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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Cinema e narrativas audiovisuais no Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura


A SUBMISSÃO de trabalhos foi prorrogada até o dia 22/4/12 (próximo domingo).

Um dos Eixos Temáticos/Grupos de Trabalho do Evento:
Narrativas Audiovisuais
Acolhe trabalhos que analisam as representações construídas por meio de narrativas audiovisuais plasmadas em diversas linguagens (cinema, televisão, vídeos, etc.), constituintes
das práticas de significação e dos sistemas simbólicos por meio dos quais os significados são produzidos; contempla, igualmente, estudos que refletem sobre o caráter arbitrário e indeterminado das representações culturais e suas complexas ligações com as relações de saber/poder.
ATENÇÃO
O Pagamento da Inscrição do VIII ENECULT, só deve ser realizado depois da divulgação dos trabalhos selecionados.

Local do Evento: Reitoria da Ufba (Canela); Pavilhão de Aulas Glauber Rocha (PAF III, Campus de Ondina). 
Período: 8, 9 e 10 de agosto de 2012
Para maiores informaçõesenecult2012@gmail.com
Acesse também nosso Blog - http://enecult.wordpress.com/

GILBERTO CARDOSO ALVES VELHO (1945-2012)

Gilberto Velho, por Karina Kuschnir
Eu gostaria de poder escrever que estou sem palavras nesse momento. Mas estar "sem palavras" seria o oposto do que aprendi com ele. Gilberto sempre tinha algo a dizer para os amigos nos momentos mais difíceis. E era no momento exato, nunca no dia seguinte. Na emoção dessa perda, registro aqui algumas lembranças em sua homenagem.

Como disseram Celso Castro e Hermano Vianna, para ele, a antropologia não era o centro do universo. Fazia parte de uma busca pelo conhecimento muito mais ampla, que incluía história, arte, literatura, e a admiração por áreas como a matemática e a filosofia. Não se tratava de uma retórica, mas de uma prática que tinha sempre em vista comparar e colocar os dados em perspectiva. Isso significava que nós, seus orientandos, de repente,tínhamos de interromper nossas pesquisas para ler as memórias de Tarquínio de Souza ou estudar a fundo os jovens turcos, ainda que estivéssemos fazendo trabalho de campo num subúrbio carioca. 

Não vou me estender sobre a importância de sua vida acadêmica ou sobre sua dedicada atuação para o avanço das instituições científicas brasileiras. Basta ler com atenção seu imenso currículo Lattes. (E hoje fiquei emocionada ao descobrir que a fotografia escolhida para seu Lattes foi tirada por mim, nos Jardins da Princesa, ao lado de sua sala no Museu Nacional, no dia em que realizamos a segunda etapa da entrevista sobre sua vida e carreira para o projeto Cientistas Sociais - Histórias de Vida.) 

Prefiro lembrar de como nos divertíamos com seu humor peculiar, como tão bem escreveu Peter Fry, no texto em sua homenagem para a Associação Brasileira de Antropologia. Quando falava de sua juventude, ou dos primórdios da carreira, acrescentava sempre seríssimo: "Mas isso foi no século treze". Aos jovens alunos do PPGAS, cobrava: "Já aprenderam a cantar o hino da antropologia?" E entoava, operísticamente: "Estranhar, relativizar... " Gostava  de nos deixar atônitos com o horário de reuniões e encontros. Depois de consultar sua agendinha preta, dizia: "ok, terça-feira, às 8 horas e 47 minutos". Nos animava com os carimbos da "Venerável Sociedade das Capivaras", caçando insetos com sua gigante espada de madeira, falando de seus tempos de "campeão de esgrima", passando trotes, citando batalhas do Império Bizantino ou contando histórias misteriosas sobre como o cérebro de Euclides da Cunha foi parar nas aulas do Museu Nacional. 

Tudo isso vinha junto com uma obsessiva disciplina para orientar, que incluía ler capítulos de tese na mesma tarde em que eram entregues, ligar para saber se estávamos trabalhando às 7 da manhã e marcar bancas com quatro meses de antecedência. Cobrava, reclamava e brigava -- muito. Mas tentava compensar essa rigidez com um imenso afeto e vontade de nos ver crescer, como tão bem lembrou Maria Laura Cavalcanti, em sua breve e linda homenagem hoje, no velório. Gilberto nos acolhia nas dificuldades e vibrava com nossos sucessos. É verdade que resistia a mudanças, às vezes com ferocidade. Mas frequentemente mudava de ideia, aceitando e até se divertindo com propostas as mais inusitadas, desde mudar radicalmente o tema de uma pesquisa até decidir a data de uma defesa de tese com ajuda de um mapa astrológico. 

