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terça-feira, 27 de maio de 2014

A pesquisa antropológica em um mundo dominado pela imagem

Por José Tadeu Arantes

Agência FAPESP – “A Antropologia tem sido, predominantemente, uma disciplina de palavras: uma disciplina na qual se fala, se escreve, se lê. E o mundo de hoje é, cada vez mais, um mundo de imagens e de interatividade. Como a pesquisa antropológica pode se aproximar da linguagem do mundo contemporâneo, sem sacrificar o conteúdo daquilo que é pesquisado?”

Foram reflexões como essa, apresentada por Sylvia Caiuby à Agência FAPESP, que motivaram o Projeto Temático “A Experiência do filme na Antropologia”, atualmente em fase de conclusão. Professora titular na área de Antropologia da Imagem da Universidade de São Paulo (USP) e diretora do Centro Universitário Maria Antonia (Ceuma), Sylvia é a pesquisadora responsável pelo projeto, que tem o apoio da FAPESP.

“Já estamos no terceiro Temático apoiado pela FAPESP. O financiamento aos dois projetos anteriores e a verba obtida por meio do Programa de Apoio à Infraestrutura permitiram modernizar e equipar o Laboratório de Imagem e Som em Antropologia (Lisa), dotando-o de uma infraestrutura ímpar em termos acadêmicos na América do Sul”, disse Sylvia.

Ligado ao Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, o Lisa abriga um acervo com cerca de 1,6 mil vídeos, 8 mil fotos (em papel, diapositivos e negativos de vidro) e mais de 180 horas de material sonoro (em CDs, fitas cassetes e discos), além de documentos de referência (livros, teses e catálogos). Grande parte desse material foi digitalizada e ele está agora arquivado em dois conjuntos de HDs, de 18 terabytes cada, com backup em uma nuvem computacional instalada fora da universidade.

Um destaque do acervo do Lisa é a enorme coleção de fotos em papel de Lux Vidal, professora emérita da USP, que trabalhou durante anos com os Kayapó-Xikrin. Também notáveis como registros que documentam, em parte, a própria história da Antropologia são as fotografias feitas pelos etnólogos alemães naturalizados brasileiros Herbert Baldus (1899-1970) e Curt Nimuendajú (1883-1945) e pelo antropólogo francês Claude Lévi-Strauss (1908-2009), entre outras.

Curt Nimuendajú (1883-1945)
O Lisa ocupa duas unidades no Conjunto Colmeia da USP e dispõe de sala climatizada e desumidificada com estantes deslizantes para acondicionamento do acervo, auditório para projeção audiovisual, duas ilhas de edição de vídeos (uma em plataforma PC e outra em Mac) e sala acusticamente isolada para edição de som, entre outros equipamentos.

Todos esses recursos estão à disposição de pesquisadores, professores e alunos de Antropologia. E o público, em geral, pode ter acesso, via internet, ao banco de dados do acervo, com a relação completa dos filmes e sinopses, e busca por título, diretor e palavras-chave, bem como à versão integral de 90 filmes produzidos no próprio Lisa. Basta cadastrar-se no site http://www.lisa.usp.br/.

O Lisa reúne atualmente três grupos de pesquisa: o Grupo de Antropologia Visual (Gravi), coordenado diretamente por Sylvia; o Núcleo de Antropologia, Performance e Drama (Napedra), coordenado por John Cowart Dawsey, que concluiu recentemente o Projeto Temático “Antropologia da Performance - Drama, Estética e Ritual” , também apoiado pela FAPESP; e o grupo Pesquisas em Antropologia Musical (PAM), coordenado por Rose Satiko Gitirana Hikiji, que também coordena o Lisa como um todo.
“Em linhas bem gerais, o grande objetivo do nosso projeto temático “A Experiência do filme na Antropologia” é desenvolver formas narrativas que venham se somar ao texto verbal. Como trabalhamos com imagens e sons, seja por meio da análise da documentação audiovisual, seja por meio da produção de resultados de pesquisas, todas as áreas da antropologia, todos os subtemas da antropologia, podem se beneficiar daquilo que fazemos”, comentou Sylvia.

Darcy Ribeiro já buscava isso...

Mas a pesquisadora enfatizou que a relação, absolutamente necessária, entre a produção audiovisual e a antropologia não é tarefa fácil. “Como retratar um ritual funerário em um filme?”, exemplificou.

