio do ingresso (aquele calculado de acordo com o que é cobrado na prática por todas as salas, incluindo possíveis descontos) passou de 5,83 a 11,73 reais – um aumento de pouco mais de 100% – segundo os dados fornecidos pelo Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual.

Segundo uma pesquisa de 2011 do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (a última divulgada pela instituição), São Paulo, uma das cidades mais custosas do país, tem um dos ingressos mais caros do mundo, superando os valores cobrados em Nova York, Tóquio e Paris. Atualmente, as entradas das salas paulistanas mais “exclusivas” chegam a custar 58 reais, que corresponde a 8% do salário mínimo.

Além de sinalizar que o custo de vida no Brasil está hoje entre os mais altos, os vários profissionais do setor culpam a meia-entrada – criada originalmente para estudantes e idosos – por esse susto ao consumidor.

Cerca de 70% das entradas vendidas no país são “meias”, que por sinal deixaram de ser um benefício social para se tornar uma ferramenta de marketing que muitas salas de cinema usam para atrair o público.

Os descontos de 50% foram estendidos a clientes de bancos, empresas de telefonia e outros, e, aparentemente, quem não se unir à tendência vai esvaziar suas salas. “Se não tivesse meia, os preços cairiam de 35 a 40%”, afirma Jean Thomas Bernardini, do Reserva Cultural. Marcelo França, do Grupo Estação, não pensa diferente: “Os vários tipos de meia entrada impedem a competição natural entre as salas. Quem tem mais publicidade, portanto, é quem leva”.

Por outro lado, há certo consenso de que os preços praticados são os possíveis considerando os investimentos técnicos e os tecnológicos, o maior poder aquisitivo dos brasileiros e altos impostos cobrados pelo governo. França diz que “é uma questão física. As salas são menores hoje, têm em média de 40 a 200 lugares. É como ocupar o voo comercial de um avião. Se fica vazio, é complicado baratear. A saída seria desonerar os impostos”.
 

publicado originalmente:  http://brasil.elpais.com/brasil/2014/08/16/cultura/1408209653_575294.html

domingo, 17 de agosto de 2014

Aviso axs navegantes: resumo até quarta-feira!

 
Terra do Carimbó

O 1° EAVAAM terá 07 Grupos de Trabalho como parte de sua programação. O prazo para a submissão de trabalhos vai até dia 20 de agosto (próxima quarta-feira , pelo site: www.eavaam2014.com.br

Segue a lista de GT's e seus coordenadores:
GT 01- Antropologia do Cinema: entre narrativas, políticas e poéticas.
Coordenadores: Marcos Aurélio da Silva (UFSC) e Ana Paula Alves Ribeiro (UERJ)

GT 02- Entre texturas e sinuosidades: articulações entre antropologia visual, gêneros e sexualidades
Coordenadores: Ramon Pereira dos Reis (USP) e Milton Ribeiro da Silva Filho (UFPA)

GT03- Imagens da cidade: usos da fotografia nos estudos urbanos
Coordenadores: Jesus Marmanillo Pereira (UFPB) e Anne Caroline Nava Lopes (UFMA)

GT 04- Masculinidades e Feminilidades em imagens midiáticas
Coordenadores: Edyr Batista de Oliveira Júnior (UFPA) e Manuela do Corral Vieira (UFPA)

GT 05- Imagens sobre infâncias, juventudes, cultura e sexualidade
Coordenadoras: Maria do Socorro Rayol Amoras Sanches (UFPA) e Telma Amaral Gonçalves (UFPA)

GT 06- Imagem, imaginário e ética na sociedade contemporânea.
Coordenadores: Jones da Silva Gomes (UFPA) e Hélio Figueiredo da Serra Netto (UFPA)

GT 07- Pesquisas de campo em Antropologia Visual - diálogos contemporâneos

Coordenador: Rubens Elias da Silva (UFPB).

 Postagem relacionada:

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Curtas do “Walt Disney” italiano são recuperados

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[Luigi Pensuti, animador anarquista e antifascista foi reprimido por Mussolini, embora o ditador tenha usado seu trabalho em campanhas de propaganda.]

