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sexta-feira, 4 de maio de 2012

XVI Encontro da SOCINE - Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual

XVI Encontro da SOCINE - NOVAS CARTOGRAFIAS DOS CINEMAS MUNDIAIS

08 a 11 de outubro de 2012

Centro Universitário Senac - São Paulo, SP

Estão abertas as inscrições para o XVI Encontro Internacional da SOCINE, que será realizado no Centro Universitário Senac - São Paulo, SP. Nesse XVI Encontro da SOCINE, propomos a temática Novas Cartografias dos Cinemas Mundiais. O Encontro propõe uma revisão do termo Cinema Mundial, buscando uma nova mirada em que o conceito possa ser pensado não como uma categoria oposicional estática, mas como uma noção dinâmica, como cartografia móvel ou um atlas de posições cambiantes, de múltiplos imaginários, entre os circuitos de produção e circulação, afiliações políticas, escolhas estéticas e afetos cinéfilos que delineiam os movimentos dos cinemas do mundo.
Esclarecemos que o tema é indicativo mas não exclusivo para proposição de trabalhos e/ ou mesas temáticas. O recadastramento dos sócios e o pagamento da anuidade referente a 2012 já pode ser feito apenas no site da entidade (www.socine.org.br), conforme calendário ali disponível.
Para iniciar o processo, por favor, clicar em “área do associado”. Após atualização da ficha cadastral, o usuário será redirecionado para a área do associado a fim de gerar o boleto bancário para pagamento. Lembramos que o valor para profissionais é R$ 100,00, e para estudantes R$ 50,00. O pagamento da anuidade é imprescindível para a realização da inscrição e submissão de propostas para o próximo encontro, por isso as duas etapas não poderão ser feitas no mesmo dia (é preciso esperar três dias úteis para a compensação do banco e liberação do site) .

As propostas de trabalhos para uma das quatro modalidades do encontro –comunicações individuais, mesas pré-constituídas, painéis ou seminários temáticos – deverão ser submetidas eletronicamente pelo site da SOCINE.

Lembramos que NÃO SERÃO ACEITAS inscrições enviadas por email, apenas aquelas submetidas através do site.
As inscrições deverão ser escolhidas entre as QUATRO CATEGORIAS, cada qual com as seguintes exigências:

Comunicações Individuais As propostas de mestres, doutorandos e/ou doutores contendo título (até 70 carecteres), resumo expandido de até 4000 caracteres (com espaço), resumo (500 caracteres), bibliografia (1000 caracteres), mini-currículo (500 caracteres).

Seminários Temáticos:  As propostas de mestrandos, mestres, doutorandos e/ou doutores para apresentações individuais em Seminários Temáticos devem ser feitas indicando diretamente o seminário escolhido e conter: título (até 70 carecteres), resumo expandido de até 4000 caracteres (com espaço), resumo (500 caracteres), bibliografia  (1000 caracteres), mini-currículo (500 caracteres). Os resumos dos Seminários Temáticos em vigor encontram-se disponíveis no site da Socine.

Mesas Temáticas pré-construidas As mesas devem conter 3 participantes, sendo dois doutores de duas instituições diferentes e o terceiro membro pode ser mestre, doutorando e/ou doutor, sem que nenhum dos membros tenham relação de orientação em andamento.

As propostas de Mesas Temáticas devem conter:  título (até 70 caracteres), resumo da proposta da mesa, a cargo do coordenador da mesa (até 1000 caracteres); resumo expandido (até 4000 caracteres com espaço) e resumo (500 caracteres) de cada proposta individual de comunicação integrante da mesa, bibliografia (1000 caracteres) e mini-currículo (500 caracteres) para cada um dos participantes da mesa.

Atenção: O proponente realiza a inscrição da proposta da Mesa e de sua apresentação individual no mesmo formulário. Os outros dois integrantes devem fazer a inscrição das apresentações de trabalhos individualmente (seguindo o modelo estabelecido paracomunicações individuais) em momento posterior à inscrição da proposta da Mesa, se associando a ela.

Calendário de inscrições:

·         De 13 de abril a 10 de maio – Inscrições Abertas
·         Até 04 de maio – Pagamento da anuidade (permitindo a inscrição de proposta para o Encontro Socine 2012)
·         De 10 de maio a 15 de junho – período de avaliação
·         17 de junho – divulgação dos trabalhos aprovados
·      De 17 de junho até 10 de julho – Período de pagamento da participação para os trabalhos aprovados para apresentação no Encontro 2012 

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Atenciosamente

Paula Paschoalick - webmaster

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Socine - Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual

Odô Yá, Salve Iemanjá!




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quarta-feira, 2 de maio de 2012

Aprovado@s para socialização em Teresina



XV CISO e Pré -ALAS Brasil         -  GT29 - 

Ciências Sociais & Cinema: entre narrativas, políticas e poéticas

 Relação de Trabalhos Aprovados:


1ª Sessão: Cinema, Identidade e Etnicidade
Por uma semiologia do cinema indígena brasileiro.
Cinema Indígena: Novos Registros de Velhas Práticas Sociais.
O índio no cinema mexicano hoje.
A perspectiva da cultura Xavante nos filmes de Divino Tserewahú.
Pankararu do Sertão de Pernambuco: auto-imagem e representação.
Imagens e narrativas de sertão em Cipriano, de Douglas Machado.
Tempo presente e tempo passado: representação racial no cinema brasileiro dos anos 2000. Reflexões.

