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sábado, 26 de janeiro de 2013

Cinema violento faz pensar...

A antropóloga e professora da USP, Rose Satiko Gitirana Hikiji, comenta o lançamento do seu livro "Imagem-violência: etnografia de um cinema provocador". Reportagem extraída do site da USP:

No cinema, eles atiram primeiro e perguntam depois. Tamanha violência, representada em histórias contadas por diretores polêmicos, pode fomentar não apenas admiração ou repulsa no espectador, mas também novas formas de se pensar acerca da sociedade em que vivemos.
Em seu livro Imagem-violência: etnografia de um cinema provocador, Rose Satiko Gitirana Hikiji, professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, analisa um conjunto de filmes lançados nos anos 1990, tais como Cães de Aluguel e Pulp Fiction, de Quentin Tarantino, Fargo, dos irmãos Coen, A estrada perdida, de David Lynch, Violência gratuita, de Michael Haneke, entre outros. Sob a ótica da antropologia visual, Rose reflete como filmes podem ser pensados enquanto produtos culturais que veiculam representações, recortam e organizam a experiência social, contando histórias, tempos, lugares, sentimentos e perspectivas que sintetizam visões de mundo.

Para a professora, a escolha do cinema como objeto de pesquisa ainda é um desafio para o campo da pesquisa antropológica. Filmes, diferente de pessoas, podem ser considerados interlocutores trabalhosos. Entretanto, a paixão pessoal da autora pelo audiovisual serviu como combustível para sua análise. “Eu adoro cinema”, conta Rose. “Quando fazia minha graduação em Ciências Sociais, nos anos 1990, descobri com a professora Sylvia Caiuby Novaes, que viria ser minha orientadora na pós-graduação, a antropologia visual. Não eram muitos os estudos sobre cinema a partir da antropologia, mas os poucos existentes, além da abordagem mais geral sobre a imagem a partir da antropologia, me atraíram para este campo de pesquisa”.
Tradicionalmente, o território da antropologia se fundamenta no estudo dos mitos. São eles que constituem as narrativas orais que dão base aos diversos estudos da área. Entretanto, alguns antropólogos experimentaram a apropriação das reflexões antropológicas sobre os mitos para pensar o cinema.

Citados em “Imagem-violência”, o americano John Weakland e o francês Edgar Morin são dois exemplos de pensadores que trabalharam o cinema pela luz da etnografia. Para eles e para Rose, filmes são narrativas culturalmente construídas. “Não são relatos realistas, mas ‘dramatizações’ da realidade. O filme, como um mito, relaciona-se com a realidade de forma dialética, estabelecendo parâmetros ao espectador”, explica a professora.
De acordo com o próprio Morin, o cinema nos permite projetar mil outras vidas. Podemos, a partir da ficção audiovisual, experimentar de forma segura situações que seriam arriscadas na vida real: paixões, aventuras e, naturalmente, cenas de violência.


Interessada em como a violência é mediada pelas mídias, Rose cita o antropólogo Michael Taussig ao lembrar que muitos de nós conhecemos o terror apenas pela história narrada. “Isso diz muito sobre a importância dos meios de comunicação”, afirma. Nesse contexto, “a narrativa pode ser eficaz contra o terror. Ela pode desestabilizar o terror, revelando seu discurso, e operar como um contradiscurso. Isso me interessa muito”.
Riso como provocação

Concentrando sua análise em lançamentos cinematográficos dos anos 1990, a professora descreve a década como anos de “hiper-representação da violência”, atribuindo ao gosto do público a abundância de produções com esse foco. “A saturação, o excesso de imagens, a perda do impacto de certas imagens, a necessidade de imagens cada vez mais realistas e hiper-realistas para provocar o espectador. O cinema que analiso foi uma resposta a este desejo por imagens de ação violenta, mas uma resposta muitas vezes irônica”, conta Rose.
Filmes como Cães de Aluguel, que, conforme um dos exemplos citados na obra, retiram a humanidade de uma categoria de indivíduos (“os tiras”) para justificar seu extermínio violento, fizeram sua parte para fomentar a reflexão do espectador sobre a relação maniqueísta que se estabelece em filmes policiais. Brincando com a tradição do gênero, Tarantino conduz o espectador a questionar quem “merece” ou não ser morto em suas produções. Muitas vezes, provocando no público risos inesperados diante das mais horripilantes cenas de violência. 
“O riso nas exibições de filmes que mostravam cenas de grande violência física foi um dos fatores que mais me chamou a atenção para os filmes que analiso”, pontua Rose. “Percebi que o riso por vezes pode ser o ‘riso nervoso’, que alivia o pavor. Outras vezes, é a resposta esperada pelo diretor, que brinca com uma situação supostamente séria (como quando os protagonistas de Pulp Fiction têm que lidar com os pedaços de cérebro que ficam grudados no teto do carro)”, lembra a professora antes de apontar que “o fato é que o riso no lugar errado é provocador. Pode até fazer pensar”.
Dentre as conclusões do trabalho, Rose destaca que, nos filmes analisados existe uma dupla relação com a violência, “ela é tema e forma, simultaneamente”. O resultado, em sua interpretação, é um potencial crítico acerca de nossa relação com violência e com a imagem da violência.
Salientando, em especial, que perspectiva escolhida não pensa o cinema como um reflexo direto da realidade, e tampouco pensa o cinema como um estímulo ou inspiração para a violência na sociedade, a autora destaca que analisou o cinema não como reflexo, mas como reflexão acerca do social.
“As pessoas não se tornariam mais ou menos violentas por ver filmes, mas alguns filmes podem provocar novas formas de pensar sobre o assunto”, finaliza.

