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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

A mulher no cinema: da produção à representação visual



Dentre as discussões propostas por teóricas feministas do cinema, duas questões são fundamentais para a compreensão do lugar historicamente relegado às mulheres na produção cinematográfica: a participação feminina atrás das câmeras e a sua representação diante da tela. Assim como ocorre em alguns outros setores do  mercado de trabalho, a participação das mulheres no fazer cinematográfico é extremamente baixa em relação à atuação masculina. Recentemente, as inúmeras críticas realizadas em torno do filme “Azul é a cor mais quente” (La vie d’Adele, 2013, Abdellatif Kechiche) sinalizam que ainda há muito que se debater sobre a representação visual das mulheres e do prazer feminino no cinema, como se vê nos artigos abaixo:





O que estudos recentes demonstram é que a produção e a representação não podem ser vistas como elementos isolados, se considerarmos que o significativo desequilíbrio na participação de homens e de mulheres no mercado cinematográfico diz muito sobre os olhares e os discursos construídos pelas narrativas.  Uma pesquisa publicada no site da New York Film Academy, intitulada Gender Inequality in Film, mostra dados relevantes sobre como os personagens masculinos e femininos são retratados nos 500 filmes hollywoodianos de maior sucesso entre 2007 e 2012, como, por exemplo: o percentual de mulheres  retratadas com roupas que possuem conotação sexual é de 28,8%, enquanto a taxa de homens na mesma situação é de 7%; a porcentagem de adolescentes femininas retratadas em cenas de nudez aumentou 32,5% entre 2007 e 2012; a presença de personagens femininas nos filmes aumenta em 10,6% quando a direção é assumida por mulheres, e 8,7% quando elas são roteiristas.


Em relação à indústria cinematográfica, o estudo mostra que, dos atores e atrizes mais bem pagos de Hollywood em 2013, 465 milhões de dólares foram destinados aos homens, em oposição a 181 milhões de dólares às mulheres, e que a atriz mais bem remunerada durante o ano, Angelina Jolie, recebeu uma quantia equivalente à da segunda pior remuneração entre os homens. Na direção dos 250 filmes hollywoodianos de maior sucesso em 2012, apenas 9% são mulheres e 15% roteiristas, só para citar algumas das funções apontadas pela pesquisa. Além disso, quando o assunto é premiação da Academia de Hollywood, em 85 anos, somente 7 produtoras venceram o prêmio de melhor filme, todas em co-produção com homens, enquanto 8 venceram nas categorias de melhor roteiro original e melhor roteiro adaptado em toda a história da premiação.


A pesquisa na íntegra pode ser acessada no link abaixo:

Mais dados sobre a participação feminina no cinema hollywoodiano e no brasileiro nos links:




No caso do cinema brasileiro, vale a pena conferir a dissertação de Paula Alves, “O cinema brasileiro de 1961 a 2010 pela perspectiva de gênero”, defendida em 2011, em que a autora fez uma análise da participação das mulheres em algumas funções do mercado cinematográfico, bem como do seu protagonismo nos filmes desse período:




segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Filme Cultura Viva, Já!

"Em defesa da revista Filme Cultura. Carta da ABD-SP à Secretaria do Audiovisual. Quem estiver de acordo, por favor compartilhe o quanto possível". Via Carlos Alberto Mattos


 São Paulo, 04 de janeiro de 2014 Ao Exmo. Secretário do Audiovisual A ABD-SP, Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas Secção São Paulo, vem através desta solicitar que o MINC mantenha, entre as diversas iniciativas visando a divulgação e reflexão de conteúdos audiovisuais e cinematográficos brasileiros, a continuidade da publicação da revista Filme Cultura através de mecanismos existentes, seja a captação junto à Petrobrás ou outra forma viável. 

Acompanhamos a importante trajetória desta revista, desde seu nascimento comprometida em se tornar um espaço de divulgação e reflexão da produção, política e ambiente cinematográficos nacionais, igualmente contribuindo para a formação permanente de um quadro importante de pensadores, pesquisadores e críticos de cinema. 