Entre os muitos que o perderam, é difícil separar quem são as centenas de orientandos, alunos, colegas ou amigos. Na vida dele, essas categorias estavam todas misturadas. "As pessoas são complexas", ele gostava de dizer; "não devemos congelar as identidades". Para estar com todos, adorava marcar reuniões, festas, aulas, palestras, almoços e jantares. Nestes, invariavelmente deveríamos aguardar pela chegada de uma "ilustre antropóloga húngara" -- mais uma de suas brincadeiras, que, mesmo depois de conhecida, nos divertia pelo desafio de adivinhar quem faria o papel de convidado-surpresa. Por meio desses encontros, surgiam incontáveis relações: amizades, trocas profissionais, viagens transatlânticas, orientações, pesquisas, publicações, livros e até namoros e casamentos.


Termino agradecendo a todos pelos abraços, telefonemas, e-mails e pensamentos solidários. Embora nada possa reverter essa perda, ajuda muito saber que somos tantos que a sentimos.
Karina
Publicado originalmente em: Laboratório de Antropologia Urbana - UFRJ/IFCHS

PAULO CESAR SARACENI (1933 -2012)





A única vez que falei com Paulo Cesar Saraceni cara a cara foi numa sessão especial de um de seus filmes, Natal da Portela (1988) - finalmente pronto depois de burudungas binacionais - do Brasil, via Embrafilme em decadência, que não cumpriu sua parte na coprodução Brasil-França e não compareceu com os aimorés (segundo Ivan Lessa - até hoje em Londres - era essa a moeda oficial brasileira, a quem chamava - não sei se ainda chama... - de Bananão); da França, que reteve o negativo até que chegassem os sabarás (segundo Ivan Lessa 2, a Missão, também era esse o nome do vil metal bananês). Na saída, ele me perguntou o que achei do filme. Fui sincero com o diretor: disse que, apesar do fato de que as vicissitudes de produção terem prejudicado um pouco sua finalização, eu adorei o filme, pelo retrato generoso de um dos personagens mais carismáticos da história do G.R.E.S. Portela - Natalino José do Nascimento, o Natal da Portela (1905-1975) - banqueiro de bicho, com muita honra, e portelense convicto. (Digo "com muita honra" porque Natal era um banqueiro de bicho do tempo em que "valia o que estava escrito" e que banqueiros de bicho não se envolviam tanto com atividades hídricas...)
Como é público e notório, Natal da Portela nunca foi lançado nos cinemas - antes disso, aquelle caçador de maracujás e seu dragão da maldade (muso inspirador da economista cabeça-de-planilha que hoje exerce a presidente da República...) acabaram com a Embrafilme e com as leis de proteção ao cinema brasileiro. Às vezes, a TV Brasil programa o filme em suas sessões de cinema, assim como costuma programar também O viajante (1998) e, salvo engano, os documentários Bahia de todos os sambas (1996) e Banda de Ipanema - Folia de Albino (2003).
Minha sugestão à TV Brasil: escolha os filmes, digamos, mais alegres de Saraceni, seja Banda de Ipanema - Folia de Albino, seja Bahia de todos os sambas, seja mesmo Natal da Portela. Até para seguir a tradição carioca de se fazer um gurufim (velório, na antiga gíria dos morros). Sarra, como chamavam os amigos, merece um gurufim de respeito.

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Ainda sobre Natal da Portela: é o único filme do tipo "pague um e leve dois" que eu conheço. Isso porque, além de falar de Natal, o filme também fala de Paulo Benjamin de Oliveira, o Paulo da Portela (1901-1949). É verdade que a escolha do salgueirense Almir Guineto, cantor e compositor de responsa, parece brincadagem do Sarra. Mas não é que ele dá conta do recado?

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Filmografia de Paulo Cesar Saraceni:

1960 - Arraial do Cabo (curtametragem – documentário)
Documentário sobre a vida dos pescadores e trabalhadores das jazidas de sal de Arraial do Cabo (RJ).
 