 
Sobre o livro

Lançado em janeiro pela editora Terceiro Nome, Imagem-violência: etnografia de um cinema provocador faz parte da coleção Antropologia Hoje, uma parceria da Terceiro Nome e do Núcleo de Antropologia Urbana (NAU) da USP para a divulgação de trabalhos, ensaios e resultados de pesquisas etnográficas na área da antropologia voltados à dinâmica cultural e aos processos sociais contemporâneos. 

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013



Estimados y estimadas:

Junto al equipo de coordinación nos es muy grato invitarlos a participar del GT "Antropologia Audiovisual & Antropologia do Cinema: olhares cruzados e conexões possíveis" en el X Encuentro de Antropología del Mercosur a realizarse entre el 10 al 13 de julio de 2013 en Córdoba, Argentina.

Este GT es la continuación del espacio reflexivo que implementamos en el marco del IIICongreso de la Asociación Latinoamericana de Antropología en Santiago en noviembre del año pasado, y corresponde a una unión entre propuestas que buscan generar un espacio de debate académico sobre las miradas, cruces y conexiones entre Antropología, Comunicación y Cine, potenciando las reflexiones y producciones, a la vez que visibilizando los trabajos latinoamericanos. Para ello, adjuntamos la propuesta aceptada por el Comité Organizador, sugiriéndoles que si tienen alguna duda visiten el sitio oficial del encuentro para conocer los criterios formales de presentación de ponencias:

Esperando se entusiasmen en participar se despidem atentamente

Débora Breder
Rafael Contreras
Coordinadores


Prezadas e Prezados:
Junto ao grupo de coordenadores é com muito prazer que lhes convidamos a participar do Grupo de Trabalho "Antropologia Audiovisual & Antropologia do Cinema: olhares cruzados e conexões possíveis" que se realizará no marco do X Encuentro de Antropología del Mercosur a realizar-se entre 10 e 13 de julho de 2013 em Córdoba, Argentina.
Este GT é a continuaçao do espaço reflexivo que implementamos no IIICongreso de la Asociación Latinoamericana de Antropología realizado em Santiago no mês de novembro do ano passado e corresponde a uniao entre propostas que buscam aprofundar o espaço de debate acadêmico através dos olhares, relaçoes e conexoes entre Antropologia, Comunicaçao e Cinema. Vindo desta forma, também a potencializar as reflexoes e produçoes que visualisem  os trabalhos latinoamericanos. Para isso lhes sugerimos que se tem alguma dúvida visitem o site http://xram2013.congresos.unc.edu.ar/ e conheçam os critérios formais de apresentaçao de trabalhos.
Esperando que se entusiasmem em participar , nos despedimos atenciosamente.
Debora Breder
Rafael Contreras M.


Avec le groupe des coordinateurs, c’est avec grand plaisir que nous vous invitons à participer au GT « Antropologia Audiovisual & Antropologia do Cinema: olhares cruzados e conexões possíveis» qui marquera  l’ouverture  du X Encontro de Antropologia do Mercosul à Còrdoba/ Argentina, entre le 10 et le 15 Jullet de cette année.
Ce symposium est issu de l'union des propositions de deux groupes de chercheurs, brésiliens et chiliens, qui vise à créer un espace de débat universitaire sur les regards, les relations et les connexions entre l'anthropologie, la communication et le cinéma,  afin de potentialiser  les réflexions et les productions, et d’offrir ainsi une visibilité aux travaux effectués en Amérique latine. Nous vous envoyons donc en annexe la proposition acceptée par le comité organisateur. Pour toute information complémentaire vous avez la possibilité   d’accéder au site « http://xram2013.congresos.unc.edu.ar/ » qui vous permettra de prendre connaissance des critères formels requis pour la présentation des travaux.

Nous espérons vivement que vous serez intéressé à participer à ce projet  et que vous pourrez faire suivre  ce message à vos contacts.
Cordialement
Debora Breder
Rafael Contreras M.


Ladies and Gentlemen

 Together the group of coordinators is with great pleasure that we invite you to participate in the Symposium: " Antropologia Audiovisual & Antropologia do Cinema: olhares cruzados e conexões possíveis" to be held in March of the  X Encuentro de Antropología del Mercosur in Córdoba/ Argentina between 10 and 13 July this year.