Trata-se atualmente da revista mais antiga dedicada a cinema no país (originou-se em 1966), deixou de ser publicada com a desmobilização progressiva da Embrafilme nos últimos anos da década de 1980, e foi retomada em 2010, por iniciativa de Silvio Da-Rin, então Secretário do Audiovisual, e Gustavo Dahl, então diretor do CTAv. Este dirigiu a revista até sua morte, em 2012, quando Carlos Alberto Mattos herdou o posto de editor. Por ela passaram importantes nomes que, ao escreverem, atuaram de forma militante em nossa produção cinematográfica, tais como Ely Azeredo, José Carlos Monteiro, João Carlos Rodrigues, Alex Viany, Jean-Claude Bernardet, João Luiz Vieira, Paulo Perdigão, José Carlos Avellar e muitos outros. 

Desta forma a revista também demonstrou fazer parte de um importante elo gerador de reflexão e formação. 

Recentemente, a revista dedicou muitas páginas aos "novíssimos" cineastas brasileiros, aos que estavam fora do mercado (na sessão "Busca avançada"), ao resgate de fatos históricos do cinema brasileiro a que a mídia convencional não costuma dar atenção, sendo uma importante publicação sem fins comerciais. Como poucas outras publicações sobre cinema brasileiro, disponibiliza a íntegra de seu acervo eletronicamente, com recursos de pesquisa bastante avançados. 

A revista ainda mantém aberto espaço para colaboradores de várias regiões do país, recolhendo conteúdo e impressões de fora do eixo Rio-São Paulo, historicamente dominante na reflexão sobre cinema brasileiro; produz dossiês temáticos propiciando uma visão mais aprofundada de certos aspectos do nosso cinema e constituindo importante material para pesquisas e estudos; possui qualidade editorial e gráfica; tem alcançado importante formadores de opinião, entre professores, pesquisadores e estudiosos do cinema brasileiro. Por toda sua importância dentro da cadeia produtiva, a ABD-SP vem manifestar apoio à sua continuidade. Atenciosamente, ABD-SP

O Antro faz coro endossando, divulgando e apoiando também esta continuidade: Nada de retrocesso mental no campo do Cinema! 

domingo, 5 de janeiro de 2014

El Violín. Francisco Vargas (México, 2005)




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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Zapatista: a Big Noise Film. Benjamin Eichert. (México/EUA, 1999)

Zapatismo não é uma doutrina, é uma intuição: Todo poder ao povo!
Há exatos vinte anos: "Em 1994, o Exército Zapatista de Libertação Nacional veio a público , o dia em que o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA) entrou em vigor. Naquele dia, eles lançaram sua primeira Declaração da Selva Lacandona e suas Leis Revolucionárias. 

A declaração equivalia a uma declaração de guerra contra o governo mexicano, que eles consideravam tão fora de contato com a vontade do povo como para torná-lo completamente ilegítimo. Seu objetivo inicial era instigar uma revolução em todo o México , mas como isso não aconteceu , usaram sua insurreição como uma plataforma para chamar a atenção do mundo para o seu movimento para protestar contra a assinatura do NAFTA , que o EZLN acreditava que iria aumentar a diferença entre ricos e pobres em Chiapas. 

O EZLN também apelou a uma maior democratização do governo mexicano, que tinha sido controlada pelo Partido Revolucionário Institucional (PRI) durante 65 anos e para a reforma agrária prevista pela Constituição do México 1917, mas em grande parte ignorado pelo PRI. O EZLN não exige independência do México, mas sim a autonomia, e (entre outras coisas) que os recursos naturais que são extraídos de Chiapas beneficiem mais diretamente os povos de Chiapas."

 

 


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Boas Novas Danças e...


 Selamat Tahun Baru kepada Semua - Boldog Új Évet minden - Bonne Année à Tous -  Happy New Year to All -
Šťastný Nový Rok všem - Laimīgu Jauno gadu uz visiem
 - 
С Новым Годом всех
- Ευτυχισμένο το Νέο Έτος σε όλους - બધા માટે હેપી ન્યૂ યર - Hamingjusamur Nýtt Ár til allra - Frohes Neues Jahr an Alle-  سنة جديدة سعيدة لجمي - Urte Berri Guztiak -
Godt Nytår til alle -
Happy Sabuwar Shekara ga All -
Happy New Year kuya Konke -
O ku odun titun lati Gbogbo -
З Новим Роком всіх -
祝大家新年快樂所有  -
すべてのハッピーニューイヤー
-
Szczęśliwego Nowego Roku dla wszystkich -
Buon Anno a Tutti


Em 2014 nos encontramos em Rosário: Hasta pronto y P`Adelante!