O filme Funeral Bororo, de Maureen Bisilliat, gravado e editado em 1990, tem como matéria prima original o registro documental etnográfico de um funeral de um chefe da nação Bororo. Esta documentaçao foi realizada em 1953 pelo fotógrafo alemão Heinz Forthman (foto) e por Darcy Ribeiro, ambos professores da Unb, o primeiro de Fotografia de Cinema e o segundo de Antropologia.
“Não podemos fazer algo simplista, ou sensacionalista, ou que desconsidere os princípios éticos que balizam a disciplina. Ao mesmo tempo, precisamos levar em conta as especificidades da linguagem cinematográfica, e não fazer a mera transposição do texto acadêmico para o filme. As pesquisas tipicamente antropológicas são estudos de longo prazo, nos quais o pesquisador estabelece relações de confiança e procura captar o ponto de vista do outro. Como apresentar cinematograficamente ou por meio de um ensaio fotográfico os resultados?”, prosseguiu.


De certa forma, a distinção tradicional entre o trabalho do cientista e o trabalho do artista precisa ser superada. “Essa superação de barreiras conceituais é algo que já ocorre, por exemplo, em relação à dicotomia entre documentário e ficção. Verificamos que essa distinção não é operacional”, disse Sylvia.
“A palavra ficção vem do latim fictio, que significa inventado, fabricado. Mas todo documentário é também fabricado, é também construído – no caso, construído pelo pesquisador na relação com as pessoas pesquisadas. As pessoas documentadas em um filme querem aparecer de determinada maneira e não de outra; elas escolhem a maneira como sua imagem deve se tornar pública”, disse.
Nanook of the North (Nanuk l'esquimal), 1922, Robert J. Flaherty.
O personagem Nannok no filme de ficçao KABLOONAK (1993), de Claude Massot. Que narra uma outra história da realizaçao do filme Nannok do Norte entre os Innuit (ou Esquimós), considerado o primeiro documentário do Cinema e a trajetória posterior de Robert J. Flaherty.
Ao mesmo tempo – lembrou a pesquisadora –, várias sociedades indígenas, com a assessoria de antropólogos, estão atualmente transformando em filmes suas narrativas míticas. “São filmes encenados, nos quais pessoas da comunidade representam os papéis dos vários personagens míticos. Um filme como esse é documentário ou ficção? Não há divisão clara”, argumentou.
O maior ou menor sucesso no enfrentamento desses e de outros desafios pode ser avaliado assistindo-se aos filmes disponíveis no site do Lisa. Vários deles foram levados a público recentemente na mostra “Contro-Sguardi: retrospectiva do festival de cinema antropológico” , exibida em São Paulo, no Cine Livraria Cultura, no Centro Universitário Maria Antonia e no Cinusp Paulo Emilio, entre 14 e 30 de abril.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Dossiê "Cinema, Gênero e Sexualidade"



A revista Bagoas - estudos gays: gênero e sexualidades(UFRN) acaba de publicar o dossiê "Cinema, Gênero e Sexualidade", organizado por Zulmira Newlands Borges e Laure Garrabé:

Os autores aqui reunidos têm desenvolvido em suas universidades pesquisas sobre os temas de direitos sexuais, gênero, sexualidade, saúde, corpo, autonomia reprodutiva, direitos humanos, contribuindo direta ou indiretamente para o debate no campo do ensino da sexualidade e do gênero nas escolas. Amparados por referenciais teóricos da antropologia, da educação, dos estudos feministas e em especial de Michel Foucault, os artigos apresentam, em linguagem acessível e voltada para um público escolar, interpretações que questionam a visão essencialista da sexualidade (centrada na visão do corpo como um reduto dos instintos) para discutir a sexualidade e o gênero como construções contextuais e históricas.

A maioria dos artigos propõe a análise antropológica e pedagógica de filmes que tratam de gênero e da sexualidade em uma perspectiva comum do respeito à diversidade sexual e de gênero e dos direitos sexuais. Parte-se do princípio de que o cinema também é um discurso sobre gênero e sexualidade e que retrata a expressão de um autor/diretor, mas também reflete muito dos valores/racionalidades/moralidades vigentes em um dado momento histórico e em uma dada sociedade.

A proposta de realização do dossiê está relacionada à potencialidade do cinema como instrumento pedagógico, no sentido de que é também uma pedagogia culturalmente situada sobre os marcadores de gênero e sexualidade. Os artigos aqui selecionados se propõem a oferecer uma visão crítica acerca dos filmes, situando os eventos e as moralidades em termos históricos e discursivos, evitando, assim, reforçar marginalidades e estigmatizações.