This symposium arises from the union of the proposals of two groups of researchers, some other Brazilian and Chilean which seeks to create a space for scholarly debate about the looks, relationships and connections between Anthropology, Communication and Cinema, enhancing the reflections and productions, and give visibility to the work in Latin America. For this, we attach the proposal accepted by the Organizing Committee, we suggest that if they have any questions visit the site to meet the criteria http://xram2013.congresos.unc.edu.ar/  for formal presentations.

Hoping to get excited to participate and can send this message to your contacts, my farewell carefully.
  
Debora Breder
Rafael Contreras M.

RESUMO

Este GT surge da necessidade de reunir pesquisadores latino-americanos que estudam as múltiplas relações entre Antropologia & Cinema, seja da perspectiva da Antropologia Audiovisual, seja da perspectiva da Antropologia do Cinema.
A partir desta dupla perspectiva, pretende-se debater o cinema como objeto antropológico em sentido próprio, focando especialmente: 1) as articulações entre cinema, narrativa, memória e subjetividade; 2) as representações e interpretações que as narrativas cinematográficas nos propõem sobre os mais diversos temas, como a relação "natureza-cultura", o estatuto do "humano/não humano", de "corpo", "gênero", "sexualidade”, "identidade", "ciência", "religião”, “política”, etc.; 3) as condições sociais de produção, circulação e recepção dessas narrativas em seus mais diferentes formatos e gêneros, considerando as diversas categorias que estruturam o campo cinematográfico. Em suma, em um mundo cada vez mais constituído por fluxos e contra fluxos de narrativas audiovisuais, trata-se não apenas de pensar os enunciados antropológicos de um cinema etnográfico, mas de empreender uma etnografia do cinema, entendida no âmbito de estudo sobre a contemporaneidade e os novos procedimentos de construção de sentido.
Por outro lado, a antropologia audiovisual foi se constituindo com a contribuição de cineastas por várias décadas. Na América Latina, apesar de existir uma grande produção nesse campo, pouco se tem analisado os filmes etnográficos em relação aos aportes da linguagem cinematográfica para essas narrativas.Considerando a importância de discutir essas questões, propõe-se analisar produções audiovisuais que tenham utilizado, do ponto de vista teórico-metodológico, a antropologia audiovisual e/ou o cinema documental, focando os aportes, cruzamentos e tensões entre essas linguagens e a pesquisa antropológica.

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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A estética do cinema


Nosso encontro com o professor e ensaísta Ismail Xavier, sem dúvida um dos maiores críticos e teóricos de cinema do Brasil, foi motivado pela bem-vinda reedição de Alegorias do Subdesenvolvimento – Cinema Novo, Tropicalismo, Cinema Marginal, livro que faz uma abordagem histórica e estética do cinema  brasileiro moderno entre 1967 e 1970, período marcado tanto pela ebulição artística quanto pelo recrudescimento da ditadura.

Com análises decisivas de filmes como Terra em Transe (Glauber Rocha, 1967), O Bandido da Luz Vermelha (Rogério Sganzerla, 1968), Macunaíma (Joaquim Pedro de Andrade, 1969) e O Anjo Nasceu (Júlio Bressane, 1969), o livro identi_ ca um universo de obras que, de maneiras diversas, e num curto espaço de tempo, conseguiram refletir todo um trajeto da arte e da política no Brasil.

A reedição vem incrementada de um novo prefácio, em que Ismail coteja as discussões presentes no livro com o panorama atual, e de um posfácio no qual esclarece a noção de alegoria – de extração benjaminiana – que o livro emprega e desdobra. A forma alegórica aparece aí tanto em seu sentido clássico – de uma arte que se apresenta por meio de linguagens cifradas ou de simbolismos disfarçados que visam expressar um conteúdo sem dizê-lo explicitamente – quanto em sua reelaboração moderna, que busca dar conta de manifestações artísticas pautadas na fragmentação, na descontinuidade, na quebra da unidade orgânica da obra de arte convencional (como forma de contestar a própria ideia da História como progresso linear). A alegoria desponta, assim, como ferramenta privilegiada do artista moderno disposto a desmascarar a crise vivida pela sociedade (porém encoberta pelo “otimismo burguês do progresso”) e, mais do que isso, internalizar essa crise na própria forma das obras.

Nesta entrevista, Ismail toma a alegoria como ponto de partida para discorrer sobre diversos temas, desde o legado do Tropicalismo na produção artística atual até as formas de representação da violência no cinema e na televisão (ele nos brinda com uma análise bastante original e reveladora de Tropa de Elite 2).


Luiz Carlos Oliveira Jr – A questão da alegoria é uma das linhas de força de sua investigação teórica e extrapola o assunto do livro agora reeditado, aparecendo também em seus textos sobre o melodrama, o cinema clássico hollywoodiano, os filmes adaptados de Nelson Rodrigues etc. Quando foi que você despertou para a importância da análise do discurso alegórico em seu pensamento sobre o cinema?