1962 - Porto das Caixas (longa-metragem)

Direção - Paulo Cesar Saraceni
Roteiro - Lúcio Cardoso e Paulo Cesar Saraceni
Elenco - Irma Alvarez, Reginaldo Farias, Paulo Padilha, Henrique Bello, Margarida Rey, Joseph Guerreiro, Sergio Sanz
Sinopse - Uma mulher muito pobre, maltratada por um marido ignorante e bruto, resolve assassiná-lo, e para conseguir quem faça isso, utiliza seus encantos femininos.

1964 - Integração Racial (documentário)

1965 - O Desafio
Direção - Paulo Cesar SaraceniRoteiro - Paulo Cesar Saraceni e Oduvaldo Vianna Filho.
Elenco - Oduvaldo Vianna Filho (Marcelo), Isabella (Ada), Joel Barcellos, Sérgio Britto, Hugo Carvana, Couto Filho, Marilu Fiorani, Renata Graça, Zé Keti, Luiz Linhares, Gianina Singulani, Maria Bethânia (A própria), Nara Leão (A própria), João do Vale (Ele mesmo), Elis Regina (A própria).
Sinopse – Por tratar do romance entre um estudante de esquerda, Marcelo (Vianinha) e a mulher de um rico industrial, Ada (Isabella) foi entendido pela censura do regime militar como apologia do amor entre as classes... Na verdade o que diretor quis foi investigar as razões do Golpe Militar de 1964 (especialmente a traição da burguesia industrial, que não se mostrou progressista) e seu impacto psicológico sobre os intelectuais.

 
1968 - Capitu
Direção - Paulo Cesar Saraceni
Roteiro - Paulo Cesar Saraceni, Paulo Emílio Sales Gomes e Lygia Fagundes Telles, baseado no romance Dom Casmurro, de Machado de Assis
Elenco - Isabella, Othon Bastos, Raul Cortez, Rodolfo Arena, Nelson Dantas, Marilia Carneiro, Maria Morais, Wagner Lancetta, Patrícia Templer, Lídia Podorolska.


1970 – A casa assassinada
Direção - Paulo Cesar Saraceni
Roteiro - Paulo Cesar Saraceni, a partir de romance homônimo de Lúcio Cardoso.
Elenco - Norma Bengell (Nina), Carlos Kroeber (Timóteo), Nelson Dantas, Leina Krespi, Tetê Medina, Augusto Rodrigues Lourenço, Nuno Veloso, Rubens Araújo, Joseph Guerreiro.
   
1973 - Amor, Carnaval e Sonhos
Direção - Paulo Cesar Saraceni.
Roteiro - Paulo Cesar Saraceni.
Elenco - Arduíno Colassanti, Leila Diniz, Hugo Carvana, Ana María Miranda, Isabel Ribeiro, Paulo Cesar Saraceni.
Sinopse – Misto de documentário e ficção que se passa no carnaval carioca. O filme marca a última aparição de Leila Diniz no cinema.

1977 - Anchieta, José do Brasil
Direção - Paulo Cesar Saraceni.
Roteiro - Paulo Cesar Saraceni e Marcos Konder Reis.
Elenco - Ney Latorraca (Anchieta), Luiz Linhares, Maurício do Valle, Joel Barcellos, Hugo Carvana, Maria Gladys, Vera Barreto Leite, Paulo César Peréio, Ana Maria Magalhães, Roberto Bonfim, Dedé Veloso, Manfredo Colassanti, Carlos Kroeber, Wilson Grey, Antonio Carnera
Sinopse – Olhar pessoal de Saraceni sobre a vida do padre José de Anchieta.

1982 - Ao Sul do Meu Corpo
Direção - Paulo Cesar Saraceni.Roteiro - Paulo Cesar Saraceni, a partir do episódio Duas vezes com Helena, do romance Três mulheres com três PPPês, de Paulo Emílio Salles Gomes
Elenco - Nuno Leal Maia (Policarpo), Paulo César Peréio (Alberto), Ana Maria Nascimento e Silva (Helena), Othon Bastos (Padre Paulo), Cissa Guimarães, Jalusa Barcelos, Maria Pompeu.
Sinopse - Um jovem, Policarpo (Nuno Leal Maia) se envolve com Helena (Ana Maria Nascimento e Silva), a mulher de seu professor e orientador, Alberto (Paulo César Peréio), ao visitá-los em Campos do Jordão.