Os curtas de animação de Luigi “Liberio” Pensuti, o “Walt Disney italiano”, antifascista e anarquista cujos trabalhos foram utilizados paradoxalmente por Mussolini para suas campanhas de propaganda contra a tuberculose, acabam de ser restaurados.

A recomposição destes anúncios, com a qual colaboraram a Cineteca de Milão, o Instituto della Luce e o Cinema ritrovato de Bolonha, foi uma das novidades do festival Mostra del Nuovo Cinema de Pesaro, cuja quinquagésima edição acaba amanhã na cidade de Las Marcas (centro da Itália).

Este pioneiro da animação italiana, anarquista e anticolonial, como sugere seu apelido “Liberio”, foi vítima da repressão da ditadura de Benito Mussolini, que o levou a perder seu posto no Instituto della Luce por não ter se afiliado ao Partido Nacional Fascista e engrossar a temida lista negra do Duce.

O prestígio e a popularidade de Pensuti, que começou trabalhando em fins dos anos vinte do século passado com gênios como Carlo Cossio ou Trilussa, após uma experiência na França com a companhia de marionetes de Piccoli di Podrecca, continuou crescendo ao longo da década seguinte.

Entretanto, o diretor da Cineteca de Milão, Matteo Pavesi, disse que os três arquivos reconstruídos “fazem parte de uma campanha publicitária que foi exibida durante 10 anos”, nos anos trinta do século passado, quando Pensuti trabalhava para uma associação contra a tuberculose a serviço do regime, não para ele.
Mas Pensuti também combinou a criação de atrevidas paródias contra o colonialismo e o fascismo, como “Il Dottor Churkill” ou “Ahi Hitler!” entre 1940 e 1942 no estilo de Walt Disney com sua sátira de Mickey Mouse e Pluto sobre os nazis em plena Segunda Guerra Mundial.

Para Pavesi, a estética dos desenhos do mestre italiano “se parece muito com a do primeiro Disney, o primeiro Mickey Mouse, embora menos antropomórfico”.

“A diferença está em que Disney combina elementos animais e humanos”, continua, “enquanto Pensuti é mais realista; de fato, servirá de inspiração para autores do pós-guerra”, que deram vida, por exemplo, ao mítico Calimero para um anúncio de detergentes no “Carosello”, os anúncios que a Rai divulgava em seus princípios.

Desde que o Min-CulPop (Ministério da Cultura Popular) censurou rapidamente uma de suas obras primas, “La vispa Teresa”, da qual disse que provocava um dano nocivo à “sacralidade da família” e incitava a prostituição, as obras precedentes com Trilussa foram retiradas do mercado.

Essas primeiras obras serviriam de inspiração a um jovem Roberto Rosellini que despontaria mais adiante e permitiram a Mussolini, apesar de tudo, apreciar em Pensuti um talento cinematográfico inquestionável.
O ditador italiano, grande aficionado por desenhos animados e consciente de suas enormes possibilidades de propaganda, não duvidou em contar com os serviços do “Disney italiano” apesar de sua negativa em aderir ao regime.

O estilo de Pensuti, nas palavras de Matteo Pavesi, “mudou substancialmente, de um estilo mais livre em pleno nascimento do cinema sonoro, a outro mais simples para todos os públicos, de crianças a pessoas analfabetas, utilizando a estrutura narrativa própria do cinema mudo, com músicas mais clássicas”, de acordo com a ditadura.

Os anúncios de Luigi Liberio Pensuti para as campanhas de propaganda de Mussolini contra a tuberculose serviram, de alguma forma, para continuar uma carreira artística que parecia truncada para sempre pela censura.

Pensuti morreu jovem, em 1945, e muitos de seus trabalhos desapareceram com ele e a ditadura para sempre, embora Pavesi sustente que alguns, como estes, “podem ser recuperados”, e com eles, a marca de um gênio que esteve adiante de seu tempo apesar das dificuldades.



Fonte: agências de notícias internacionais
Tradução > Anarcopunk.org
agência de notícias anarquistas-ana
por entre as vinhas,
ele abraça mais forte
e beija mais doce…
Rosa Clement

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