Ismail Xavier – Minha lida com o discurso alegórico começou quando escrevi o livro Sertão Mar: Glauber Rocha e a Estética da Fome [publicado pela primeira vez em 1983]. Dadas as características do estilo de Glauber, tratei de um tipo de alegoria ligado a uma visão profética da história, que supõe encontrar, na recapitulação de um passado de sofrimento e cheio de conflitos, um impulso de rebeldia que se põe como a prefiguração de um futuro promissor, no caso da revolução cristalizada no lema “o sertão vai virar mar, o mar virar sertão”, uma fórmula da esperança que se entrelaça com as formas da cultura popular do sertão.

Essa “fórmula da esperança”, nos filmes analisados em Alegorias do Subdesenvolvimento, já se vê suplantada por outro sentimento, mais desencantado politicamente e mais agressivo esteticamente.

Neste livro, a tônica é a variedade dos estilos e da composição da ordem do tempo; minha análise segue muito de perto um rápido deslocamento que põe em confronto diferentes modos de se entender o cinema e o lugar do artista na sociedade, observando um diálogo tenso entre os filmes, que cristaliza a dinâmica de invenção e ruptura havida entre 1967 e 1970, quando lidamos com a polêmica que envolve o Cinema Novo, o Tropicalismo e o Cinema Marginal. Um embate de estilos, uma articulação de perguntas e respostas que marca o cinema pós-1964. Discuto as soluções trazidas pelos filmes para expressar distintas formas de desencanto próprias a uma conjuntura em que há o confronto com a derrota dos projetos de transformação social.

Os temas enfocados no livro sem dúvida ainda reverberam na produção artística de hoje…

O debate sobre aquele momento da cultura e da sociedade marca sua presença hoje na própria produção de cinema, como é o caso de Belair (Bruno Safadi e Noa Bressane, 2009), Luz nas Trevas (Helena Ignez, 2011), Rocha Que Voa (Erik Rocha, 2002), Tropicália (Marcelo Machado, 2012) e Loki – Arnaldo Baptista (Paulo Henrique Fontenelle, 2009).
A análise crítica e o debate em torno de cineastas como Glauber, Sganzerla, Bressane, Joaquim Pedro, Tonacci e Walter Lima estarão sempre em pauta, e a atuação de Tonacci, Bressane e Walter Lima, bem como de outras figuras do Cinema Novo e do Cinema Marginal (Carlos Reichenbach e Neville D’Almeida, Carlos Diegues e Paulo Cesar Saraceni), consolidou os elos entre o passado e o presente, em alguns casos retomando a relação do cinema com os segmentos com os quais houve o intenso diálogo – talvez o mais intenso de todos – num momento em que músicos como Caetano, Gil e Tom Zé, o Teatro Oficina e outros segmentos da cultura visual e do espetáculo compuseram a constelação que respondeu ao desafio lançado por Terra em Transe em 1967, no mesmo mês de maio em que causava impacto a instalação “Tropicália”, de Hélio Oiticica, no MAM do Rio de Janeiro.


Embora haja uma série de filmes brasileiros recentes que trabalham na chave alegórica, você não tem a sensação de que se diminuiu o espaço para um cinema intelectualizado disposto a condensar numa só narrativa toda a história e a conjuntura do país?

Quando se pensa o tratamento de questões nacionais no cinema, a primeira impressão seria de que nos anos 60-70 houve maior lugar para abordagens totalizantes, ao contrário do que estaria acontecendo hoje. Mas olhando mais de perto, podemos ver que o quadro não é bem este.
De um lado, já houve a colocação da alegoria em nova chave em 1969-70, como observo no livro ao analisar os filmes de Bressane e Tonacci. Não foi e não seria o caso de reduzir tudo a uma alegoria do Brasil que é apenas um segmento desse jogo. Por outro lado, a produção contemporânea repõe a “questão nacional” sob diferentes formas, seja no segmento mais ligado à tradição moderna, em que temos exemplos de trabalhos voltados para a formação histórica e a cultura brasileira, como nas séries de TV de Luiz Fernando Carvalho (A Pedra do Reino, 2007) e em filmes como Bocage (Djalma Batista, 1998), Amélia (Ana Carolina, 2000), Desmundo (Alain Fresnot, 2003), Brava Gente Brasileira (Lúcia Murat, 2000), que estão longe de ser narrativas de fundação afirmativas.
Ao lado disto, há diagnósticos da situação contemporânea que acentuam questões identitárias, como Terra Estrangeira e Central do Brasil, ambos de Walter Salles Jr., que reúnem os paradigmas da migração e da identidade, da família e da nação. Em outro recorte, Cronicamente Inviável (Sérgio Bianchi, 2000) traz uma explícita alegoria do Brasil, um concerto do ressentimento nacional que coroa a reiteração sintomática de personagens ressentidos no cinema recente, figuras que vivem o descompasso entre ambições de consumo e sua realidade efetiva, às vezes insuportável como nos filmes que tematizam a violência dos pobres entre si – Como Nascemos Anjos (Murilo Salles, 1996), Orfeu (Carlos Diegues, 1999), Cidade de Deus (Fernando Meirelles e Kátia Lund, 2001), Contra Todos (Roberto Moreira, 2003) – ou focalizam o ressentimento da classe média em seu afã de ascensão: Redentor (Cláudio Torres, 2004) é francamente alegórico nesse sentido.