1988 - Natal da Portela
Direção - Paulo Cesar Saraceni.
Roteiro - Paulo Cesar Saraceni.
Elenco - Milton Gonçalves (Natal da Portela), Almir Guineto (Paulo da Portela), Grande Otelo (Seu Napoleão), Zezé Motta (Maria Elisa), Paulo César Pereio, Ana Maria Nascimento e Silva, Zózimo Bulbul, Maurício do Valle, Maria Gladys, Jacqueline Laurence, Zezé Macedo, Tony Tornado.
Sinopse – Olhar pessoal de Saraceni sobre a vida de Natalino José do Nascimento, o Natal da Portela.

1996 - Bahia de Todos os Sambas
Direção - Paulo Cesar Saraceni.
Documentário sobre um espetáculo musical ocorrido entre 23 e 31 de agosto de 1983, no Circo Massimo, nas Termas de Caracalla, em Roma. A Bahia, sede espiritual da nação cultural brasileira, baixou em Roma. Dorival Caymmi, João Gilberto, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Nana Caymmi, Moraes Moreira, Naná Vasconcellos, Tomzé, Paulinho Boca de Cantor, Walter Queiroz, o trio elétrico de Armandinho, Dodô e Osmar e Batatinha, lenda viva do samba baiano, juntamente com cento e cinquenta músicos, ritmistas, dançarinas, capoeiristas, se apresentaram durante nove noites sucessivas para um platéia de aproximadamente cento e cinquenta mil espectadores.

1999 - O Viajante
Direção - Paulo Cesar Saraceni.
Roteiro - Paulo Cesar Saraceni, a partir do romance homônimo e inacabado de Lúcio Cardoso.
Elenco - Marília Pêra (Donana), Leandra Leal (Sinhá), Jairo Mattos (Rafael), Paulo Cesar Pereio (Chico Herrera), Irma Álvarez (Rosália), Ricardo Graça Mello (Zeca), Ana Maria Nascimento e Silva (Anita), Nelson Dantas (Mestre Juca), Myriam Pérsia (Isaura), André Valli (Zé Almino), Roberto Bonfim, Priscila Camargo, Leina Krespi, Milton Nascimento, Fausto Wolff, Adele Fátima, José Loyola, Hileana Meneses, Heloisa Helena Silvano Mendes, Maria Pompeu, Esperança Motta, Marcela Moura, Geraldo Magalhães, Celia & Celma.
Sinopse – A sorte leva quatro seres humanos para a última fronteira da paixão. Lá, onde o amor torna-se quasedesumano e divino. Como se fosse um cometa, Rafael (Jairo Mattos), o viajante, aparece na festa para o santo padroeiro, em uma pequena cidade no interior de Minas Gerais. Ele é o único que traz paixão e crime, desaparecendo depois, deixando um sentimento poético no ar, que é sempre mortal para os que ficamD. Ana de Lara, ou Donana (Marília Pera), uma orgulhosa viúva rica, e Sinhá (Leandra Leal)ainda uma criança, cuja beleza e inocência são como o Tiê-Sangue, um pássaro vermelhosão as vítimas viajantes. Há tambémMestre Juca do Vale (Nelson Dantas), um criminoso, cuja paixão o torna incrivelmente humano nesta história de amor,morte, perdão e ressurreição.


2003 - Banda de Ipanema - Folia de Albino
Direção - Paulo Cesar Saraceni.
Documentário. Albino Pinheiro e a Banda Ipanema – sua obra-prima – a partir de depoimentos de amigos e imagens do desfile da banda, em 2002.

2012 - O Gerente (ainda inédito).
Direção - Paulo Cesar Saraceni.
Roteiro - Paulo Cesar Saraceni, a partir de novela homônima de Carlos Drummond de Andrade.
Publicado originalmente em :BLOG DA REVISTA ELETRÔNICA DE CINEMA SOMBRAS ELÉTRICAS

terça-feira, 17 de abril de 2012

Identidades Culturais Latino Americanas no Cinema

Convidamos pesquisadores interessad@s, a enviarem trabalho sobre a temática de nosso Simpósio: "Estado-Nação e Cinema: A reinvenção do conceito de cinema nacional e as identidades culturais latino americanas" - proposto no
III Congresso Internacional do Núcleo de Estudos das Américas - América Latina : Processos civilizatórios e crises do capitalismo contemporâneo.
27 a 31 de agosto de 2012 - Campus da UERJ - Maracanã - RJ

