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domingo, 28 de agosto de 2016

I Colóquio Internacional de Cinema e História


I Colóquio Internacional de Cinema e História
Escola de Comunicações e Artes
29 de novembro a 2 de dezembro de 2016

Call for papers/Chamada para trabalhos:

Promovido pelo Grupo de Pesquisa CNPq “História e Audiovisual”, o I Colóquio Internacional de Cinema e História convida os pesquisadores, alunos de pós-graduação e pós-doutorandos que desenvolvam trabalhos sobre as relações entre o audiovisual e a história a enviarem propostas de comunicações a serem apresentadas no evento, que ocorrerá entre os dias 29 de novembro a 2 de dezembro de 2016 nas dependências da Escola de Comunicações e Artes da USP. O objetivo deste colóquio é promover o debate sobre metodologias de estudo que combinem a análise estética das obras audiovisuais com preocupações historiográficas, considerando o objeto fílmico em seu potencial como fonte para o conhecimento histórico.
Nesse sentido, as comunicações propostas deverão ser dirigidas a uma das quatro linhas de pesquisa elencadas abaixo, que sintetizam eixos de análise desenvolvidos nos estudos dessas relações. Serão aceitas propostas de submissão para as sessões de comunicação livre ou de mesa redonda, constituída por quatro participantes. 
Os interessados deverão enviar proposta para o e-mail icoloquiocinemahistoria@gmail.com:
  • Um resumo expandido da proposta, composto por até 500 palavras, incluindo título e uma breve bibliografia de até quatro títulos.
  • Um mini-currículo do proponente de até 50 palavras.
  • No caso de mesas redondas temáticas, constituídas por quatro participantes,  além do resumo de cada uma das propostas, enviar um resumo da mesa de até 250 palavras.
Serão aceitos resumos enviados em português, espanhol ou inglês, idiomas em que poderão ser feitas as apresentações. Tanto no caso das comunicações como no das mesas, as apresentações deverão considerar um tempo máximo de 20 minutos. O recebimento das propostas estará aberto entre os dias 1º a 31 de agosto de 2016. O resultado será divulgado no final do mês de setembro.

Quatro eixos de pesquisa

1. A representação da história no cinema
Espaço aberto a comunicações que se ocupem do exame de questões ligadas às representações do tempo passado no cinema de ficção e documental, bem como produções que pretendam constituir uma narrativa sobre determinado período ou evento histórico.

2. Pesquisa histórica e análise fílmica: confluências
Linha de pesquisa que recorre à análise fílmica como principal método para se constituir o conhecimento histórico. Abriga trabalhos que considerem o filme, em suas especificidades estéticas, como uma fonte primária, articulando-o a outras fontes documentais de época e historiográficas.

3. Cinema, arquivos e os regimes de historicidade
Abriga comunicações que tenham a questão do arquivo como um ponto central da análise, articulando-a com o objeto fílmico. A linha de pesquisa está aberta a trabalhos que se dediquem a arquivos e fundos cinematográficos (cinematecas, coleções, etc.); que abordem um tema ou período da história do cinema a partir de pesquisa em acervos; ou ainda que se ocupem de analisar filmes compostos de material de arquivo.

4. História do cinema, história da arte: intercâmbios metodológicos
Esta linha de pesquisa contempla comunicações dedicadas às conexões entre cinema e história que dialoguem com metodologias e questões vindas de outras áreas da história visual (artes plásticas, fotografia, performance, artes cênicas, etc.), bem como as interconexões entre o cinema e outras artes.

 O encontro conta com a participação de convidados nacionais, como o professor Ismail Xavier (ECA-USP), e internacionais como Vicente Sánchez-Biosca (Universitat de València), Andrea Cuarterolo (Universidade de Buenos Aires), Susana de Sousa Dias (Universidade Nova de Lisboa) e Teresa Castro (Universidade Sorbonne Nouvelle – Paris 3).