2ª Sessão: Cinema e Política
A representação da narradora no curta-metragismo brasileiro do final dos anos 1970.
O cenário da distopia e a política das representações do cinema brasileiro.
Os discursos da biografia: imagem e política no cinema de Silvio Tendler.
Presença feminina no cinema brasileiro - por que estamos tão longe?
Ecos do Novo Cinema Latino Americano nas perferias brasileiras e colombianas no Cinema Contemporanêo.
Cinema africano: uma experiência revolucionária.
Zanzibar: política, sociedade e arte no trabalho de um grupo quase invisível.
O mal-estar na Europa Ocidental: a barbárie representada no documentário “Massacre em Madrid”.
“Cinema, Antropologia e AIDS: por uma antropologia das imagens”.

3ª Sessão: Cinema e Ciências Sociais, diálogos e experiências
Desnaturalizar a imagem cinematográfica.
A leitura zizekiana dos clássicos do cinema diante dos problemas centrais da Sociologia da Arte.
O cinema ficcional como instrumento didático no ensino das Ciências Sociais.
Educação Ambiental: Uma Abordagem Cinematográfica.
O relato de Wladislaw Szpilman e o filme "O Pianista": imagens de guerra no ensino de Sociologia.
A poesia em movimento: enraizamento e itinerância no repente.
A Prática Cinematográfica (Política) de Glauber Rocha em suas Relações com as Ciências Sociais.
O Documentário Etnográfico e Dziga Vertov: o caráter etnográfico em “A Sexta Parte do Mundo.”
O Extraordinário do Lixo: arte, catadores de lixo, produção e reprodução de refugos humanos.

4ª Sessão: Corpo, Técnica, Emoções, Cotidiano
Tecnologia e upgrade do corpo no cinema de ficção científica contemporâneo.
Quando o homem vira mosca: natureza, cultura e tecnologia no imaginário contemporâneo.
O cinema e a vida privada: discursos sobre a família nos filmes hollywoodianos contemporâneos.
Cinema Ultraviolence e hiper-realidade como figuração narrativa do cotidiano.
Bang-Bang: A tensão contemporânea de Les Amours Imaginaires.
Uma análise da liquidez dos relacionamentos sexo-afetivos em "Closer: Perto demais".
Estado, poder e desumanidade em Dogville.
A influência do trabalho e da práxis na evolução do homem: uma análise a partir de A Guerra do Fogo.

+ Infos: www.ciso2012.sinteseeventos.com.br

As novas formas de fazer Cinema




A indústria cinematográfica acabou

O diretor, produtor e roteirista cearense Francis Vale é, por assim dizer, a memória viva do cinema do Ceará, e porque não dizer do Nordeste. Diretor de cerca de uma dezena de filmes, Vale é sócio-fundador e ex-presidente da Associação Brasileira de Documentaristas – Secção Ceará (ABD-CE) – 1981-1985 e 1986-1987, entre outras entidades. O cineasta é referência na área cinematográfica, testemunha ocular e participativa de diversos episódios que tiveram o Cinema como pano de fundo. Nesta entrevista, Francis Vale é duro nas críticas a colegas do cenário cinematográfico, a quem chama de “coronéis de merda”, e afirma que a era digital exige uma outra postura sobre as novas oportunidades de se fazer cinema. 

Qual sua opinião sobre as novas formas de se fazer cinema no Brasil?

Francis Vale. Nós estamos na era digital. A tecnologia digital já revolucionou tudo. Mesmo assim o Ceará, por exemplo, está dando dinheiro através de editais para filmes em película. Mais de 1 milhão de reais. Para quê isso? Querem até fazer um laboratório de transfer (transferência de imagem digital para película). Como assim? Estamos na era digital. O pessoal não depende de câmeras e equipamentos pesados, analógicos, como antes. Hoje, com uma câmera de celular você grava um filme e ganha prêmio em festival. Nos festivais o que se busca é a criatividade. E tem gente que espalha para a meninada que só é cineasta quem faz filme em película, o que eu apelidei de “orgasmo pelicular”. Nós trabalhamos é com cinema de chaveiro, meu filho, no qual é possível colocar um filme de três horas dentro de um pen drive. Como é então que estão falando de um analógico que pesa 40, 50 quilos? Isso tudo é uma ruma de lata. O que nós estamos vendo hoje é uma mudança na qual as telefônicas vão poder emitir conteúdo. Elas vão pedir, cada vez mais, conteúdos curtos, de cinco minutos. Não vão querer que você veja um filme de duas horas em uma telinha. O próprio mercado que vai surgir com essa mudança, vai pedir conteúdos curtos. E mesmo assim o Ceará continua financiando filmes longos em película.  Ele está defasado, totalmente na contramão do mercado.

O senhor considera que falta política pública para o Cinema?

FV. Tem política pública, mas falta política de exibição. Mais de 70% dos filmes de longa metragem brasileiros não são exibidos. Eles são feitos e jogados na prateleira, mesmo os que são convertidos para película. As salas estão fechadas para eles, pois tudo está na mão das distribuidoras americanas. Para se ter uma ideia, 95% dos filmes exibidos no País são americanos. Filme brasileiro não tem nem em 10% das salas. E o governo faz de conta que age. No dia 23 de junho de 2010, o então presidente Lula baixou uma medida provisória incentivando a criação de salas populares, mas eu não conheço nenhuma sala dessas, a não ser a do Morro do Alemão (Rio de Janeiro), que por conta daquela pacificação já tem até 3D. Então não tem política de exibição. 