Ficha de Inscrição será disponibilizada no site do evento e deverá ser encaminhada junto com o resumo do trabalho digitado em fonte Times New Roman 12, espaço 1,5, com um máximo de 300 palavras. Logo no início do resumo virá o título do trabalho, seguido do nome do autor (ou autores) e a sigla da instituição a qual pertençam. Somente após virá o texto do resumo.
Inscrição de comunicação no simpósio deverá ser feita diretamente com os coordenadores no período de 06 de fevereiro de 2012 a 20 de junho de 2012 .
Maiores informações sobre o evento:  http://www.congressonucleas.com.br/index.php


Segue, abaixo, o resumo do Simpósio:
CULT 6 - Estado-Nação e Cinema: A reinvenção do conceito de cinema nacional e as identidades culturas latino-americanas

Coordenação: 
Prof. Dr. Eduardo Antonio Lucas Parga - UERJ - Pesquisador-colaborador e coordenador do GEHCAL (Grupo de Estudos de História e Cinema na América Latina) vinculado ao NUCLEAS.

e-mail: eduparga@yahoo.com.br 

Este simpósio tem por objetivo debater as relações entre o cinema como forma cultural particular e sobre o Estado-nação como matriz de dinâmicas políticas, econômicas e socioculturais. A idéia de cinema nacional vem sofrendo nos últimos anos pressões resultantes da convergência audiovisual, da transnacionalização e do ressurgimento do local. O incremento dos processos globalizantes, aliado à convergência audiovisual, lança a idéia de cinema nacional em sua maior crise. Na esfera da produção, destacam-se as iniciativas de co-produção envolvendo capitais de diversas procedências, assim como as equipes e locações, tanto no setor cinematográfico como no televisivo. 

Ultima Hora: É com pesar e tristeza que LAMENTAMOS o falecimento de nosso insubstituível colega, José Mario Ortiz Ramos, grande pesquisador de cinema brasileiro, autor de obras essenciais sobre esse e outros temas. 
Que a terra lhe seja leve!

gRUPO nOVE  y  ANTROcine

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sábado, 14 de abril de 2012

Filmes apetitosos para o pensamento


A política está na mesa




O interior do Cine Pireneus
Ficou com fome quem veio ao Slow Filme, em Pirenópolis/Goiás, à cata de regabofes como A Festa de Babette ou delicatessen como Ratatouille. Este é um festival de cinema político, aliás como poucos outros no Brasil. A alimentação aqui é uma via de acesso ao funcionamento da sociedade, uma vitrine para a divulgação de práticas revolucionárias no uso da terra e dos recursos alimentares. Uma tribuna dos pequenos contra os grandes.
Acho que foi neste delicioso Cine Pireneus, que se deu a primeira exibição brasileira do longa francês Soluções Locais para a Desordem Global, um filme que praticamente resume o espírito do festival. É um libelo contra a agroindústria e a exploração dos agricultores pelas multinacionais das sementes compulsórias e dos fertilizantes químicos. Durante três anos, Coline Serreau viajou por quatro continentes coletando depoimentos e histórias de quem reage contra a mercantilização desmesurada da alimentação. Da Ucrânia à Índia, da França ao Brasil, ela entrevistou ativistas, filósofos, economistas e agricultores. O MST brasileiro tem papel de protagonismo, não como a brigada ideológica que a direita brasileira teima em pintá-lo, mas como um exército de gente comum em busca de soluções locais e independentes. A policultura em espiral praticada no Sul, por exemplo, e chamada de “agricultura companheira”. É claro que sobram farpas contra o projeto de etanol do governo Lula numa conversa entre João Pedro Stédile e a veneranda agrônoma Ana Primavesi.
Coline Serreau não perde a oportunidade de dar seu habitual viés feminista ao assunto. O tratamento exaustivo da terra, a corrida pela produtividade em troca da sustentabilidade, a industrialização desenfreada são apontados por vários participantes como uma masculinização da agricultura, que tanto podem reverter quanto mais esse métier seja devolvido às mulheres. Nesse raciocínio de gênero, até o contumaz genocídio de fetos femininos na Índia pode estar ligado a essa supressão das mulheres do cenário do suprimento alimentar no mundo.