O Colóquio se estrutura da seguinte forma: pela manhã, comunicações coordenadas, destinadas principalmente à apresentação de resultados de pesquisas em andamento; à tarde, mesas- redondas, com trabalhos que representem trajetórias de pesquisa mais consolidadas.

Mais informações no site do evento.



quarta-feira, 20 de julho de 2016

V FESTIVAL DO FILME ANARQUISTA E PUNK DE SP

V FESTIVAL DO FILME ANARQUISTA E PUNK DE SP


A quinta edição do Festival do Filme Anarquista e Punk de São Paulo acontecerá no primeiro final de semana de dezembro de 2016, com exibição de filmes, debates, oficinas, exposições, e outras atividades. Você pode participar inscrevendo seu filme pelo formulário em anarcopunk.org/festival, ou enviar propostas de outras atividades pelo email festival@anarcopunk.org.

PERÍODO DE INSCRIÇÕES: ATÉ 15 DE AGOSTO

Aguardamos suas idéias para que possamos construir coletivamente mais este Festival!
 



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sábado, 16 de julho de 2016

A Antropologia e o Cinema


Introdução
Pretendo com este trabalho fazer uma relação sobre a Antropologia e o Cinema, começando por resumir a história da antropologia e o do cinema. Irei usar como exemplos vários filmes, sendo que dois deles, “Nanook, o Esquimó” (1922), de Robert Flaherty e “A Linha Vermelha” (2012), de José Filipe Costa, irão ser analisados mais detalhadamente, para exemplificar esta relação existente entre a antropologia e o cinema. Escolho estes dois filmes (1922 e 2012), de épocas completamente distintas, para mostrar que a antropologia e o cinema mantém-se unidos, há mais de um século.

A Antropologia e o Cinema
A antropologia é a ciência que trata o Homem e a Humanidade, e esta é, ao contrário do que muitos pensam, bastante antiga, tendo começado a ser discutida na Antiguidade Clássica, entre os filósofos da época. No entanto, foi a partir do século XIX que surgiu uma maior vontade, por parte do Homem, em compreender o mundo em que vive. Com o surgimento da corrente filosófica o Positivismo, pensada por Augusto Comte e John Stuart Mill, esta defendia a ideia de que o conhecimento cientifico é a única forma do conhecimento verdadeiro e racionalista, aboliu por completo a religião e o conhecimento supersticioso. A ciência e a procura do conhecimento total contribuíram para um século cheio de progressos artísticos, tecnológicos, medicinais, etc.

Foi neste contexto de grande evolução cientifica que surgiu a fotografia e, quase no final do século, o cinema, com a invenção do cinematógrafo, pelos irmãos franceses Lumière. A data tradicional para o nascimento do cinema é a de 28 de Dezembro de 1895, tendo sido a primeira projecção pública de um filme. A partir desta data muita coisa mudou na antropologia. A antropologia é uma ciência composta por várias escolas ou ramos, como por exemplo, a Antropologia Cultural (estuda as diferentes culturas humanas) e a Antropologia Visual ou Antropologia da Imagem. Este último ramo estuda as imagens nas áreas da fotografia e do cinema. Os antropólogos viram o cinema como uma ferramenta perfeita para reproduzir a realidade, podendo assim aprofundar e registar os seus estudos sobre o Homem.

Segundo o centenário realizador Manoel de Oliveira, numa das suas entrevistas, este afirma que o filme dos irmãos Lumière, “A saída dos trabalhadores da fábrica Lumière” (1895), pode ser considerado um documentário, se os irmãos Lumière filmaram a saída dos trabalhadores, sem que estes se apercebessem de que estavam a ser filmados. Ou pode ser uma ficção, se os irmãos Lumière pediram aos seus trabalhadores que saíssem da fábrica, para serem filmados. Caso a primeira sugestão seja verdadeira, pois nunca saberemos, este será então o primeiro documentário da história do cinema.