Se as salas de cinema não exibem de forma relevante o cinema brasileiro, quais saídas as produções estão encontrando? 
FV. O cinema brasileiro está sendo visto nos pequenos festivais e nos cine clubes, ou em uma ou outra escola. Mas isso não é representativo. Um filme sobre Antonio Carlos Jobim (“A Música Segundo Tom Jobim”) foi marginalizado aqui em Fortaleza. Então o que você quer?  Esse filme estava em três sessões: 14h, 18h e 22h. Depois botaram em só uma, às 18:30h. Perguntei se muita gente estava indo ver o filme, e me responderam que sim, pois caso contrário já teria saído de cartaz. Mas como não era tanta gente assim, já viu, reduziram. E olha que os donos do local onde ele estava sendo exibido, o Unibanco, eram sócios na distribuição do filme. Definitivamente não dá para competir com as salas de shopping. Elas estão no nosso território, mas não são nossas. Sabe quanto custa para lançar um filme nas salas de exibição? Sabe quanto você paga para lançar um filme desses? Cerca de 150 mil reais para os barões da imprensa. Caso contrário, não sai nada sobre o filme. Eu estou lançando o filme Dom Fragoso, mas não vou exibi-lo (o filme é sobre Antônio Batista Fragoso, paraibano que tornou-se o primeiro Bispo da Diocese de Crateús, no sertão cearense, e que trabalhou na organização dos trabalhadores rurais em meio ao regime militar). 

O senhor considera que a perspectiva de o Estado estar na contramão do mercado existe em outros Estados do Nordeste?
FV. Sim. O Brasil está na contramão do mundo. Os Estados Unidos já têm mais de 50% das salas digitalizadas e a Europa também. Está previsto para que em 2013 todas as salas americanas estejam digitalizadas. Aqui no País só tem 14% de salas digitalizadas. Detalhe: o Brasil tem hoje apenas 40% das salas que um dia já teve. E a garotada acaba querendo fazer filme em película para aparecer no cinema, já que há poucas salas digitais. E por que há poucas salas digitais? Porque os exibidores ficam esperando os benefícios fiscais para importarem equipamentos digitais com isenção. Eles têm equipamento analógico que dura 30 anos ou mais, enquanto o aparelho digital dura 10, 12 anos. 

Há muitos diretores surgindo no cenário nordestino? Como você vê essa nova safra?

FV. Na verdade eu não conheço muita gente até por conta das limitações. Eu tenho conhecido alguns lá pelo Festival de Jericoacoara (Ceará). Mas tem um pessoal surgindo sim, e é gente vinda do sertão. Os dois filmes cearenses que foram premiados em Jeri vieram de Acaraú e Quixeré. Tem um pessoal em Limoeiro, Russas, fazendo cinema bom, fazendo curta metragem. No Cariri tem também, mas esse pessoal é escondido. Os barões querem esconder esse pessoal com medo de eles pegarem a verba.

E quem são esses barões do Cinema?
FV. Ora, precisa dizer? Rosemberg Cariry e Wolney Oliveira (cineastas). Os coronéis de merda do cinema cearense. Esses caras são gigolôs da cultura, vivem a custa de dinheiro público desviado em orçamento. Por isso é que continua esse negócio de película, inviabilizando assim a abertura para mais gente. E é quando aparece mais gente que as pessoas vão se revelando, como nos Cine Clubes ou nos pequenos festivais. Já nos grandes festivais eles não aparecem porque lá só há desfiles de vaidade e premiação de filmes estrangeiros. É isso aí: o Cinema brasileiro está marginalizado e os festivais, inclusive o Cine Ceará, premiam filmes estrangeiros. É o dinheiro público indo para filmes de fora. Isso é que os coronéis de merda fazem, além de política de “puxa saquismo” com qualquer político que estiver no poder, a fim de sacar as verbas ou conseguir os patrocínios nos órgãos públicos federais, estaduais, municipais e privados. Então a receita para isso mudar é simples: abrir mais os editais. Aqui no Ceará, desde o governo de Lúcio Alcântara os editais fecharam. A modificação na lei feita pela dona Claudia Leitão (secretária de Cultura do Estado do Ceará, durante a gestão de Lúcio) inviabilizou muitos projetos ao reduzir prazos de captação, dificultando a vida dos artistas. Houve um grande prejuízo a partir dessa legislação do governo Lúcio Alcântara, e continua em vigor, barrando o trabalho de muita gente. Mas ninguém fala nisso. 