As expectativas em torno do papel do cineasta, contudo, mudaram. Uma condensação histórica aos moldes de Macunaíma ou de O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (Glauber, 1969), hoje, soaria como ambição anacrônica?

Houve, sem dúvida, o senso da “perda do mandato popular” que tornava o cineasta convicto de sua condição de porta-voz da comunidade imaginada (a nação), vista como mais coesa do que a realidade viria mostrar; em verdade, esta ruptura com a noção de mandato já se deu no período do cinema marginal, a partir de 1969, como vemos na terceira parte do livro. De lá para cá, os rumos da cultura e da política minaram de vez esta ideia do “mandato popular” e suscitaram uma nova autoimagem em que o cineasta valoriza o pragmatismo, tal como também ocorre na vida política, exaltando mestres da viabilização. A homenagem de Baile Perfumado (Lírio Ferreira e Paulo Caldas, 1997) a Benjamin Abrahão, o cineasta que filmou Lampião, é um bom exemplo, tal como o tratamento irônico do pragmatismo dos pobres feito pela narração de O Homem Que Copiava (Jorge Furtado, 2003).

As migrações, as pulsões de evasão observadas nas regiões mais pobres do Brasil foram um tema recorrente no cinema moderno, como se observa em Vidas Secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos, ou em Trópicos (1967), de Gianni Amico. Na última década, a questão do deslocamento retornou com força, muitas vezes como busca existencial ou odisseia subjetiva que se substitui ao périplo extremamente físico de outrora.

Você lembrou bem. O cinema moderno teve a migração como um dos seus pontos fortes na discussão de questões sociais, em que o deslocamento dos personagens era um imperativo motivado por uma condição de pobreza insuportável. O cinema recente repõe o tema da migração, mas o associa a projetos de superação de impasses que estão em outra esfera, mais existencial, afetiva, compondo road movies mais aparentados aos de Wim Wenders em sua alegoria da condição contemporânea marcada por figuras desgarradas que, no caso brasileiro, assumem o movimento como opção pela deriva libertadora que repõe impasses, como em Cinema, Aspirinas e Urubus (Marcelo Gomes, 2005), ou se cumpre exitosa, como em O Céu de Suely (Karim Aïnouz, 2006). Há também a figura da viagem como romance de formação, caso de Diários de Motocicleta (Walter Salles Jr., 2004). São versões da “procura” mais laicas do que as jornadas de conversão ou de busca de um Bem Supremo próprias à tradição religiosa.

Alegorias do Subdesenvolvimento é tencionado por dois momentos distintos, a saber, o período 1967-70, sobre o qual o livro se debruça, e o período 1984-93 em que ele foi gestado e que lhe empresta sua atmosfera. Seria interessante você traçar um paralelo entre esses dois períodos e o momento atual, em que o subdesenvolvimento sai de pauta e um novo Brasil é promovido (o ufanismo estilo Rede Globo tem papel importante nessa promoção).

Claro que muita coisa mudou na política e na economia; já não estamos naquela condição de subdesenvolvimento dos anos 60, mas a inclusão de milhões de brasileiros na rede de consumo, a atenuação dos efeitos da modernização conservadora de que trataram as alegorias do cinema moderno, não significa a superação efetiva do subdesenvolvimento, embora esta noção não esteja mais tão presente, substituída por “emergente” ou componente do BRIC.
Resta ainda o país recordista de desigualdade, com baixo índice de qualidade de vida, bolsões de trabalho escravo e franca violência no campo e na cidade, só geradora de crises institucionais quando se dá à vista de todos nos centros urbanos.
Esta crise do espaço urbano, em que temos áreas fora do controle do Estado-nação e o poder está nas mãos de grupos armados que se conectam ao comércio global de drogas, armas e, no limite, seres humanos, tem sido o foco de um cinema de grande sucesso voltado para o que se reconhece como questão nacional emblemática.



Cidade de Deus, Tropa de Elite

Tropa de Elite 1 e 2 tratam o problema da chamada guerra do tráfico de forma curiosamente inspirada nos westerns de John Ford, que alegorizam passagens espinhosas da fundação nacional de uma sociedade que alcançou no século 20 uma condição vitoriosa. Padilha trabalha com tensões não resolvidas em pontos nevrálgicos em que a nação revela o seu colapso, mas, no final, pode ver uma luz no fim do túnel. No primeiro Tropa, o Capitão Nascimento carrega o fardo de policial durão, violento e torturador em nome do que entende ser o imperativo da guerra de que é herói, mas pagando o preço da desumanização que o isola (sua mulher o abandona, a família recolhe simbolicamente a crise nacional); o filme endossa o seu ponto de vista ao desmoralizar os personagens e discursos que buscam criar mediações entre os pólos do conflito e encontrar soluções fora deste imperativo de guerra total – seriam hipócritas. É o momento Ethan, o personagem de John Wayne em Rastros de Ódio (Ford, 1956).

E como isso se desdobra em Tropa de Elite 2?