Nós do Grappa acabamos de ter a confirmaçao da aprovaçao do nosso Grupo de Trabalho em Antropologia do Cinema em terras rosarianas...

De  23 al 26 de julio de 2014
XI Congreso Argentino de Antropología Social, que en esta oportunidad estará organizado por la Escuela de Antropología de la Facultad de Humanidades y Artes de la Universidad Nacional de Rosario.

 A tod@s bem Vindos e Muchas Gracias, sem vocês a vida seria sem graça e diversidade.

Por enquanto curtam as viagens dessa outra trupe:


Em  breve divulgaremos mais infos sobre o evento: um 2014 pleno, único e inesquecível  para tod@s!

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Na estica...mande seu trabalho até o fim do ano

IV Encontro Anual da AIM
UBI - Universidade da Beira Interior, Covilhã
15, 16 e 17 de maio, 2014





Call for Papers aberto até 31 de dezembro de 2013.
+info: http://aim.org.pt/encontro/

O IV Encontro Anual da AIM acontecerá na Universidade da Beira Interior, Covilhã, entre 15 e 17 de maio de 2014, e resulta da organização conjunta da AIM, do LabCom - Laboratório de Comunicação On-Line, e Faculdade de Artes e Letras, ambos da Universidade da Beira Interior.

Os conferencistas convidados, cuja presença no IV Encontro Anual da AIM já está confirmada, são: Vicente Sánchez-Biosca, da Universitat de València (Espanha), autor de Retóricas del Miedo: Imágenes de la Guerra Civil Española (2012), NO-DO: El Tiempo y la Memoria (2006; com Rafael R. Tranche) e Cine y Guerra Civil: Del Mito a la Memoria (2006); Massimo Canevacci, da Università degli Studi di Roma La Sapienza (Itália), atualmente Professor Visitante na Universidade de São Paulo (Brasil), autor de A linha de pó. A cultura bororo entre tradição, mutação e auto-representação (2012), Fetichismos Visuais (2008) e A cidade polifónica. Ensaio sobre a antropologia da comunicação urbana (1993); André Parente, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Brasil), autor de Tramas da rede: Novas dimensões filosóficas, estéticas e políticas da comunicação (2005), Narrativa e modernidade. O cinema não–narrativo do pós-guerra (2000), e Sobre o cinema do simulacro: Cinema existencial, cinema estrutural e cinema brasileiro contemporâneo (1998).

Como habitualmente, depois do Encontro serão publicadas atas eletrônicas.


quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Corpos estendidos e conectivos na produção cinematográfica




Autora: Carmela Morena Zigoni Pereira    
Ano: 2013
Orientador: Lia Zanotta Machado
UnB

RESUMO
O presente estudo consiste em uma etnografia do set cinematográfico que trata especificamente da atuação de ciborgues na produção de filmes ficcionais para o cinema, no contexto brasileiro. Trata-se de realizar um debate sobre as novas abordagens da relação entre humanos e objetos, máquinas e máscaras, a partir de trabalho de campo realizado com profissionais pertencentes ao campo cinematográfico. Estes profissionais realizam atividades tecnicamente qualificadas em busca da imagem, se organizam em rede e praticam rituais (atos de corpo e de fala) para impulsionar a troca de informações, gerar efeitos materiais e imateriais, produzindo uma socialidade singular. A especificidade técnica de cada área de atuação na produção – direção, fotografia, operação de máquinas, interpretação de atores –, têm em comum serem efetivadas por meio de tecnologias e extensões corporais constituidoras de subjetividades e coletivos particulares. Considerando duas interfaces principais, a máquina e a máscara, os dados etnográficos foram analisados a partir de teorias como a antropologia do ciborgue (Haraway, 1985:2000; Preciado, 2011; Régis, 2012), da constituição da pessoa (Mauss, 1950; Strathern, 1988: 2006), a Teoria do Ator Rede (Latour, 2000; 2005; 2007) e a teoria dos rituais em antropologia (Tambiah, 1985; Schechner, 1988, 2002; Latour, 2004). Desvendamos, assim, como o set cinematográfico constitui-se em um espaço sócio-temporal distinto do cotidiano, que abriga um coletivo híbrido particular, dedicado a produzir verdades e ficções por meio de práticas cotidianas, eventos críticos, e imagens em movimento. Esta produção se torna possível pelas crenças compartilhadas quanto ao objeto artístico (filme), pelas fronteiras borradas entre corpos (conformação de híbridos), pelo fluxo de informações e ações rituais organizadas e controladas em rede.
Palavras-chave: cinema, corpo, técnica, ciborgue, rede, ritual.