E como os novos cineastas estão conseguindo driblar esse cenário? 
FV. A questão da criatividade é um fator muito importante. Tem um rapaz de Pernambuco, muito talentoso, que ganhou um prêmio em cinema experimental lá no Festival de Jericoacoara (Ionaldo Araújo, vencedor da categoria Filme Experimental no II Festival de Cinema Digital de Jericoacoara, com o curta Uma Noite em 68). Ele ficou até surpreso, porque só tinha gasto 200 reais para fazer o filme e ganhou 5 mil reais. O que o Júri considerou? A criatividade dele. Os caras lá atrás fizeram um filme chamado Uma noite em 67 (filme de Ricardo Calil sobre a final do III Festival da Música Popular Brasileira, em 21 de outubro de 1967) e ele (Ionaldo) fez Uma noite em 68, só que pegou tudo da internet. Ele pegou o caso em que a Globo censurou o Geraldo Vandré (a música Pra não dizer que não falei de flores, de 1968, participou do III Festival Internacional da Canção, mas não ganhou supostamente devido a pressão militar), colocou uma imagem escura, a voz do Vandré,  e um texto. Pronto. O cara foi criativo, fez uma paródia. O digital permite isso. Esses meninos do Alumbramento (produtora formada por realizadores cearenses), pegaram um carro e fizeram um filme discutindo o próprio cinema. Custou dois mil reais. Foi citado pela ousadia. 

E o que dizer da indústria cinematográfica de Hollywood?
FV. A indústria cinematográfica acabou. Hollywood está pedindo perdão à China. O vice-presidente da China (Xi Jinping) esteve com o vice-presidente dos Estados Unidos (Joe Biden) discutindo o aumento das cotas para os americanos voltarem a ter qualquer 1% ou 2% do mercado chinês, pois Hollywood terminou o ano passado no vermelho. Então falar em indústria cinematográfica, em laboratório de tranfer para cá, é balela. Tem que investir é na moçada, na rapaziada, dar mais verba para eles fazerem as experiências deles, abrir mais a lei para facilitar o caminho dessa moçada. Mas há muita gente querendo dificultar isso para ficar comendo o pirão primeiro. A política de editais é correta, mas está errada. Do jeito que está sendo feito, está errado. Os Estados Unidos pediram para aumentar de 13% para 17,5% o percentual de lucro que os chinenes podem enviar de volta para os EUA. Pediram para aumentar a cota de filmes americanos também. A China só permite 20 filmes estrangeiros por ano. Aqui é o contrário, só temos direito a 28 dias para cada filme brasileiro. E nem isso ocorre porque não há fiscalização. Mas volto a dizer, no Brasil o grande problema é a distribuição.  Está tudo na mão deles. A distribuição e as salas. O fim da Embrafilme (Empresa Brasileira de Filmes) foi uma coisa de Hollywood. Ela financiava e distribuía o cinema brasileiro. 

Então o mercado é manipulado. 
FV. Sim, e ele manipula muito bem. Com muito dinheiro na mídia, sempre correndo para as grandes produtoras, com a Globo como associada, impedindo que os novos talentos surjam. Mas eles vão surgir de qualquer jeito, com governo, sem governo, ou até contra o governo, assim como surgiu o Cinema Novo, o movimento do Super 8.  No nosso tempo, o grande problema era arranjar uma câmera. Ela tinha que vir de fora. Hoje todo mundo tem câmera, ou um notebook com programa de edição. A minha filha fez um filme sozinha. A questão é o conteúdo e o que o Brasil está fazendo de real para se modernizar. A grande questão não é a construção de prédio, não é compra de equipamento, não se trata disso. Isso aí é jogar dinheiro fora. É desperdício. Os equipamentos estão aí na mão do pessoal. Não é por falta de equipamento que o pessoal está deixando de fazer, mas por falta de apoio. Eles não têm onde exibir, nem dinheiro para transporte, para a merenda dos  caras que estão filmando. Mesmo assim, eu lhe garanto que está saindo coisa boa. É só ir atrás. Tem a Associação Carnaubeira, em Russas (Ceará), por exemplo. Eles estão fazendo um bom trabalho, inclusive de animação, desenhos. Tem um quadrinista lá que é internacional, um cara que trabalha daqui para Londres, Nova Iorque, fazendo animação. No Ceará, várias cidades apresentaram trabalhos no Festival de Jericoacoara, mas essas coisas não aparecem. Tendo oportunidade, aparecem os talentos. 

Mas o número de desistentes deve ser grande diante de tantas dificuldades.
FV. Muitos desistem no primeiro ou no segundo filme. Dinheiro custa a chegar, demora a ter algum retorno, então eles enveredam para outras áreas. Eu que circulo nesse meio há cerca de 30 anos, vejo que a renovação é grande. Aqui as autoridades mandam a pessoa sair, ir para um centro mais adiantado. Já houve um governador que deu esse conselho a um artista. Essa é a mentalidade: “Faça como o Renato Aragão, vá para lá (Sudeste) e se dê bem”. Mas quantos foram e pastaram? Houve vezes em que a gente batalhou juntos aqui para ver se criava uma continuidade. O ponto de partida disso seria o Fundo Municipal de Cinema, que apoiaria filmes curtos para passar nas escolas, adaptando contos, historinhas aqui do Ceará contadas pelos historiadores. O principal alvo era a sala de aula, mas também as televisões etc. Uma fundação (Fundação Cearense de Cinema) também seria formada por um tripé: produção, formação, exibição. A política pública seguinte foi a legislação de incentivo no Governo do Tasso (Lei Nº 12.464, de 20 de junho de 1995, de incentivos fiscais à cultura). O então secretário da Cultura do Estado, Paulo Linhares, abriu a possibilidade de a gente fazer filmes. Essa foi a primeira vez que eu fiz filme com dinheiro público. Fiz cerca de nove filmes com e sem verba pública. Isso é o correto: dar condições aos artistas, como ocorreu em Jericoacoara. Lá o nome do prêmio é “Faça outro e volte o ano que vem”. O Cine Ceará começou como um festival de curtas e, hoje, para o curta não tem prêmio nenhum em dinheiro, só troféu. Ele se transformou em um evento Iberolatinoamericano, ou seja, um prêmio para a Espanha e Portugal, os nossos colonizadores. 