Um etnógrafo é alguém que usa a etnografia (método utilizado pela antropologia na recolha de dados) para observar as diferenças entre as sociedades, entre povos. Surge então o filme etnográfico, que é uma vertente do cinema documental. O filme etnográfico tem praticamente o mesmo percurso que o próprio cinema, pois surgem na mesma altura. A antropologia dentro do cinema usa o filme etnográfico para estudar e explorar o Homem na sua dimensão social e cultural. Há o interesse comum em conhecer outras culturas e civilizações (os seus rituais, cerimónias, tradições e estilos de vida), muitas vezes longínquas e quase extintas. Os antropólogos usam o cinema como um método de pesquisa, nunca abandonando o documento escrito, mas para eles, o cinema é essencial, pois abrange um público mais vasto. A definição de filme etnográfico é bastante complexa, pois as suas barreiras são muito ténues. Não pode contudo ser banalizado, apesar de alguns teóricos extremistas afirmarem que todos os filmes são filmes etnográficos, pois podem ser vistos, pelo olhar da antropologia, como um estudo do Homem, de uma sociedade. “Qualquer filme por mais ficcional é um documento da vida contemporânea” (Eliot Weinburger, 1994) (1). Os filmes etnográficos usam depois a etnologia (ciência que estuda os factos, no âmbito da antropologia visual) para estudar os dados recolhidos pela etnografia.


É costume dizer-se que o filme “Nanook, O Esquimó” (1922), de Robert Flaherty, é o primeiro documentário da história do cinema, o “berço” do documentário cinematográfico. Flaherty faz uma das primeiras abordagens a uma sociedade primitiva, os inuíte, filmando o quotidiano de uma família de esquimós. Este é um filme particular e inovador, para a época, por apresentar um tipo de abordagem, que na altura não era comum. O realizador registou, durante mais de um ano, o quotidiano de uma família de esquimós, que era composta por Nanook, o chefe e caçador da família e por duas mulheres e três crianças. O filme mostra-nos as suas atividades do dia-a-dia, como a caça, a pesca e a construção de um iglu, que é uma das cenas mais famosas do filme. Só foi possível filmar dentro do iglu porque o realizador pediu a Nanook que construísse um três vezes maior, para que a câmara coubesse e a sua equipa, e para que deixasse entrar bastante luz para as filmagens. O realizador mostra-nos o sofrimento desta gente que tenta sobreviver contra a Natureza selvagem e violenta. O realizador ia montando o filme durante a rodagem, e mostrava as imagens filmadas aos inuítes, para que estes pudessem intervir e avaliar, comentando se aquilo que filmaram representava a realidade. “Nanook, O Esquimó” é hoje um marco histórico do cinema documental. Muito do seu sucesso na altura da estreia, deveu-se ao facto de Nanook e a sua família terem morrido numa tempestade de neve, pouco depois de o filme ter sido editado, pelo que levou muito público curioso aos cinemas. O filme vive rodeado de polémicas sobre o facto de o realizador ter encenado muitas das cenas do filme, ficando-se na dúvida se o filme será um documentário, ficção ou uma mistura dos dois. Estas questões entre documentário e ficção são hoje objecto de estudo em muitas escolas de cinema. O que é certo é que, apesar de o filme ter gerado alguma controvérsia, tornou-se rapidamente nos anos seguintes, num clássico de referência.

Pergunta então o espectador, no final do filme, “será isto é um documentário ou uma ficção?”. Na verdade é ambos, é um híbrido. Flaherty era um romântico e graças à forte influência de D. W. Griffith, que criou a linguagem cinematográfica, e de Dziga Vertov, que desenvolveu a montagem cinematográfica, ele pode encenar e manipular o filme como bem entendeu, tentando recriar a “realidade” daquela família de esquimós, como um espelho cultural e social da civilização inuíte. Pode-se dizer que este filme antecipou a separação das fronteiras entre a ficção e o documentário, se é que alguma vez essa barreira existiu.

O filme etnográfico pode também não tirar partido da montagem, ou seja, o realizador pode optar por não intervir diretamente na construção do seu filme, tendo então, apenas imagens em bruto, tornando-se num documento sem qualquer manipulação no que foi registado pela câmara. É importante referir que o filme etnográfico não era só feito por realizadores, mas também por muitos antropólogos, que usavam o vídeo para conhecer outras realidades. No fim esse vídeo/filme pode ser usado em contextos diferentes, participação em festivais de cinema, usado para estudos, uso educativo nas escolas, etc.