O curador do Slow Filme, Sergio Moriconi, fez escolhas corajosas, algumas até radicais. O curta O Jantar, por exemplo, faz um comentário mordaz sobre a atualidade húngara através do som do rádio enquanto um homem sofre um acidente fatal no seu chiqueiro, e o cadáver fica dias por lá, ante a indiferença da família, até ser devorado pelos porcos. No doc iraniano Gato e Rato,acompanhamos a saga dos meninos catadores de restos de pão para a indústria de reciclagem, um trabalho de Sísifo que parece fazer uma ponte entre a era industrial e os tempos medievais. No Senegal, meninos mendigam pão nas ruas para vender no mercado negro de pão dormido (O Pão Nosso de Cada Dia). Na Índia, Comida, Sempre Comida faz um corte transversal da sociedade através dos hábitos alimentares, destacando a luta dos vendedores de rua para fazer face à polícia corrupta que os reprime para dar lugar às cadeias de fast food. Na Polônia, Milkbar enfoca a decadência das cantinas populares ex-comunistas, assoladas pela atual miséria financeira da população. Do Uzbequistão veio um impressionante doc sobre o progressivo encolhimento do Mar de Aral, que transformou um vilarejo de pescadores numa cidade-fantasma em meio à desolação de um deserto salgado.
Ou seja, o Slow Filme não veio pra bolinho. Isso não quer dizer que não haja diversão. O curta de animação francês O Santo Banquete, por exemplo, narra com bandejas de humor negro a história de um ogro que não consegue atingir sua meta de comer criancinhas no dia festivo dedicado a isso. Os curtas catarinensesHistórias da Cerveja em Santa Catarina e Cerveja Falada são fermentados em humor etnográfico colhido na expressão regional e no carisma de alguns personagens.
Esse humor etnográfico, carinhoso e cativante, temperou muitos filmes da programação e transbordou no longa O Mineiro e o Queijo, de Helvécio Ratton, outro que soou como síntese dos conceitos do Slow Filme. Esse mergulho profundo numa Minas secular, a dos produtores do queijo artesanal, isolados nas montanhas do Serro e da Canastra, tem tudo para agradar quem gosta de docs e de gastronomia. Ele nos leva aos currais, às pequenas quejeiras e a um processo de fabricação em que as mãos têm importância fundamental. Mas a dimensão política do filme é enfatizada, denunciando as normas sanitárias (alegadamente obsoletas e alienadas da realidade brasileira) que impedem o autêntico queijo Minas de ser vendido fora do estado.

Carmem Moretzsohn e Gioconda Caputo, organizadoras do Slow Filme
Festival pequeno, mas com identidade forte e organizado com simpatia e eficiência pela equipe da Objeto Sim, o Slow Filme fez circular sua mensagem num ambiente propício. Na graciosa Pirenópolis, vivemos uma grande proximidade com os frutos diretos da natureza. Em cada prato ou guloseima, sentimos mais a mão do homem do que as esteiras da indústria. Isso é comida para o pensamento.
+ Infos detalhadas sobre os filmes e o Festival: http://www.slowfilme.com.br





Confira a Comida (Food) do genial tcheco Jan Svankmaje:

 Café da Manhã, Almoço e Jantar 

Como Voce Nunca Viu!

Som Imaginário

Imaginary sound / Φανταστικό ήχου / Мнимая звука / סאונד דמיוני 架空のサウンド / 声 / கற்பனை ஒலி 

Ensaio realizado com Gal Costa - Feira Moderna


quinta-feira, 12 de abril de 2012

Cinema é religião na América Latina?

XIV CONGRESO LATINOAMERICANO SOBRE RELIGION Y ETNICIDAD
La construcción de nuevas propuestas en el siglo XXI
25 al 29 de junio de 2012
Universidad Francisco Gavidia (UFG)
San Salvador; El Salvador / Centro América

Cartaz do ultimo Congresso. 

Estimados colegas les envió la segunda circular con la lista de simposio que se aceptaron.

Les envió las siguientes indicaciones:
·        Para participar en un simposio deben comunicarse con el Coordinador de Simposio antes del 15 de abril del 2012.
·        Si tienen propuesta de ponencia libre debe presentar a más tardar el 15 de abril.
·        Deben enviar sus Propuestas Ponencias Libres como dudas a las siguientes direcciones electrónicas y a coordinacionacademica.aler@gmail.com

Simposios con resúmenes ALER 2012


Religião, Cinema e Audiovisual
Coordinador: Edilson Baltazar Barreira Júnior
edilsonbarreira@yahoo.com.br
Escola Superior da Magistratura do Estado do Ceará / Brasil