Como o senhor avalia a história do Cinema Brasileiro no Nordeste?
FV. Bom, vou começar falando que, do ponto de vista do cinema, Bahia não é Nordeste. Ela é à parte, pois está muito mais próxima do Rio de Janeiro. Tanto que Glauber Rocha e outros se mudaram para o Rio de Janeiro, e aí o Cinema Novo tomou força. O fato de os baianos fazerem filmes sobre o sertão, sobre o cangaço, não tira essa diferença, não inclui a Bahia no Nordeste quando se trata de fazer Cinema, até porque a Bahia estava quilômetros a frente do Cinema que se fazia em Pernambuco e do que se fazia aqui no Ceará, região em que o cinema se dava de uma forma episódica. Na Bahia sempre se esteve fazendo cinema: ou o pessoal de lá, ou gente filmando lá. Nelson Pereira dos Santos (diretor de cinema brasileiro), por exemplo, fez vários filmes (na Bahia), por isso muita gente achava que ele era baiano. Essa diferença precisa ser estabelecida. Geograficamente a Bahia é Nordeste, mas do ponto de vista do Cinema, não. A Bahia já fazia Cinema nos anos 1950 e se pagava na bilheteria. Coisa que os pernambucanos até fizeram em um ciclo da década de 1920. Já no Ceará isso nunca aconteceu.

Poderia falar um pouco sobre a memória cinematográfica do Ceará?
FV. É importante fazer justiça ao Ademar Albuquerque, fundador da Abafilm, um empresário rico, que orientou Benjamim Abraão (fotógrafo sírio-libanês-brasileiro), e este filmou o bando de Lampião e Maria Bonita. Benjamim era pior do que eu em fotografia, mas as únicas imagens que se tem de Lampião foram feitas por ele. O Ademar Albuquerque fez várias experiências a partir de 1924, fez trabalhos para o DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contras as Secas). Só que tudo isso parece não existir, pois você não encontra essa memória. Ela foi para o brejo. O único filme do Ademar que ainda existe é um do início da década de 1940, sobre uma visita do ex-presidente Getúlio (Vargas) ao Ceará, quando ele ainda era ditador. O filme já era até colorido. Hoje ele só existe por conta da Fundação Getúlio Vargas, que tem uma cópia preservada lá. Infelizmente parece que não existe o Ademar Albuquerque como cineasta. Falam do Benjamim, mas não falam do Ademar. Então o Ceará é essa coisa episódica. Pernambuco produziu grandes cineastas. Alberto Cavalcanti (diretor, roteirista e produtor cinematográfico brasileiro), por exemplo, brilhou na Europa, na Inglaterra. Depois voltou e fez alguns filmes. A produtora e atriz Aurora Duarte é cria dele. Houve mais alguns produtores pernambucanos, gente que inclusive arriscava grana. 

E os produtores cearenses não auxiliam o Cinema local?
FV. Os produtores que nós temos foram para fora do Estado. Alguns vêm ao Ceará aqui e acolá, mas nunca estiveram preocupados com o desenvolvimento do Cinema cearense. Salvo o Hermano Pena, que aos nove anos de idade saiu do Ceará, mais precisamente do Crato, e foi para Bahia, depois Brasília e São Paulo, mas que se preocupou com sua terra. Este formou gente aqui, fazendo a direção de fotografia dos curtas do Jeferson de Albuquerque Jr. O Hermano já tinha feito Sargento Getúlio (filme de 1983), que é um dos clássicos do cinema brasileiro, adaptado do livro do João Ubaldo Ribeiro. Ele veio aqui filmar e ensinava o pessoal lá no Cariri. Quem foram os alunos dele? Rosemberg Cariry, Firmino Holanda, Nirton Venâncio, Jackson Bantim, Luiz Carlos Salatiel, todo esse pessoal que até hoje continua. Foi o Hermano que ajudou a organizar os cineastas daqui naquele tempo, na Associação Brasileira de Documentaristas (ABD), entidade nacional.  

Quais reivindicações vocês fizeram naquela época?
FV. Íamos atrás de recursos, de saber como é que faz. Foi quando tentamos criar o Fundo Municipal de Cinema, em Fortaleza. Nosso poeta Barros Pinho era prefeito. Colocamos o projeto na mão do vereador Chico Lopes. Através desse Fundo, alimentado por recursos do ISS (Imposto Sobre Serviços)arrecadados dos cinemas, seriam financiados filmes de curta e média metragem de caráter cultural e educativo. Barros Pinho transformou isso em lei. Dois anos depois, na gestão da então prefeita Maria Luíza Fontenele, veio um decreto regulamentando e um Conselho foi nomeado, mas nunca funcionou. Nenhum prefeito colocou para funcionar, nem a Luizianne Lins (atual prefeita de Fortaleza). Quando a prefeita assumiu, mandei entregar a xerox de tudo a ela. E a Luizianne é do ramo, é da área, já havia feito alguns curtas. No entanto, a única coisa que ela fez foi a Vila das Artes (complexo cultural da Prefeitura Municipal de Fortaleza, vinculado à Secretaria de Cultura), um trabalho interessante. Eu respeito isso aí. Mas o “editalzinho”  de R$ 300 mil por ano é brincadeira, né? Bom, essa foi a primeira luta. Perdemos, mas está tudo em vigor. E não revogaram nada.