Os ensaios refletem em grande medida uma análise fílmica e uma interpretação qualificada por trabalhos e experiências prévias de pesquisa. No entanto, não se trata de proceder a uma interrogação sobre a imagem, embora esta seja permanentemente o alvo da análise. Trata-se de analisar experiências do ver,tomando em conta a difusão debandada pelo maior acesso às tecnologias visuais, a partir da apreensão dos eixos corpo, gênero e sexualidade. 

Link para a revista: 

http://www.periodicos.ufrn.br/bagoas/issue/view/359/showToc



quinta-feira, 22 de maio de 2014

Cinema na Barcelona Libertária novamente...


Entre os dias 28 e 31 de maio ocorrerá em Barcelona a 4ª Edição do Festival de Cinema Anarquista de Barcelona. O festival ocorrerá na Casa de la Solidaritat no bairro do Raval. 
A edição deste ano contará com o filme "Anarcovândalos em Townsville", curta feito pela Biblioteca Terra Livre e exibido no Festival do Filme Anarquista e Punk de São Paulo em dezembro do ano passado.
Em breve o filme estará disponível na internet.



Lista dos filmes aqui: fcab.tk.
The Poster and two promotion videos
see here:http://wp.me/pIJl9-5uV

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http://antrocine.blogspot.pt/2013/07/louise-michel-rebelde-franca-solveig.html
   http://www.antrocine.blogspot.com.br/2013/04/somos-as-imagens-que-vemos.html    
 

"Com todo amor de que disponho" - DIVULGANDO...

http://catarse.me/pt/comtodoamor

Nada mais triste que uma carta que não foi entregue
Atrás das palavras há expectativa, ansiedade, confissões, entrega. E sem a entrega, ela fica incompleta.
Com Todo Amor de que Disponho é um filme de estrada, um road movie, desses que cortam centenas de quilômetros para narrar uma história. Luís está em viagem, mas não sabemos para onde. No caminho, uma carta endereçada para Foz do Iguaçu. Na carta, um mistério.
Não é apenas um curta com uma pitada de thriller psicológico, mas é também um filme que estará misturando um olhar ficcional e documental para enxergar o outro.
Um roteiro que não vira filme é tão triste quanto uma carta que não foi entregue
Atrás das palavras há sons, imagens, cenários, atores, produção, figurino, equipe.
OS CUSTOS
Fazer cinema custa muito caro. Mas para realizar esse projeto já temos quase tudo que é necessário, pois o mais dispendioso já conseguimos: uma equipe comprometida e talentosa que está doando seu esforço em prol do projeto. No entanto alguns custos são incontornáveis, e é por isso que resolvemos abrir esse Catarse.
ORÇAMENTO
De forma bem resumida, o dinheiro será usado assim:
- Deslocamentos da equipe (lembra, é um filme de estrada) – R$ 810.00;
- Hospedagens – R$ 1200,00;
- Alimentação – R$ 560,00;
- Ítens para arte e figurino – R$ 520;
- Aluguel de equipamentos de fotografia e iluminação – R$ 2.000,00;
- Ajuda de custo aos atores – R$ 1.000,00;
- Comissão do Catarse – R$ 910,00.
A pós-produção e as recompensas vão ficar por nossa conta. :)
Se precisar de mais informações, você pode entrar em contato comigo pelo emailaristeuaraujo@haverfilmes.com.br, ou pelo www.facebook.com/aristeuaraujo, ou pelowww.twitter.com/aristeuaraujo. Tem ainda minha página pessoal www.aristeuaraujo.com.br e a da minha produtora www.haverfilmes.com.br .
A NOSSA EQUIPE
Aristeu Araújo – Direção, roteiro e montagem
Sofia Helena – Roteiro, assistência de produção e still
Chris Spode – Direção de produção
Denise Soares – Assistência de direção
Thaís Grechi – Direção de fotografia
Charlene Rover – Assistência de fotografia
Guilherme Empke – Técnico de som e edição de som
Luiz Lepchak – Trilha original
Clarissa Koppe – Figurinista
SOBRE O DIRETOR
Aristeu Araújo é diretor, roteirista e montador, tendo passado por mais de 40 filmes. Já dirigiu seis curtas-metragens, entre eles Naquela noite ele sonhou com um mar azul e Por que Corro?. Entre os anos de 2007 e 2013 foi editor de conteúdo da Revista Moviola (www.revistamoviola.com.br), site voltado à crítica de cinema. Também já atuou em diversas produtoras no papel de diretor e montador. Atuou por dois anos como programador de cinema do Sesc Paço da Liberdade, em Curitiba. Em janeiro deste ano, realizou o evento Cinema na Praça, quando foram exibidos filmes em praça pública, tendo tido grande aceitação por parte do público e mídia. Entre 2000 e 2008 trabalhou como jornalista em diversas áreas.
SOBRE A PRODUTORA HAVER FILMES
A nossa produtora, a Haver Filmes, já tem no currículo alguns importantes curtas-metragens. Atualmente finaliza o curta-metragem Chinês É Tudo Igual, com direção de Denise Soares. O filme foi subsidiado pelo edital do Mecenato 2011, da Fundação Cultural de Curitiba, com previsão de lançamento para agosto de 2014. Ainda também para 2014, a Haver Filmes produzirá a mostra Ser Tão Pop, um projeto patrocinado pela Caixa Cultural e voltado a exibição de filmes contemporâneos brasileiros.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Chamada de trabalhos Revista ECO-PÓS 2014