Para o realizador e etnólogo francês Jean Rouch, Dziga Vertov e Robert Flaherty, são os “pais fundadores” do cinema etnográfico. Vertov contribuiu bastante para o filme etnográfico com o seu filme “O Homem da Câmara de Filmar” (1929), um documentário sobre o quotidiano de uma cidade russa. Vertov captava o real tal como ele é, pois para ele só existia uma verdade visível. Associando o olho humano à câmara, Vertov criou o cine-olho (o kino-pravda), que se caracterizava por um cinema sem personagens, sem cenários e sem argumento.

Foi nos anos 60, com a nova vaga francesa e o surgimento do som direto que apareceu também o cinema-verdade. Edgar Morin e Jean Rouch propuseram, em manifesto, um novo tipo de documentário, que recorre sobretudo ao uso das novas tecnologias. Este movimento foi fortemente influenciado pelo kino-pravda de Dziga Vertov. O filme “Crónica de um Verão” (1960) revolucionou bastante o género documental. Abandonou a voz off, pelo som direto, onde muitas vezes entrevistavam pessoas na rua, questionando-as se eram felizes. O filme foca duas jovens parisienses sobre o seu estado de felicidade.

Em Portugal o filme etnográfico expandiu-se sobretudo após o 25 de Abril. No entanto, “Douro, Faina Fluvial” (1931) de Manoel de Oliveira (influenciado por “Berlim, Sinfonia de uma Cidade”, de Walter Ruthmman) e “Maria do Mar” (1930) de José Leitão de Barros, eram já duas grandes referências nacionais.


“Linha Vermelha” (2012), realizado por José Filipe Costa, é outro exemplo de um filme etnográfico, considerado até um dos melhores filmes portugueses dos últimos anos. Este é um estudo sobre outro filme, “Torre Bela” (1975), do alemão Thomas Harlan, feito no pós 25 de abril, durante o Verão Quente de 75. “Linha Vermelha” tem pano para muitas mangas, podendo-se falar de múltiplos temas, desde a história de Portugal, à história do cinema, como também sobre o papel do cinema, o papel da montagem, do som e da imagem. Podíamos falar de Eisenstein, Dziga Vertov e de Leni Riefenstahl ou de Estaline e Hitler. Enfim, é um daqueles filmes que quando termina, apesar de nos dar muitas respostas, levanta também muitas questões. Mas o filme tem apenas 80 minutos. Através de imagens do filme “Terra Bela”, filmadas por Harlan e a sua equipa, podemos conhecer o que foi realmente o PREC (Processo Revolucionário em Curso) e o que se perdeu e o que se ganhou. O PREC foi o período das atividades revolucionárias, que se iniciaram a 25 de abril de 74 e que terminaram em 76, aquando da aprovação da constituição portuguesa. O ano de 1975 foi o período mais empolgante, tenso e dramático deste processo, daí ser conhecido como o “Verão Quente de 75”. O alemão vem para Portugal filmar esses acontecimentos que se passaram durante a revolução (foram cerca de 100 dias de rodagem, de abril até agosto de 1975). É com imagens deste filme, “Torre Bela”, que vemos o “palácio” do duque de Lafões a ser ocupado, tal como a sua herdade; uma discussão sobre a quem pertence uma enxada; reuniões em praça pública onde todos falam ao mesmo tempo e ninguém se entende, etc. José Costa revisita através deste filme aqueles que viveram esse período, onde muitos foram felizes. Wilson Filipe é um deles e o herói de “Torre Bela”. O filme do Costa é narrado pelo próprio, quase como uma carta de despedida a Harlan, que faleceu em 2010 e Costa teve a oportunidade de o entrevistar. Outro ponto importante deste filme é que Costa tenta perceber de que maneira Harlan interveio nos acontecimentos que parecem desenrolar-se naturalmente frente à câmara. É através de entrevistas com membros da equipa de “Torre Bela” que entendemos o processo de filmagem deste filme. É aqui que entra a questão – o que é a realidade? Qual é a força da imagem e do cinema? De uma forma simples peguemos no exemplo das fotografias que pareciam armas de fogo (canhões), mas que na realidade eram carros de boi. Ou nas imagens da ocupação do “palácio”, que aparentemente parece que as pessoas estão a roubar, mas não estão. São estas questões que são analisadas e penso que bem explicadas. O cinema é e sempre foi uma interpretação da realidade. Poderemos falar de cinema-verdade. Mas o que é a verdade? Não há duvida que Harlen tentou intervir nos acontecimentos, tal como José Costa o faz. Mais do que um filme sobre o reviver de “Torre Bela”, “Linha Vermelha” é um estudo sobre o poder da imagem, sobre a força do cinema e como essa molda uma sociedade.