Como o Governo do Estado do Ceará se posicionou nesse cenário de fortalecimento do Cinema?
FV. Novamente Barros Pinho, então secretário de Cultura do Estado do Ceará (no final da década de 1980), criou uma Comissão Estadual de Cinema, nomeada para elaborar o estatuto da Fundação Cearense de Cinema. O estatuto está aqui, foi elaborado e passou pelo crivo da Procuradoria Geral do Estado. Quando Barros Pinho saiu e entrou a Violeta Arraes, a Comissão foi sepultada, a Fundação foi sepultada, e até um festival que eu e Eusélio Oliveira (cineasta) estávamos organizando, por solicitação do próprio Barros Pinho, também. E a história começou a ficar engraçada quando entrou o Polo Cinematográfico do Ceará (em meados da década de 1990), avaliado em 50 milhões de dólares. O Barretão trouxe uma planta baixa e botou na mesa do Tasso (Jereissati, então governador). Eu estava lá na plateia e vi de longe. Ele dizia: “Aqui é o lago artificial de 10 milhões de metros cúbicos, onde vamos fazer cenas de aventuras. Aqui são 10 mil metros quadrados de área construída etc”. Já tinha vindo tudo pronto, feito por um arquiteto francês. Eram não sei quantas salas de cinema, diversos laboratórios. O terreno que escolheram era onde é hoje o Horto Florestal, no município de Caucaia. Foi então que alguém mais atento pediu um estudo de viabilidade econômica, pela Finep (Financiadora de Estudos e Projetos). Desse estudo ninguém nunca ouviu falar, mas eu soube que ele desaconselhou o projeto. Agora estão querendo construir novamente. Falou-se que o  laboratório de transfer seria construído na cidade de Juazeiro do Norte. Ora, o analógico está acabado. Ninguém vai fazer mais filme analógico. É como eu disse: a tecnologia digital tornou tudo isso obsoleto.

Entrevista concedida aos jornalistas Francisco Bezerra e Lucílio Lessa  
lucilio@editoraassare.com.br

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terça-feira, 1 de maio de 2012

Filme na Rede, Novo Cinema?