Tropa 2 começa no hospital onde o capitão visita o filho baleado pelo crime organizado, ponto de partida do longo flashback; aprenderemos que esta bala estava dirigida a Freitas, um líder defensor dos direitos humanos que passa pela prova de coragem (e não hipocrisia no olhar do capitão) ao arriscar a vida  na negociação para resolver um conflito ocorrido numa prisão. De rivais, a figura da violência como dever cumprido e a figura da negociação se tornam parceiras de uma luta em que o novo inimigo da ordem são as milícias que passam a controlar os morros.
O capitão muda seu ponto de vista, aceita a presença do legislativo no jogo e faz sua denúncia numa comissão de inquérito, mas é Freitas, como homem da cultura, quem está em condições de pleitear um lugar no congresso nacional, ficando o capitão na retaguarda, comoo fez Doniphon (de novo, John Wayne) em O Homem Que Matou o Facínora (Ford, 1962), enquanto Stoddard (James Stewart), o advogado, homem dos livros como o jovem Lincoln, vai para Washington.
Stoddard e Doniphon disputaram a mesma mulher, e o advogado levou. Freitas, não por acaso e dentro do protocolo do melodrama em que família e nação se identificam (desde D.W. Griffith), está, no momento de Tropa 2, casado com a ex-mulher de Nascimento e, para completar a alegoria nacional, o final promissor se encarna na recuperação do filho que, sob o olhar e a torcida de todos – pai, mãe, padrasto e plateia –, sobrevive. Nas imagens finais sobrevoamos Brasília. Não muito depois destes filmes, houve a ocupação dos territórios que estavam fora do controle, com larga cobertura televisiva onde se repetiu com ênfase os emblemas da presença do Estado-nação nas favelas escolhidas como lugar das UPPs, com direito ao hastear das bandeiras estadual e nacional, como muito se viu em Hollywood.


Essa comparação entre Tropa de Elite 2 e O Homem Que Matou o Facínora, além de totalmente original, é de fato reveladora…

Há muitas diferenças entre Tropa 1 e 2 e o cinema de John Ford, como também há muito mais coisa em Tropa 2 que não dá para tratar aqui, mas considero esta conexão entre os filmes e a mise-en-scène da ocupação sob os olhares orquestrados da mídia um exemplo de como a retórica das alegorias nacionais permanece vigente como espetáculo que, no filme, traz acenos de um futuro ainda pontuado de interrogações, e na TV se exibe e se comenta em chave edificante.

A violência urbana e os demônios sociais da classe média também são tratados de forma alegórica, e dialogando com o cinema de gênero, em filmes de menor repercussão midiática?

Ao lado daqueles casos em que está em pauta a violência social mais endêmica, há outras formas de se usar a mediação de gêneros da indústria em filmes de baixo orçamento que compõem a alegoria voltada para problemas contemporâneos. Corpo (Rubens Rewald e Rossana Foglia, 2007) dialoga com a tradição do “fantástico” para trabalhar a relação do presente com o período da ditadura a partir de fato paradoxal que ocorre no IML de São Paulo. E o mesmo ocorre na reflexão sobre as relações de classe no darwinismo social urbano feita em Trabalhar Cansa (Juliana Rojas e Marco Dutra, 2011), cujo cenário central é um supermercado. Ainda em conexão com o cinema moderno, o segmento mais empenhado na busca de novas dramaturgias tem construído situações-laboratório que se cristalizam em outros espaços emblemáticos, um apartamento ou outro espaço habitado por um grupo de jovens que compõem comunidades que, com maior ou menor organização, valem como célula política, como no caso de A Concepção (José Eduardo Belmonte, 2005) e de Os Residentes (Tiago Mata Machado, 2010), algo que nos lembra A Chinesa (1967), de Godard, embora sejam distintos seus tempos e seus ideários. Algo semelhante acontece em A Alegria (Felipe Bragança e Marina Meliande, 2010) e A Febre do Rato (Cláudio Assis, 2011), em outra chave na qual o espaço-laboratório é uma comunidade que se estende pelo bairro e se compõe de personagens cuja pauta é a ação poética afirmativa de contestação da ordem.

Luiz Carlos Oliveira Jr. é cineasta, crítico e editor da revista online Contracampo

Publicado originalmente em: http://revistacult.uol.com.br/home/2013/01/a-estetica-do-cinema/livro 

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Cineastas Indígenas: um outro olhar

 Registi indigeni: un altro sguardo - Cineastas indígenas: la otra mirada - Indigene Filmemacher: ein weiterer Blick - Cinéastes autochtones: un autre regard - Indigenous filmmakers: another look - Indigenous filmskapare: en titt -
Корінні режисерів: інший погляд - Аутохтони филмаџије: други поглед -
Αυτόχθονες κινηματογραφιστές: μια άλλη ματιά -
再看看土著制片人 - 先住民の映画制作者別の顔 Indiĝenaj filmistoj: alia rigardoYerli Yapımcılar: Başka bir görünüm -
Inheemse filmmakers: een andere kijk - ಸ್ಥಳೀಯ ನಿರ್ಮಾಪಕರು: ಮತ್ತೊಂದು ನೋಟ -
 صناع السينما الأصلية: نظرة أخرى

Criado em 1987, Vídeo nas Aldeias (VNA) é um projeto precursor na área de produção audiovisual indígena no Brasil. O objetivo do projeto foi, desde o início, apoiar as lutas dos povos indígenas para fortalecer suas identidades e seus patrimônios territoriais e culturais, por meio de recursos audiovisuais e de uma produção compartilhada com os povos indígenas com os quais o Vídeo nas Aldeias trabalha.