ABSTRACT
This is an ethnographic study of the cinematographic set which specifically addresses the role of cyborgs in fictional productions for cinema, in Brazilian context. It proposes a debate on new approaches on the relationships between humans and objects, machines and masks, based on fieldwork among cinema professionals. These professionals carry out highly qualified technical activities pertaining to image capture, are organized in network-like arrangements, and practice rituals (bodily and speech acts) in order to foster the exchange of information, produce tangible and intangible effects, thus generating a singular kind of sociality. The technical specificities of each expertise – direction, photography, machine operation, acting– have in common their enactment through technologies and bodily extensions that constitute particular collectives and subjectivities. Based on two chief interfaces, the machine and the mask, ethnographic materials were analyzed drawing on theoretical frameworks such as cyborg anthropology (Haraway, 1985:2000; Preciado, 2011; Régis, 2012), studies on personhood (Mauss, 1950; Strathern, 1988: 2006), actor-network theory (Latour, 2000; 2005; 2007), and anthropological theories on rituals (Tambiah, 1985; Schechner, 1988, 2002; Latour, 2004). The cinematographic set was thus unveiled as a socio-temporal space distinct from daily life, which encompasses a particular hybrid collective dedicated to producing truths and fictions through quotidian practices, critical events, and moving images. This production is made possible by shared beliefs regarding the artistic object (the movie), blurred boundaries between bodies (assembling of hybrids), information flows and ritual actions organized and controlled through networks.
Keywords: movie, body, technique, cyborg, network, ritual.




http://www.dan.unb.br/images/doc/TESE_Doutorado_119.pdf


Uma infinidade de filmes clássicos e alternativos para você

Via  Biblioteca Terra Livre
O fórum de filmes MakingOff.org, possivelmente um dos principais fóruns de filmes alternativos brasileiros, se encontra com o cadastro aberto para novos usuários por tempo limitado. Seja rápido e garanta seu acesso...

O fórum contém muitos filmes libertários e ótimos documentários. Além de uma infinidade de filmes clássicos e alternativos. E a melhor parte é que todos os filmes postados possuem legendas em português. 

Confiram e compartilhem!

 http://makingoff.org/forum/index.php?app=core&module=global&section=register

Tempo de Protesto - THE WEATHER UNDERGROUND, Sam Green e Bill Siegel (USA, 2002)

A UERJ deixa no 1º andar uma árvore com o tema da Copa do Mundo e @s estudantes decoram com a melhor mensagem que poderia ser escrita.

O filme proibido que o grupo fez sobre si mesmo, aqui
Um clássico para compartilhar em família este Natal:
 

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

A Lenda da Criação do Mundo e dos Orixás. Ana Paula, Cristiano, Vinícius, Aline, Dayana, Edna & Maria Alice (Brasil, 2013)

E agora, minha gente, uma história eu vou contar … uma história bem bonita, todo mundo vai gostar!

Acarajé de Iansa - Carybé
O Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro apresenta o terceiro volume da Coleção “A lei 10639/03 e a formação de educadores”. Trata-se do material didático-pedagógico criado para o “III Curso de Extensão em História e Cultura Negra” oferecido pelo Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da UERJ (2013). O filme “A Lenda da Criação do Mundo e dos Orixás” é inspirado em uma lenda de origem iorubá mantida viva pela tradição oral.