Cinefilia online

Artigo escrito em 2010 para a revista Filme Cultura nº 53, de janeiro de 2011 (alguns números devem, portanto, estar defasados)
Você baixa seus e-mails pela manhã e recebe a mensagem de um amigo avisando que um filme raro dos anos 1970 acaba de ser disponibilizado num site de cinema online. Então você não resiste, pega um café e se refestela no sofá para assistir no seu notebook. Em seguida, visita o fórum do site para checar o que está sendo discutido sobre o filme. Navega depois para outros fóruns semelhantes, “conversa” com outros apreciadores do filme, sendo um de Manágua e um de Singapura. Deixa um comentário rápido no Facebook, recomenda o link do filme no Twitter e escreve um post para o seu blog. Por fim, visita o IMDb para verificar o que seus críticos favoritos escreveram sobre aquela obra-prima.
Mesmo sem entrar numa sala de cinema, sem conversar no barzinho, sem folhear qualquer publicação impressa nem gastar um tostão, você terá percorrido um circuito completo de autêntica cinefilia. O notebook, é claro, não se compara à tela grande, assim como a comunicação virtual não se equipara ao contato pessoal. Os nostálgicos dirão mesmo que o jornal eletrônico não tem as virtudes táteis e até olfativas da revista impressa. Já os contemporâneos argumentarão que nenhum cinema estaria exibindo “aquele” filme. E, afinal, de que outra forma você trocaria ideias com os tais cinéfilos de Manágua e Singapura?
Discussões à parte, o fato é que uma nova cinefilia se impõe para fazer face a uma nova forma de consumo do produto audiovisual. E por que não dizer, a um novo cinema. Um cinema descentrado, individualizado e não simultâneo, mas ampliado pela rede globalizada que já engendrou uma espécie de “novo coletivo”. 
Essas modificações na forma de consumo atingem não exatamente “o cinema”, mas um tipo de conformação dominante desde as primeiras décadas do século XX. O cinema narrativo industrial capitalista fincou suas raízes numa equação consagrada pelo cinematógrafo dos irmãos Lumière: muita gente vendo um filme ao mesmo tempo, num mesmo local, para viabilizar um modelo de negócio baseado na imersão coletiva e na imobilização do espectador. Daí surgiram as estratégias de sedução dos “palácios de sonhos”, do star-system etc. No entanto, essa não era a única configuração do cinema em seus primeiros tempos.
A pré-história do cinema é marcada por evoluções paralelas da exibição coletiva (lanternas mágicas, panoramas) e da fruição individualizada (o kinetoscópio, o mutoscópio e a infinidade de “brinquedos óticos” que colocavam a imagem em movimento ao alcance do espectador único). Os próprios Lumière desenvolveram o kinora, uma miniatura do mutoscópio destinada a exibições domésticas, que fez sucesso entre 1896 e 1912. Do flip book ao zoetrópio e ao praxinoscópio, uma miríade de dispositivos faziam do pré-filme algo portátil,  manipulável, “possuível” e dependente da mera vontade do consumidor. Algo bem diferente do aparato de projeção comercial que subjuga o público a escolhas, durações e relações institucionalizadas.
Não sem razão, alguns teóricos estão fazendo uma aproximação arrojada entre o pré-cinema e o pós-cinema. Tom Gunning chamou a atenção para o que diferia o “cinema de atrações” de parques e teatros de variedades – experiências por natureza fragmentadas e atravessadas por diferentes intertextos – do modelo estável e submissivo do cinema clássico narrativo hollywoodiano. Este, por sua vez, estaria sofrendo agora a séria concorrência de uma nova cultura de mídia, caracterizada por práticas transitórias, efêmeras e multiplicativas.
Não que o cinema dos primórdios e o audiovisual de hoje sejam a mesma coisa, mas o que se registra é a retomada de um estágio de transição. Muda a forma como a experiência social do cinema é articulada, interpretada, negociada e contestada entre as subjetividades a ela expostas. Velhas hierarquias de produção, distribuição e exibição vão perdendo sua força perante o advento de tecnologias que facilitam o acesso aos filmes e favorecem a mentalidade colaborativa.
Se essa tendência não é exatamente nova, tendo começado com a TV de controle remoto e prosseguido com as sucessivas gerações de vídeo doméstico, o marco atingido com a internet é de um efeito absolutamente exponencial. O acesso e o domínio dos meios de exibição individual ou em pequenos grupos criaram uma nova cinefilia que se propaga acima de territórios, fronteiras, convenções comerciais, restrições de direito autoral e plataformas tecnológicas. Nasceu daí o cinéfilo-autor, capaz de colecionar, comentar e discutir publicamente, avaliar, interferir, modificar, distribuir e exibir seus filmes prediletos. A fruição não se submete a horários, transportes físicos, nem arranjos de curadoria. Em lugar do espectador hipnotizado pela escala e fascinado pela oportunidade rara, temos de volta outra figura do fim do século XIX: o flâneur, que percorria a cidade ao seu bel-prazer, sem regras nem objetivos definidos.
A estética do relance está substituindo a estética da contemplação, aquela absorção ilusionista que caracteriza o cinema clássico. O consumo do audiovisual se desinstitucionaliza progressivamente, levando a pesquisadora Miriam Hansen a se perguntar se o modelo de projeção clássico não terá sido um mero interregno na história do cinema, em vez de padrão definitivo.
A indústria tem reagido como pode para preservar sua hegemonia. Investe sobretudo em ferramentas de imersão como os mutiplexes, as gigantescas telas Imax e a profundidade do 3-D. No entanto, movimentos contrários se realizam no ambiente do pós-cinema e na confluência das novas mídias. As imagens não “pertencem” mais aos equipamentos e recintos tradicionais, mas, como observou André Parente, se desmaterializam e se dispersam por galerias, museus, parques e mesmo o espaço urbano. Um cinema da mobilidade se instaura em oposição ao da imobilidade, carregando o espectador para realidades virtuais, experiências interativas e extensões do espaço narrativo no domínio da transmídia.
Esse cinema expandido é a contrapartida pública para a dispersão do audiovisual que também ocorre no ambiente doméstico através de televisores, computadores ligados na banda larga, jogos eletrônicos e celulares. Os arquivos de vídeo já são o conteúdo campeão de tráfico na grande rede. O advento da internet televisionestá promovendo a conexão absoluta para uma nova era de entretenimento audiovisual.
Os novos cinéfilos já contam com um mar de possibilidades a seu alcance. Fóruns, comunidades virtuais, “salas” online, clubes de download, portais de teoria e crítica se oferecem gratuitamente ou a preços módicos na web. Sites, blogs pessoais e redes sociais repercutem recomendações, comentários e apreciações de filmes. Críticos de respeito como o americano Jonathan Rosenbaum têm se debruçado sobre as características dessa nova cinefilia, enquanto filmes como Rebobine, por favor, de Michel Gondry, vão fazendo a sua crônica.
O número de comunidades on line dedicadas ao cinema é certamente maior que o total de grupos físicos de cinefilia já formados desde os tempos de Méliès. Elas podem ser genéricas ou tão especializadas quanto as de filme noir, cinema dos anos 80, compradores de Blurays ou fãs de determinada celebridade. Têm maior incidência nos EUA, mas integram participantes de qualquer parte do mundo. O internauta pode se cadastrar gratuitamente nos fóruns de chat e participar da grande conversa global. Os produtores e distribuidores de filmes costumam consultar os principais fóruns para obter feedback e mesmo recrutar admiradores e potenciais divulgadores de seus trabalhos. O site One Fat Cigar, por exemplo, trabalha para construir bases de fãs para novos filmes.
O site de cinema mais frequentado do mundo, o IMDb (Internet Movie Data Base) abre espaço para o novo cinéfilo conhecer detalhes da equipe e da produção dos filmes, conferir a opinião de críticos internacionais, ter acesso a sites oficiais, reportagens, fotos e trailers, e ainda dar sua cotação pessoal, postar sua própria resenha e discutir o filme no fórum respectivo. O ultracinéfilo Claudio Carvalho é o maior colaborador brasileiro do IMDb e o sexto mais prolífico no cômputo global, tendo já postado quase 5.000 resenhas (em inglês), parte delas sobre filmes brasileiros. Ele próprio tem sua micro-comunidade instalada no Blog dos Maníacos por Filme (os termos “louco”, “doido” e “maníaco” são bastante comuns nessa área editorial).
Quando se chega à oferta de filmes, o volume e a variedade são acachapantes. Ali se encontram o consumidor  ávido, o colecionador compulsivo e o cineclubista generoso. À margem da lei e muitas vezes dos bons princípios da qualidade técnica, a cada dia milhares de filmes são colocados na rede para visionamento online ou download. A imensa maioria dos sites tem, digamos, entrada franca. Mas existem também os clubes VIPs de download, onde se pode entrar apenas por convite de algum membro já estabelecido e confiável. É o caso do Cinematik.net, cujos felizes integrantes podem baixar o melhor do cinema de arte mundial em completíssimas edições de DVDs de selos prestigiados como Criterion (atualmente este site está fora do ar).
O cinema experimental e as vanguardas de várias épocas têm seus nichos em sites como Ubuweb The Sound of Eye, que permitem visualização online e download de materiais considerados não exatamente comerciais. Uma simples consulta no Google descortina um vasto mundo de preciosidades ao alcance dos dedos.
Uma das comunidades mais cultas do setor atende por Mubi. Paraíso de filmes independentes, clássicos e não-americanos, veiculados gratuitamente ou a preços ínfimos, o Mubi oferece aos seus frequentadores todas as ferramentas da nova cinefilia, além de uma excelente curadoria de textos sobre cinema. A comunidade já reúne mais de 260.000 membros registrados em 177 países. Parcerias do Mubi com Martin Scorsese, a Criterion, a Sony e a superlocadora americana Lovefilm estão prometendo levar o consumo doméstico de filmes a um novo patamar.
Algumas das maiores locadoras americanas de DVDs e Blurays, que há tempos vêm disponibilizando filmes nas telas do computador, agora acenam com a transferência online diretamente para o televisor do cliente e com qualidade HD. O mesmo serviço estava sendo anunciado em novembro por um portal de internet brasileiro. Dependendo do home theatre, as condições de exibição podem ser quase tão boas quanto nas melhores casas do ramo.
O cinema online tem servido também para expandir o alcance de mostras e eventos com sede fixa. O Mubi, por exemplo, associou-se às duas últimas edições da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo para exibir uma seleção de filmes gratuitamente em qualquer computador do Brasil. O site brasileiro Porta Curtas, criado em 2002 e hoje com 213 mil navegadores cadastrados, faz frequentes parcerias com festivais e mostras de curtas. Até o irreverente cineclube cariocaMate com Angu tem se beneficiado da expansão online. Vez por outra, suas sessões são transmitidas pela AnguTV diretamente de um certo “Buraco Cavernoso”.
A emergência desses novos hábitos e relações com o produto audiovisual não está imune a questionamentos. Estaríamos vivendo uma Idade Mídia de fato revolucionária, com a formação de novos agentes da cultura, ou um período de promoção da inércia, uma nova forma de passividade? Serão os grupos de afinidade na internet um instrumento capaz de fragmentar o público em nichos cada vez mais estreitos, criando insularidade e câmaras de eco para as opiniões, minando assim as oportunidades para o debate produtivo entre os indivíduos com diferentes visões de mundo? Ou estarão os usuários contemporâneos da web, com mais frequência do que nunca, forjando alianças e encontrando interseções com estranhos que seriam radicalmente diferentes deles no “mundo real?”
Para a nova cinefilia, resta saber se será capaz de assegurar para a posteridade a importância do cinema como memória coletiva, um tesouro do século passado que nos cabe preservar ou diluir.
Originalmente publicado em:  …rastros de carmattos