O Vídeo nas Aldeias está doando as escolas um kit "Cineastas Indígenas: Um Outro Olhar - Levando as Culturas Indígenas para a Sala de Aula". Basta cadastrar sua escola no link abaixo: http://www.videonasaldeias.org.br/2009/contato_escolas.php

POstodo inicialmente no Blog Hermanado...

Escola Indígena, espaço de construção da autonomia...Gente verdadeira: 

http://lucianadeluci.blogspot.com.br/2010/04/cineastas-indigenas-um-outro-olhar.html

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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

"Cinema etnográfico, imagem e pesquisa qualitativa em saúde"


Ministrado no Rio o curso, visa apresentar alguns aspectos centrais da pesquisa qualitativa envolvendo imagens (fotografia, vídeo, cinema, dispositivos digitais). Além disto, pretende fomentar reflexão em ambiente de pós-graduação acerca da utilização de metodologias de coleta de dados através da imagem.

Serão discutidas práticas etnográficas em sentido amplo envolvendo questões de saúde –doença, vida e morte, cuidado e vulnerabilidade em diferentes culturas e múltiplas práticas sociais. O autor-realizador privilegiado será Jean Rouch.

O curso, que é gratuito, estará com inscrições abertas até 23/01. Estão sendo oferecidas 35 vagas. Os interessados deverão preencher formulário eletrônico de inscrição (solicitado pelo e-mail kinoetno@gmail.com) e enviar currículo abreviado e carta de intenção expondo importância do curso para as atividades profissionais do candidato. A matrícula será feita no setor de Gestão Acadêmica, entre os dias 20 e 31 janeiro de 2013.

A chamada pública e a Ficha de Inscrição podem ser conferidas no site do Icict: www.icict.fiocruz.br

Outras informações podem ser obtidas na Gestão Acadêmica, pelos telefones 3882-9063, 3882-9033, e-mail gestaoacademico@icict.fiocruz

ENCUENTRO DE INVESTIGACIÓN SOBRE CINE

Entre 25 e 27 de abril de 2013 a Cineteca Nacional realiza o Terceiro Encontro de Pesquisa sobre Cinema Chileno e Latinoamericano no Centro Cultural la Moneda (Santiago - Chile)


El III Encuentro Internacional de Investigación sobre Cine Chileno y Latinoamericano tiene como objetivo principal consolidar una instancia de difusión de los principales trabajos de investigación sobre cine chileno y latinoamericano concluidos recientemente y en curso, generando un diálogo interdisciplinario y, al mismo tiempo, promoviendo la puesta en valor del Patrimonio Audiovisual en la comunidad.
El encuentro propone reunir a investigadores que aborden el tema desde distintas disciplinas y perspectivas teóricas, abriendo un espacio tanto a profesionales de reconocida trayectoria como a estudiantes de postgrado y pregrado.
Otro objetivo es fortalecer la investigación a nivel nacional y latinoamericano, generando un espacio de intercambio que permita establecer mecanismos de difusión, ampliando también la participación en redes locales e internacionales y generando iniciativas en conjunto tendientes a la investigación, a la formación y a la difusión de los resultados de los trabajos.


QUIENES PUEDEN PARTICIPAR/ QUEM PODE PARTICIPAR
 

Podrán participar aquellas personas chilenas o extranjeras que hayan concluido una investigación sobre cine chileno y latinoamericano durante los años 2011-2012 o que tengan una investigación en curso, en cualquiera de estas modalidades:
a) Investigación avalada por instituciones o universidades (tesis concluida o tesis en curso de post grado e in
vestigaciones de académicos).
b) Investigaciones en curso o concluidas, financiadas por fondos nacionales o internacionales
(Fondo Audiovisual, Fondecyt, Fondo del Libro, entre otros)
c) Investigaciones concluidas o en curso realizadas por investigadores de conocida trayectoria.
d) Investigaciones realizadas por alumnos de pre-grado en proyectos de iniciación científica o similares y tesis concluidas de pre-grado.


CATEGORÍAS Y EJES TEMÁTICOS:
1. Investigadores profesionales: los investigadores profesionales podrán enviar sus trabajos en los siguientes ejes temáticos:
- Cine en Chile y Latinoamérica de los primeros tiempos a la década de los 50.
- Cine en Chile y Latinoamérica de los 60 a los 90.
- Cine chileno y latinoamericano contemporáneo: desde el 2000 hasta hoy.
- Estudios comparados: Chile e Iberoamérica.
- Cine, literatura y otras artes.
- Miradas desde la estética y la crítica.
- Representaciones e identidades en el cine.
- Industria Audiovisual
- Trayectorias del cine nacional y latinoamericano.
- El documental latinoamericano
 

2. Categoría estudiantes de pre-grado: los estudiantes de pre-grado podrán participar en los siguientes ejes temáticos:
- Perspectivas del cine chileno
- Perspectivas del cine latinoamericano.