A Revista ECO-PÓS, publicação da Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Escola de Comunicação da UFRJ, dedicada à análise do papel da comunicação e da cultura no mundo contemporâneo, lança chamada para receber artigos para para os dossiês temáticos de 2014: "Comunicação e conflitos políticos", "Transformações do visual e do visível" e "Comunicação e gosto".
Vol. 17.1 (2014). Comunicação e conflitos políticos
Contemplará contribuições sobre os processos comunicacionais envolvidos em conflitos políticos, privilegiando aqueles que abordarem os seguintes assuntos: os fluxos comunicativos como arenas de lutas; os usos políticos dos meios de comunicação; as estruturas midiáticas e as configurações da opinião pública em regimes totalitários e democráticos; a comunicação totalitária em regimes nazifascistas, no populismo e nas ditaduras sul-americanas, nos regimes de exceção, nos países socialistas, nas ditaturas africanas e árabes; os processos comunicacionais em tempos de guerra; as relações entre mídia, política e violência urbana; a censura política e o controle social dos meios de comunicação; a democracia e o direito à comunicação; a concentração dos meios de comunicação e a luta pela liberdade de expressão; tensões e contradições na estrutura dos meios de comunicação em regimes democráticos; as eleições e os conflitos partidários em espaços midiáticos; o lugar dos meios de comunicação na constituição de debates públicos acerca de deliberações governamentais; a cobertura jornalística dos escândalos políticos; o papel das tecnologias de comunicação na configuração de movimentos sociais; a biopolítica e a resistência na comunicação em rede; e, por fim, as narrativas midiáticas no trabalho de constituição discursiva de experiências traumáticas resultantes de conflitos políticos (torturas, prisões políticas, ditaduras, guerras, terrorismo).
Prazo para envio de textos: 21 de março de 2014.

Vol.17.2 (2014). Transformações do visual e do visível
Contemplará estudos sobre as transformações da cultura visual e dos regimes de visibilidade nas sociedades moderna e contemporânea, especialmente aqueles que abordem tais dimensões: as mediações tecnológicas e as reconfigurações da experiência visual; o papel dos dispositivos audiovisuais na construção do olhar; os regimes de historicidade da visualidade; o fetichismo da imagem e a cultura do consumo; a crise do real e a espetacularização; as reconfigurações do público e do privado na sociedade da imagem; os simulacros, a simulação e a hiper-realidade; a impregnação da imagem na vida cotidiana e as possibilidades de transmutação do imaginário em imagens tangíveis; os hibridismos entre imagens e objetos; as narrativas visuais pós-fotográficas; as diferentes estratégias de produção de “efeitos de real” nos discursos imagéticos; o “ao vivo” e o “tempo real” no telejornalismo e em outras performances da imagem; articulações e tensões entre o ficcional, o jornalístico e o documental; a cultura participativa e os novos produtores de imagens;  as imagens da multidão, da massa e do povo; as disputas pela visibilidade; a política de imagens e as imagens da política; os dispositivos midiáticos nos processos de constituição do visível e do invisível; e, também, as imagens de vigilância na constituição de um novo regime de visualidade.
Prazo para envio de textos: 20 de junho de 2014.