Acreditamos que o reconhecimento da produção cultural dos afro-brasileiros é um dos caminhos para a construção de um país verdadeiramente multicultural que erradique as práticas racistas que sustentam as discriminações, preconceitos e produzem desigualdades. Cabe ressaltar que o legado afro-brasileiro pertence a todos nós, brasileiros de todas as origens. Assim, a lei 10639/03 nos estimulou a apresentar de forma lúdica o tema da criação do mundo e dos orixás que tanto faz parte da religiosidade brasileira quanto da afro-brasileira. Este vídeo, destinado à educação infantil, tem como objetivo difundir os valores civilizatórios da cultura afro-brasileira, preservar sua memória e combater qualquer tipo de intolerância religiosa.

O Filme
Trata-se de uma animação com uma linguagem acessível ao público infantil. Acreditamos que o uso de materiais presentes no dia a dia da escola – brinquedos, sucatas e papeis de diferentes texturas – possam facilitar a comunicação entre alunos e professores e simplificar a transmissão de conhecimento. Nossa expectativa é que esse vídeo possa fazer parte das rodas de histórias comuns nas classes da educação infantil.


segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Livro para download: Cinema e Memória – O Super 8 na Paraíba nos anos 1970 e 1980.



Livro para download:  Cinema e Memória – O Super 8 na Paraíba nos anos 1970 e 1980.

Organizado por Lara Amorim e Fernando Trevas, a publicação reúne textos de seis autores que refletem sobre a produção superoitista, o cinema direto na Paraíba e o contexto cultural que gerou a produção alternativa e experimental dos anos 70 e 80.