Existem muitos outros exemplos, parecidos com “Nanook” e “Torre Bela”, como “O Triunfo da Vontade” (1935), de Leni Riefenstahl, e “Outubro” (1928), de Serguei Eisenstein, onde o último recria todos os acontecimentos que levaram à Revolução de 1917, num estilo documental. Todo o filme é ficcional, com atores que interpretam personagens históricas como o próprio Lenin. No entanto, na altura da sua estreia o filme foi bastante contestado, pela veracidade dos acontecimentos e por ter uma montagem bastante confusa para o espectador. Mas não deixa de ser um documento de estudo e uma ferramenta educativa, para antropólogos.

Conclusão
O que leva ainda hoje os cineastas a interessarem-se pela antropologia? Talvez a busca da realidade, pela criação de um documento que preserve a memória de alguém ou de algo. Outra questão complexa que nunca teve uma resposta clara foi se deve ou não o realizador intervir nos acontecimentos que estão a ser filmados pela câmara, como aconteceu com Thomas Harlan no filme “Torre Bela”. A verdade é que a maneira como vemos e analisamos uma determinada coisa será diferente de pessoa para pessoa.

Podemos portanto concluir que o cinema é obviamente uma ferramenta antropológica poderosíssima, por vezes polémica, mas indispensável para a antropologia. “Cinema e antropologia partem ou prestam particular atenção ao detalhe (…) a partir do qual e com o qual se constrói o argumento ou a narrativa.” (2). Foi esta atenção ao detalhe, como dizia Fisher na perspectiva do joalheiro para o detalhe etnográfico, que atraiu os antropólogos para fazerem cinema. A antropologia contribuiu bastante para o desenvolvimento do cinema, assim como o cinema desenvolveu a antropologia, pois permitiu conhecer outras realidades. O cinema foi e continua a ser usado na divulgação do saber, indo ao detalhe no tratamento de sociedades.

Notas:
1) “Jean Rouch – Filme etnográfico e Antropologia Visual”, de José da Silva Ribeiro, (2007), página 10; 
2) “Cinema e antropologia”, de José da Silva Ribeiro, página 13, CEMRI – Laboratório de antropologia visual, Universidade Aberta; 

Trabalho desenvolvido para o Mestrado em Comunicação Audiovisual, Especialização em Fotografia e Cinema Documental, para a UC de Contexto e Análise Narrativas (janeiro 2013). Docente – Professor Doutor José Ribeiro.

publicado originalmente em: http://www.cinema7arte.com/site/?p=7582

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Mito Grego e Cinema Brasileiro


Minicurso
Ancient Greek Myth and Brazilian Cinema
Prof. Dr. Konstantinos P. Nikoloutsos
 Saint Joseph’s University (Philadelphia – USA)


A comédia brasileira Carnaval de Atlântida (1952) é uma metalinguagem que trata das peculiaridades inerentes à produção de grandes clássicos no cenário do cinema nacional.