CÓMO PARTICIPAR

Enviando un resumen de máximo veinte líneas o 250 palabras de una propuesta que se adscriba a cualquiera de las dos categorías y ejes temáticos al correo encuentrodeinvestigacion@cinetecanacional.cl hasta el jueves 31 de ENERO/JANEIRO de 2013, junto al nombre del participante, filiación académica (si la tiene), título profesional o grado académico, categoría y eje temático al que se adscribe.

+ INFOS:  www.centroculturallamoneda.cl



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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

La Antropologia del Cine se hará presente en Córdoba, Argentina


Estimados Coordinadores:
Tenemos el agrado de dirigirnos a Uds. para informarles que su propuesta de GT para la X RAM 2013, ha sido aceptada. El listado de todos los GT que se llevarán a cabo, estará disponible en el sitio web de la RAM próximamente.
Además, a la brevedad será enviada la Tercera Circular donde figurarán los plazos para presentar propuestas de trabajo a cada GT, información sobre las formas y costos de inscripción, así como también otras informaciones útiles.
Agradecemos su interés en participar.
Cordialmente,

Comisión Organizadora
RAM 2013
Córdoba-Argentina
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Prezados Coordinadores:
Temos o prazer de informar-vocês que a sua proposta de GT para X RAM de 2013, foi aceita. A lista de todos os GT, estará disponível no website da RAM.
Além disso, em breve será enviada a Terceira Circular, com os prazos para a apresentação de propostas para os GT, informações sobre custos e formas de inscrição, como outras informações úteis.
Agradecemos o seu interesse em participar.
Atenciosamente,

Comitê Organizador
RAM 2013
Córdoba-Argentina

Los invitamos a visitar nuestro sitio web http://xram2013.congresos.unc.edu.ar/

Nosso Grupo de Trabalho é o 37: Antropología audiovisual y antropología del cine: miradas cruzadas y conexiones posibles

Este GT surge da necessidade de reunir pesquisadores latino-americanos que estudam as múltiplas relações entre Antropologia & Cinema, seja da perspectiva da Antropologia Audiovisual, seja da perspectiva da Antropologia do Cinema. A partir desta dupla perspectiva, pretende-se debater o cinema como objeto antropológico em sentido próprio, focando especialmente: 1) as articulações entre cinema, narrativa, memória e subjetividade; 2) as representações e interpretações que as narrativas cinematográficas nos propõem sobre os mais diversos temas, como a relação "natureza-cultura", o estatuto do "humano/não humano", de "corpo", "gênero", "sexualidade”, "identidade", "ciência", "religião”, “política”, etc.; 3) as condições sociais de produção, circulação e recepção dessas narrativas em seus mais diferentes formatos e gêneros, considerando as diversas categorias que estruturam o campo cinematográfico. Em suma, em um mundo cada vez mais constituído por fluxos e contra fluxos de narrativas audiovisuais, trata-se não apenas de pensar os enunciados antropológicos de um cinema etnográfico, mas de empreender uma etnografia do cinema, entendida no âmbito de estudo sobre a contemporaneidade e os novos procedimentos de construção de sentido.

Por outro lado, a antropologia audiovisual foi se constituindo com a contribuição de cineastas por várias décadas. Na América Latina, apesar de existir uma grande produção nesse campo, pouco se tem analisado os filmes etnográficos em relação aos aportes da linguagem cinematográfica para essas narrativas. Considerando a importância de discutir essas questões, propõe-se analisar produções audiovisuais que tenham utilizado, do ponto de vista teórico-metodológico, a antropologia audiovisual e/ou o cinema documental, focando os aportes, cruzamentos e tensões entre essas linguagens e a pesquisa antropológica.


Cordialmente,
Debora Breder (Brasil) e Rafael Contreras (Chile)

O prazo para envio dos resumos será até 25 de fevereiro de 2013.

Seguem os critérios para apresentação dos resumos:
1) Los resúmenes tendrán un máximo de 350 palabras;
2) Deberán contener los planteos problemáticos del tema a desarrollar; 
3) El tipo de letra es Times New Roman, tamaño 12, interlineado 1,5.
4) Se admitirá un resumen por persona en forma individual o en co-autoría (máximo dos co- autores).
5) Los resúmenes deberán ser enviados a los correos electrónicos de los Coordinadores de cada GT. 

Los resúmenes deben ser enviados por correo electrónico a los coordinadores. Plazo límite para envío de resúmenes: 25 de fevereiro de 2013. 
Débora Breder: deborabreder@hotmail.com
Rafael Contreras: rafa_acm@yahoo.com


A lista com os trabalhos selecionados será divulgada 25 de março de 2013.