Vol. 17.3 (2014). Comunicação e gosto
Contemplará estudos acerca das configurações do juízo estético nos processos comunicacionais na sociedade contemporânea ou em outros momentos históricos, privilegiando aqueles que abordarem os seguintes aspectos: as relações entre os produtos midiáticos e a constituição de gostos; a mídia como um conjunto de dispositivos de estetização da vida cotidiana; o consumo como classificação social e distinção cultural; as classes sociais e a configuração de preferências de gosto; o consumo de luxo; o gosto popular, o brega e o kitsch; a cultura material e os sentidos do gosto; os estilos de vida e a cultura do consumo; a experiência estética no mercado de bens culturais; o debate sobre a qualidade dos meios de comunicação; os estilos musicais, as identidades culturais e a questão do gosto; as disputas de gosto; o gosto como um sistema de valores; o lugar da crítica cultural na (re)produção juízos de valor; as celebridades, os fãs e as disputas pela autenticidade; e, enfim, o gosto como critério de estratificação social, de distribuição de produtos e serviços e de hierarquização dos espaços urbanos.
Prazo para envio de textos:  19 de setembro de 2014.

Envio de trabalhos pela plataforma da revista: http://www.pos.eco.ufrj.br/ojs-2.2.2/index.php?journal=revista.
A ECO-PÓS recebe textos com autoria de doutores. Aqueles que não possuem tal titulação podem assinar artigos em coautoria com pesquisadores doutores. Essa restrição não ocorre para as resenhas.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Não vivamos mais como escravos! Yannis Youlountas. (Grécia, 2013)

via Biblioteca Terra Livre


Ao longo das últimas semanas a Biblioteca Terra Livre trabalhou na tradução da legenda do documentário “Não vivamos mais como escravos!“. O documentário produzido em 2013 aborda, a partir de uma perspectiva anarquista, a atual situação social, política e econômica grega, apresentando as causas da crise bem como as estratégias adotadas por coletivos e militantes anarquistas em resposta a esta.


Sinopse:
Não vivamos mais como escravos!
Um filme de Yannis Youlountas
Agosto 2013 / Duração: 89 minutos
Emergindo das catacumbas gregas da Europa, um murmúrio pelo continente devastado, “Não vivamos mais como escravos” (pronuncia-se “Na min zisoume san douli” em grego).
Nas paredes das cidades e nas rochas do campo, nos outdoors vazios ou destruídos, em jornais alternativos e rádios rebeldes, em ocupações, squats e centros auto-organizados que se multiplicam… este é o slogan que a resistência grega esta difundindo, dia após dia, e estão nos convidando para nos juntar a eles em uníssono às melodias do filme.
Um sopro de ar fresco, emoções e utopias em ação que emergem do mar Egeu.


Para ativar a legenda em PORTUGUÊS clique no ícone “Legendas ocultas” (no canto inferior direito do vídeo) e selecione a opção PORTUGUÊS.
O filme é publicado sob licença Creative Commons.
Site oficial do filme:
http://nevivonspluscommedesesclaves.net/
https://www.facebook.com/NeVivonsPlusCommeDesEsclaves

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sexta-feira, 25 de abril de 2014

Livrasso definitivo sobre o nosso Cinema, urge ser traduzido!

Madame Satã

Brazil: Directory of World Cinema

Foi lançado em Londres o livro Brazil: Directory of World Cinema, co-editado por Dr Louis Bayman (Kings College Londond) e Dra. Natália Pinazza (University of London). O volume faz parte te uma série intitulada World Cinema Directory que já teve versões de diversos países e traz um apanhado do nosso cinema em onze capítulos, precedidos de algumas introduções que fala inclusive de Carmem Miranda, que não deixa de ser uma difusora de nossa arte apesar de portuguesa e vivendo nos Estados Unidos.

Interessante que, ainda na introdução, o livro destaque três cineastas brasileiros Glauber Rocha e Walter Salles, representando duas gerações distintas, e José Mojica Marins, criador do famoso personagem Zé do Caixão. Todos com resenhas resgatando seu estilo e história. Já os capítulos trazem reviews de diversos filmes, separados por tema ou época, onde colaboradores dos mais variados falam sobre cada filme selecionado.