Dias 1, 2 e 3 de Junho
Acesse e assista



SUGGESTED BIBLIOGRAPHY

Day One
1.      Galinsky, Karl. 2007. “Film.” In Craig W. Kallendorf (ed.), A Companion to the Classical Tradition. Malden, MA: Blackwell. 393-407.
2.      Paul, Joanna. 2008. “Working with Film: Theories and Methodologies.” In Lorna Hardwick and Christopher Stray (eds.), A Companion to Classical Receptions. Malden, MA: Blackwell. 303-314.
3.      ------. 2010. “Cinematic Receptions of Antiquity: The Current State of Play.” Classical Receptions Journal 2.1: 136-155.
4.      Solomon, Jon. 2001. The Ancient World in the Cinema. Revised and Expanded Edition. New Haven: Yale University Press. [pp. 1-35].
5.      Winkler, Martin M. 2009. Cinema and Classical Texts: Apollo’s New Light. Cambridge: Cambridge University Press. Pp. [pp. 20-50].
6.      Dossiê Cinema e Literatura Grega. Revista Archai 7, julho (2011) http://periodicos.unb.br/index.php/archai/issue/view/622/showToc
7.      Dossiê Recepção dos clássicos. Clássica 26, 3 (2013)    http://classica.org.br/revista/index.php/classica/issue/view/20/showToc

Day Two
2.      Barnard, Timothy and Rist, Peter H. (eds.). 1996. South American Cinema: A Critical Filmography, 1915-1994. New York: Garland Publishing, Inc. [pp. 112-114, 118-120].
3.      Ciocci, Sandra. 2012. “O uso da canção na trilha musical da comédia popular da Companhia Atlântida Cinematográfica – 1942/1962.” Revista Brasileira de Estudos da Canção. 1:1[pp. 64-79].
4.    Coelho, Maria Cecília de M.N.   “Revendo A grande cidade, de Cacá Diegues: o orfismo às avessas da periferia”.  XI Encontro da Sociedade Brasileira de Cinema. São Paulo: FAPESP, 2008, http://www.socine.org.br/livro/ix_estudos_socine.pdf
5.      Coelho, Maria Cecília de M.N.  “Helena de Tróia no cinema nacional?! ? O Senhor se admira!? ? Não, não, absolutamente....” Letras Clássicas (USP), v. 12, 2008(2012) [pp. 251-258]. http://www.revistas.fflch.usp.br/letrasclassicas/article/viewFile/1572/1395
6.      Shaw, Lisa and Dennison, Stephanie. 2004.Popular Cinema in Brazil, 1930-2001. Manchester: Manchester University Press. [pp. 1-8, 59-80, 107-127].
7.      ------. 2007. Brazilian National Cinema. [pp. 22-28, 70-78].
8.      Viera, João Luiz. 1995. “From High Noon to Jaws: Carnival and Parody in Brazilian Cinema.” In Randal Johnson and Robert Stam (eds.),Brazilian Cinema. Expanded Edition. New York: Columbia University Press. 256-269.

Day Three
1.      Barnard, Timothy and Rist, Peter H. (eds.). 1996. South American Cinema: A Critical Filmography, 1915-1994. New York: Garland Publishing, Inc. [pp. 123-125].
2.    Coelho, Maria Cecília de M.N.  “Entre o mito e a história: as adaptações de Duas vezes com Helena, de Paulo Emílio”. Nuevo Mundo-Mundos Nuevos,  2010 [pp. 1-23].https://nuevomundo.revues.org/58334
3.      Nagib, Lúcia. 2007. Brazil on Screen: Cinema Novo, New Cinema, Utopia. New York: I. B. Tauris. [pp. 83-97].
4.      Signorelli, Tatiana Heise. 2012. Remaking Brazil: Contested National Identities in Contemporary Brazilian Cinema. Cardiff: University of Wales Press. [pp. 87-108].
5.      Stam, Robert. 1997. Tropical Multiculturalism: A Comparative History of Race in Brazilian Cinema and Culture. Durham, NC: Duke University Press Books. [pp. 157-177].
6.      Hart, Stephen, M. 2010. A Companion to Latin American Film. [pp. 1-16, 40-46]. 