Para alguns teóricos, como Walter Benjamin, o cinema é uma nova forma de elaboração artística, prefigurada desde as pinturas rupestres até as obras de grandes mestres da pintura, mas a efetivação só foi possível quando a ciência e a tecnologia forneceram as condições de viabilidade técnica, o que só ocorreu em plena era industrial. Assim, o cinema surge como uma obra de arte própria da revolução burguesa, que teve na produção em série hollywoodiana a expressão máxima. O cinema, também, desde os primórdios, se apresentou como fenômeno de massas, elaborando um modelo de produção e difusão fortemente industrializado, o mesmo que ocorreu com outras formas midiáticas, como a televisão, rádio e outras. O cinema, portanto, é, ao mesmo tempo, um feito social e artístico, dois aspectos que se entrecruzam, porquanto seu caráter social pode afetar a arte e seus efeitos artísticos podem impactar a sociedade A temática religiosa é recorrentemente abordada nos mais diversos gêneros de filmes lançados, com frequência, no mercado cinematográfico mundial. Assim, a proposta deste Simpósio é convidar pesquisadores e estudantes a apresentarem estudos que estabeleçam a relação entre obras cinematográficas ou de audiovisual, recortando elementos religiosos, como práticas cultuais, expressões, símbolos e gestos rituais que constroem uma visão de mundo religioso. Portanto, o cinema visto como um exercício artístico visual, em que as imagens têm sentido, e também, lidar com os filmes como uma feitura que poderá revelar conexões sociais relevantes e significativas, como o fenômeno religioso.

4º Festival Internacional do Filme de Pesquisa



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PROGRAMAÇÃO

/// De 10h às 12h 
OS ESCRAVOS DE ONTEM (DEMOCRACIA E ETNICIDADE NO BENIN)
Les Esclaves d’Hier (Démocratie et Ethnicité au Bénin) / Os escravos de Ontem (Democracia e Etnicidade no Benin), de Éric Komlavi Hahonuu (Universidade de Roskilde, Dinamarca) e Camila Strandsbjerg (Universidade de Copenhagem, Dinamarca).
30 min., francês com legendas em português, 2011. 
Prêmio do Juri no 4º  festival do filme de pesquisa no Museu do Quai Branly (maio/2011) e no 2º festival do filme de pesquisa Cultura, Diáspora e Cidadania, em Lyon (fevereiro/2012). 
PASSADOS PRESENTES: MEMÓRIA NEGRA NO SUL FLUMINENSE
de Hebe Mattos (UFF) e Martha Abreu (UFF)
Roteiro | Hebe Mattos, Martha Abreu e Isabel Castro
Montagem | Isabel Castro (Mestre em Cinema, Paris VIII e Paris III)
LABHOI-UFF, 43 min., português, 2011.
Sinopse: O filme apresenta momentos da história dos descendentes de escravos dos antigos domínios da família Souza Breves na região Sul do Estado do Rio de Janeiro, especialmente nas regiões do Bracuí e Pinheiral. Coloca em destaque uma vigorosa tradição oral  que protege do esquecimento informações sobre o tráfico ilegal de escravos e sobre experiências de antepassados cativos e libertos.
RESULTADOS DO INVENTÁRIO DOS LUGARES DE MEMÓRIA DO TRÁFICO ATLÂNTICO DE ESCRAVOS E DA HISTÓRIA DOS AFRICANOS ESCRAVIZADOS NO BRASIL
Apresentação e debate com as historiadoras Martha Abreu e Hebe Mattos e o antropólogo Milton Guran,  representante brasileiro no projeto “Rota dos Escravos” da UNESCO.

/// Às 14h
QUILOMBO (A OUSADIA DE LUTAR PELA LIBERDADE)
De Nina Tedesco (doutoranda de Comunicação Social da UFF) e Renata Azevedo Lima (pesquisadora e diretora de produção, historiadora da Fundação Cultural Casimiro de Abreu /RJ e mestranda de História da UFF).
17 min., português, 2010.
Sinopse: O filme investiga uma localidade na região serrana do município de Casimiro de Abreu (RJ) chamada “Quilombo”. O acesso é difícil, estrada de chão sinuosa e esburacada, com altitude mínima de cerca de 700m, abundância de água e terra fértil. Chegando lá, nenhum negro foi encontrado, apenas descendentes de colonos suíços. A questão “o nome do local tem relação com o passado de resistência dos escravos?” é o fio condutor do filme, que reúne entrevistas com moradores e ex-moradores do Quilombo, moradores da cidade de Casimiro e historiadores, além de belíssimas imagens da natureza do local, imagens de mapas e manuscritos sobre a região, produzidos no início do século 19, e ruínas arqueológicas. A trilha sonora é uma interpretação original de ritmos africanos
MARACATU ESTRELA DE OURO DE ALIANÇA
de Laure Garrabé (Doutora em Antropologia, Lyon 2/Paris VIII, França)
24 minutos, Amsterdam, 2010.
Sinopse: A Zona da Mata de Pernambuco, terra do açúcar na civilização dos ritmos é o berço do maracatu de baque-solto, forma de expressão local ao mesmo tempo dançada, musicada e dramatizada onde as estéticas negra e cabocla fabricam identidade sem etnicidade. Como a cada ano, desde esta Terra do Maracatu, o grupo Estrela de Ouro de Aliança inicia sua viagem de três dias e três noites durante o qual ele irá de cidades do interior até a capital, Recife, apresentar sua nação diante da Comissão carnavalesca para disputar a melhor performance do ano de 2007. Entre sons, cores e experiências, este filme mostra também ritmos: não apenas o baque-solto através do qual os maracatuzeiros se reivindicam e se dão a perceber, mas também a transformação de outras temporalidades (tradições, ritos, esperas, competição, fadiga, movimentos e voz) e sua industrialização progressiva respondendo às leis de entretenimento.