Ganga BrutaO primeiro capítulo fala dos primeiros anos (Early Years), resgatando obras e cineastas das primeiras tentativas, dos ciclos regionais, fico feliz em ver algo sobre Humberto Mauro, tão esquecido por aqui, com resenha de Ganga Bruta. E claro, não poderia faltar Limite, o lendário e único filme de Mário Peixoto. Depois vem o capítulo do Cinema Novo, com obras como Vidas Secas, Opinião Púbica e, de maneira questionável, O Pagador de Promessas, nosso vencedor da Palma de Ouro em Cannes, de Anselmo Duarte que, na verdade, não fazia parte do movimento e Glauber Rocha chegou a criticar publicamente.

Se Eu Fosse VocêO terceiro capítulo é intitulado Gender, ou seja, gênero, que tenta definir uma espécie de gênero brasileiro. Chegam à conclusão de que isto é bastante heterogêneo, principalmente de acordo com a época, criando um capítulo bastante eclético onde inclui filmes como À Meia Noite Levarei Sua Alma, Deus e o Diabo na Terra do Sol, Se Eu Fosse Você, Amores Possíveis entre outros.

Temos, então, o capítulo musical, onde a música se torna parte importante do filme, não necessariamente um musical nos padrões Hollywoodianos. Temos aqui filmes como Dona Flor e seus Dois Maridos, Orfeu Negro, Cazuza - o tempo não pára, Eu, tu, eles, Rio, Zona Norte, entre outros.

No próximo, vemos o título Afro-brazilian identity, com destaque para Besouro, filme de João Daniel Tikhomiroff, que de justificável só tem mesmo o fato de ser um filme que valorize a cultura afro-descendente. Mas, o capítulo traz ótimos exemplares como Cidade de Deus, Quase dois irmãos, Jubiabá, Madame Satã e Xica da Silva.

Caramuru - a Invenção do BrasilE se falamos dos negros, o próximo capítulo é dos Índios, resgatando obras como Iracema, uma transa amazônica, Brincando nos campos do senhor, Caramuru - a Invenção do Brasil, O descobrimento do Brasil (outro filme de Humberto Mauro), Brava Gente Brasileira e Como era gostoso o meu francês. Senti falta do recente Xingu, mas este só surgiu quando o livro já estava em finalização, então, é compreensível.

O capítulo Diáspora traz obras que abordam imigrantes ou emigrantes brasileiros e estrangeiros. Temos interessantes representantes como O Ano Em Que Meus Pais Saíram De Férias, Desmundo, O homem que virou suco, Jean Charles, O Quatrilho, entre outros. Seguido do capítulo Documentários, que nos traz obras como Ônibus 174, Jogo de Cena, Garrincha Alegria do povo, Santiago, O Prisioneiro da Grade de Ferro, Cabra Marcado para Morrer e Viramundo.

Brazil: Directory of World CinemaAs adaptações literárias ganham um capítulo à parte, com obras como A Hora da Estrela, Memórias do Cárcere, Tenda dos Milagres, O Invasor, Lavoura Arcaica e Estorvo. Mas, chama a atenção mesmo o próximo capítulo intitulado Comédias, que felizmente nos mostra bons exemplares do gênero e não a proliferação que vemos hoje. Vemos na seleção obras como Tudobem de Arnaldo Jabor, Carlota Joaquina o marco da retomada, O auto da compadecida, O Homem Que Copiava e Histórias que nossas babás não contavam.

Temos ainda, claro, os Road Movies, gênero tão caro a diretores como Walter Salles e Cacá Diegues, com obras como Bye, Bye, Brasil, Central do Brasil, Cinema, Aspirinas e Urubus, O Caminho das Nuvens, Viajo porque preciso, volto porque te amo e O Céu de Suely. Todas obras que representam muito mais o país e nossa cultura do que a maioria do que vemos nas salas dos grandes shoppings atualmente.

Brazil: Directory of World Cinema acaba sendo um excelente documento do nosso cinema. Um resgate necessário, com obras diversas que mostram que o cinema nacional não se resume às Chanchadas da Atlântida e Glauber Rocha no passado e às comédias Globo Filmes no presente. Temos muito mais a mostrar e a ser visto. Fico feliz de ter podido participar dessa edição com o review de Os Saltimbancos Trapalhões no capítulo comédia. Um dos melhores filmes que o grupo já fez.

Página no Facebook do livro
publicado originalmente em:  http://www.cinepipocacult.com.br/2014/03/brazil-directory-of-world-cinema.html?m=1