Konstantinos P. Nikoloutsos is Associate Professor of Classics and Director of Ancient Studies at Saint Joseph’s University (Philadelphia, USA). 
He has published extensively in the fields of Roman elegy and classical reception, with an emphasis on cinema and theater, and has delivered numerous scientific presentations nationally and internationally. He is the editor of Ancient Greek Women in Film (Oxford University Press, 2013) and Reception of Greek and Roman Drama in Latin America (special issue of Romance Quarterly 59.1: 2012), and co-editor of Classical Tradition in Brazil: Translation, Rewriting, and Reception (New Voices in Classical Reception StudiesConference Proceedings Series, 2: 2016). His honors include the 2008 Paul Rehak Prize from the Lambda Classical Caucus for best article in ancient homoeroticism; the 2012-13 Loeb Classical Library Foundation Fellowship from Harvard University; and the invitation to participate in the Alexander S. Onassis Public Benefit Foundation University Seminars Program (Brazil, Spring 2016).

domingo, 15 de maio de 2016

O Abraço da Serpente, Ciro Guerra. (Colômbia/Venezuela/Argentina, 2016) - Corram!

Assistam e baixem rápido que dentro de algum tempo os links podem ser retirados do ar...

“Karamakate, outrora um poderoso xamã da Amazônia, é o último sobrevivente de seu povo, e agora vive em isolamento voluntário nas profundezas da selva.

Os anos de solidão absoluta o tornam vazio, privado de emoções e memórias. Sua vida sofre uma reviravolta quando chega ao seu esconderijo remoto Evan, um etnobotânico americano em busca da Yakruna, uma poderosa planta, capaz de ensinar a sonhar.

O xamã decide acompanhar o estrangeiro em sua busca, e juntos embarcam em uma viagem ao coração da selva, onde passado, presente e futuro se confundem, fazendo-o aos poucos recuperar suas memórias.

Essas lembranças trazem uma dor profunda que não libertará Karamakate até que ele transmita o conhecimento ancestral que antes parecia destinado a perder-se para sempre”.




SOBRE O FILME

El Abrazo de la Serpiente foi lançado oficialmente em 17 de fevereiro de 2016 (EUA), dirigido pelo conhecido diretor colombiano Ciro Guerra. Antes do lançamento, ainda em 2015, foi apresentado na seção “Quinzena dos Realizadores” do Festival de Cannes, onde ganhou um prêmio. Também concorreu ao Oscar como melhor filme estrangeiro, sendo a primeira vez que um filme colombiano foi indicado.
Rodado em preto e branco, a produção apresenta dois diários de viajantes europeus que percorreram o Amazonas no início e meados do século XX na busca de uma planta mítica para os povos nativos, cujas tradições o diretor utiliza como motor da história.

Guerra trabalhou cinco anos no filme, dois deles dedicados ao roteiro. Primeiro iniciou sua aproximação com os povos amazônicos de um ponto de vista quase antropológico, documental. E logo percebeu que os sonhos, a imaginação e a ficção eram muito importantes na cosmovisão indígena. “Eles acreditam que o mundo se cria à medida em que se conta”, afirma.

Essa visão poética do mundo indígena serviu de motor para a experiência cinematográfica. Mas o diretor deixa claro que O Abraço da Serpente “não é a Amazônia”. 

“O pensamento amazônico é quase incompreensível para alguém que não o estudou”, explica. Por isso, Guerra tentou criar uma ponte para que o espectador se aproxime desse mundo durante 125 minutos.

 

LINKS PARA DOWNLOAD, OU ASSISTA ONLINE!

(dentro de algum tempo os links podem ser retirados do ar)
* as legendas estão embutidas
Arquivo .mkv (1.7gb) em alta qualidade para ser visto em qualquer dispositivo!
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publicação original:  http://radio.multiman.com.br/?http://radio.multiman.com.br/web/blog/movie-consciencia/o-abraco-da-serpente/

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