/// Às 15h
O MANUSCRITO PERDIDO
de José Barahona, documentário, Portugal/Brasil.
Fotografia |  Marcela Bourseau
Montagem | Carolina Dias
Vencedor do Prêmio TV Brasil da 15ª Mostra Internacional do Filme Etnográfico
Produção |  David, Golias/Refinaria Filmes, Portugal/Brasil
79 min., 2010
Sinopse: Através da busca pelo manuscrito perdido de Fradique Mendes, poeta e aventureiro português do século 19, o filme nos faz refletir sobre a colonização portuguesa, as origens da sociedade brasileira e algumas questões sociais contemporâneas, como a luta pela terra.

/// Às 17h 
OS ESCRAVOS DE ONTEM (DEMOCRACIA E ETNICIDADE NO BENIN)
Les Esclaves d’Hier (Démocratie et Ethnicité au Bénin)/ Os escravos de Ontem (Democracia e Etnicidade no Benin), de Éric Komlavi Hahonuu (Universidade de Roskilde, Dinamarca) e Camila Strandsbjerg (Universidade de Copenhagem, Dinamarca).
30 min., francês com legendas em português, 2011.
Prêmio do Juri no 4º  festival do filme de pesquisa no Museu do Quai Branly (maio/2011) e no 2º festival do filme de pesquisa Cultura, Diáspora e Cidadania, em Lyon (fevereiro/2012). 

/// Às 17:30h
PASSADOS PRESENTES: MEMÓRIA NEGRA NO SUL FLUMINENSE
de Hebe Mattos (UFF) e Martha Abreu (UFF)
Roteiro | Hebe Mattos, Martha Abreu e Isabel Castro
Montagem | Isabel Castro (Mestre em Cinema, Paris VIII e Paris III)
LABHOI-UFF, 43 min., português, 2011.
Debate com as historiadoras Hebe Mattos, Martha Abreu, com representantes do grupo de Jongo de Pinheiral, do Quilombo do Bracuí e do Pontão da Cultura do Jongo e do Caxambu.

/// Às 19h 
LANÇAMENTO DA CAIXA DE DVDs “PASSADOS PRESENTES” – com os filmes Passados Presentes. Memória Negra no Sul Fluminense (2011, de Hebe Mattos e Martha Abreu), Memória do Cativeiro (2005, de Hebe Mattos, Martha Abreu, Guilherme Fernandez e Isabel Castro), Jongos, Calangos e Folias, Música Negra, Memória e Poesia (2007, de Hebe Mattos e Martha Abreu), Versos e Cacetes, o Jogo do Pau na Cultura Afro-fluminense (2009, de Matthias Assunção e Hebe Mattos). Coquetel de lançamento na Livraria da Travessa do CCBB. Entrada franca.

4º FESTIVAL INTERNACIONAL DO FILME DE PESQUISA SOBRE HISTÓRIA E MEMÓRIA DA ESCRAVIDÃO MODERNA
Tema | CULTURA, DIÁSPORA E CIDADANIA
Centro Cultural Banco do Brasil, 
Local | Cinema II | Rua  Primeiro de Março, 66 – Centro
Telefone: (21 3808 2020)
Data | 25 de abril de 2011
Horário | de 10h às 19h
Entrada franca.
Metrô | Uruguaiana
Facilidades para deficientes