IMAGINÁRIOS DE CINEMA E MODA



Descrição
Nos dia 17 e 18 de maio, acontecerá o II ENCONTRO DE CINEMA DA UNESA, que tem como objetivo debater aspectos diversos presentes nas imagens cinematográficas em suas propriedades de criar IMAGINÁRIOS DE CINEMA E MODA.

Verificaremos como tais imagens que desafiaram o pensamento e a criação estética influenciando diversos campos do conhecimento durante o século, encontram na moda um aliado, para provocar mudanças no comportamento e na subjetividade contemporânea, em sua potência de criar imaginários.

Durante estes dois dias, manhã e noite, reuniremos em 4 diferentes mesas, três palestrantes, incluindo professores do curso e de outras instituições brasileiras.Essa troca, reunindo cinema e moda, com professores de áreas diversas, acentuará a importância dos cursos de Cinema e Design de Moda da UNESA destacando seus lugares como produtores de pesquisa na cidade do Rio de Janeiro.

DIAS- 17 E 18 DE MAIO
HORÁRIO: 
17 DE MAIO- 9:00-12:00- CAMPUS REBOUÇAS
19:00-22:00- CAMPUS REBOUÇAS

18 DE MAIO- 9:00-12:00- CAMPUS TOM JOBIM
19:00-22:00- CAMPUS REBOUÇAS

Informações básicas

Nascimento2012

LocalizaçãoRua Do Bispo, 83 - Sala de Cinema, 20.261-063

AfiliaçãoCurso de Cinema