Em 2010, em parceria com a Balafon Produtora, o Laboratório de Antropologia Visual – Arandu e o Núcleo de Documentação Cinematográfica – NUDOC, ambos da UFPB, produziram em João Pessoa a Mostra Jean Rouch, uma retrospectiva da obra do antropólogo cineasta que passou por várias capitais brasileiras entre 2009 e 2010. A “volta de Rouch à Paraíba”, com 37 filmes, entre eles filmes inéditos e desconhecidos de muitos pesquisadores da área de cinema e antropologia, movimentou a relação de muitos de nós, professores da UFPB, com o cinema paraibano.
Afinal, em 1979, uma cooperação entre Rouch e a Universidade Federal da Paraíba plantou no meio acadêmico e cultural da cidade uma maneira de registrar imagens em audiovisual que, ao mesmo tempo em que lançou frutos como os que veremos no acervo digitalizado, provocou também polêmicas entre realizadores quanto ao estilo do Cinema Direto e ao uso do Super-8. Em meio a esta percepção, alguns professores do curso de antropologia e de cinema da UFPB resolveram pesquisar e recuperar um pouco desta memória que envolveu aquele momento efervescente de produção audiovisual na Paraíba. A ideia foi “tornar público” (no sentido de dar ao público o direito de ter acesso) filmes e registros que foram feitos no final da década de 1970 e ao longo de 1980 e que estavam depositados no acervo do NUDOC, na UFPB, além de arquivos particulares. Assim nasceu este projeto que se propôs a catalogar e digitalizar em torno de 100 filmes e registros (filmes sem nenhum tipo de edição) – nem todos chegaram a ser digitalizados devido ao estado físico do filme – em película, que, a partir de agora, estarão disponíveis em um website para serem assistidos e visualizados por qualquer interessado, sejam especialistas ou leigos.
A filmografia pesquisada, com 92 títulos, é em sua maioria constituída de produções na bitola Super-8, que estavam distante dos circuitos exibidores, mesmo os mais alternativos. O mesmo acontecia com os poucos títulos produzidos em 16 mm. Quase todos os filmes Super-8 aqui destacados não possuíam cópias, sendo, portanto, matrizes únicas. A sua projeção convencional, no caso de algum dano, poderia comprometer a integridade autoral dos filmes. Dessa forma, fazia-se necessário transpor os filmes para o formato digital, possibilitando a sua exibição e preservando as matrizes.
A parceria com o fotógrafo Roberto Buzzini foi fundamental para a materialização de um dos objetivos do Cinema Paraibano: Memória e Preservação.Buzzini foi o responsável pela telecinagem dos filmes coletados ao longo da pesquisa empreendida e em entrevista, ele deixa nesta publicação seu depoimento sobre a relação que estabeleceu com a película e com o nosso projeto.
Indo além dos limites da filmografia aqui levantada e detalhada em sinopses e fichas técnicas no final do livro, os autores dos textos desta publicação trazem argutas reflexões sobre a produção cinematográfica paraibana e brasileira no formato alternativo do Super-8.
Abrindo o debate, a antropóloga Lara Amorim apresenta o Projeto Cinema Paraibano: Memória e Preservação refletindo sobre a pesquisa que embasa os diferentes momentos que vão da catalogação do acervo de filmes depositados no NUDOC, telecinagem, realização da mostra de filmes em João Pessoa e editoração deste livro à publicação final do conteúdo em um website. Neste sentido, relaciona os ciclos de produção do documentário paraibano com questões que envolvem a memória e a patrimonialização de acervos imagéticos. Enfatiza, sob uma perspectiva antropológica, a relação entre a produção audiovisual e questões de identidade e a possibilidade de se pensar o produto audiovisual como um “bem patrimonial” e um “dispositivo de memória coletiva”.
O texto inédito de Rubens Machado revela, em tom intimista, o desenvolvimento de um circuito de filmes e festivais no Brasil, em plena ditadura militar. Machado ressalta o caráter provocativo e renovador da produção superoitista e seu diálogo com as artes visuais, com a indústria cultural veiculada pela televisão e sua relação com a revolução comportamental deflagrada na década de 1960.
Integrante de uma geração de realizadores paraibanos surgida no final da década de 1970, Pedro Nunes ressalta o tema da sexualidade e da subversão da linguagem documental mais convencional em filmes do início da década de 1980. É dele também a entrevista inédita publicada no livro, com o cineasta e agitador cultural pernambucano Jomard Muniz de Britto, autor de uma vasta filmografia em Super-8, tendo atuado também na Paraíba como professor e realizador.
Bertrand Lira aponta a estruturação, na Paraíba, de um núcleo de produção fílmica baseado nos conceitos do Cinema Direto. Fruto de convênio entre a Universidade Federal da Paraíba e a francesa Associação Varan, esse núcleo possibilitou o desenvolvimento de uma geração de realizadores, em sua maioria ainda em atividade, caso do próprio Bertrand, autor de documentários e mais recentemente, de filme ficcional.
Em seu texto, João de Lima Gomes, também cineasta da geração surgida em fins da década de 1970, detalha os caminhos percorridos entre franceses e paraibanos para a implementação de atelier de Cinema Direto na Paraíba, que resultou na criação do NUDOC. A dupla condição de realizador e pesquisador não o impediu o trio de exercer a observação crítica de quem conhece profundamente os filmes e o período em estudo.
Fechando a reflexão que esta publicação propõe, Fernando Trevas Falcone destaca a importância da temática social na produção paraibana, desde a eclosão do ciclo de cinema documentário na Paraíba com o clássico Aruanda, passando pelos filmes realizados nas bitolas Super-8 e 16 mm nas décadas de 1970 e 1980 enfatizando questões ligadas à miséria urbana, lutas camponesas, trabalho, política cultural e meio ambiente.
Foi, portanto, fundamental para o nossa empreitada a estreita colaboração dos autores desta antologia, outra proposta do Cinema Paraibano: Memória e Preservação. Todos eles, desde o início, mostraram-se receptivos ao projeto, colaborando não apenas com a cessão de seus textos, mas também com sugestões e incentivos. A todos, nosso agradecimento.
Texto do site do projeto: http://cinepbmemoria.com.br/livro/

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Colóquio "Carlos Reichenbach, um homem apaixonado pelo cinema"


O primeiro dia do Colóquio Carlos Reichenbach, promoção da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema) e Panorama Internacional Coisa de Cinema, já está disponível na íntegra online
Parte I
Mediador
João Carlos Sampaio, crítico e membro da Abraccine
Convidados
Bertrand Duarte, ator e protagonista de Alma Corsária
Luiz Zanin Oricchio, crítico e presidente da Abraccine
Adolfo Gomes, crítico e membro da Abraccine
Parte I - http://vimeo.com/78723805
Parte II - http://vimeo.com/78753275
Parte III - http://vimeo.com/78854467
Rolou no IX Panorama Coisa de Cinema
31.10 > 07.11.2013
Salvador, Cachoeiras, Bahia, Brasil
coisadecinema.com.br/panorama